Família de mulher que caiu de ônibus em movimento cobra auxílio

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G1

A morte trágica de Renata Yassu Nakama, após cair de um ônibus em movimento em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, mobiliza sua família na busca por justiça e auxílio. O incidente, ocorrido em 2 de janeiro, resultou na perda da jovem que completaria 27 anos em 11 de janeiro, deixando dois filhos menores sob os cuidados dos avós. Em meio à dor e à súbita responsabilidade, a família cobra apoio financeiro e psicológico da prefeitura e da empresa Sancetur, responsável pelo transporte público local. Uma decisão judicial provisória, emitida no início de fevereiro, determinou o pagamento de uma pensão mensal, mas seu cumprimento integral ainda é questionado pelas partes envolvidas, adicionando mais uma camada de complexidade a este caso doloroso.

A luta da família e o impacto da tragédia

A partida prematura de Renata Yassu Nakama não apenas ceifou uma vida jovem, mas também impôs uma nova e desafiadora realidade aos seus pais. Com a perda da mãe, os dois filhos de Renata, ainda pequenos, passaram a depender integralmente dos avós maternos. Sérgio Yassu Nakama, pai de Renata, expressa a angústia da família diante da necessidade de prover suporte às crianças. Ele ressalta a importância de acompanhamento psicológico para os netos, que frequentemente se mostram quietos e calados, um reflexo do trauma vivenciado. “São duas crianças que estão sem a mãe e que precisam de acompanhamento psicológico, porque às vezes ficam quietas, caladas, e a gente não sabe exatamente o que é. Mas ainda não temos como arcar com essas despesas”, desabafou Sérgio, evidenciando a sobrecarga emocional e financeira que a família enfrenta desde o acidente.

O amparo necessário para os órfãos

A demanda por auxílio não se restringe apenas às despesas imediatas, mas se estende ao futuro e ao bem-estar psicológico das crianças. A advogada que representa a família tem trabalhado para garantir que a prefeitura de São Sebastião e a empresa Sancetur assumam a responsabilidade pela assistência contínua. O suporte psicológico, em particular, é visto como crucial para auxiliar os netos de Sérgio a processarem o luto e a adaptarem-se à nova estrutura familiar. A busca por este amparo ressalta não apenas a dimensão material, mas também a profunda necessidade de atenção à saúde mental dos menores, vítimas indiretas de uma falha que resultou na perda de sua mãe.

O impasse na decisão judicial provisória

Em uma tentativa de prover este suporte, a Justiça interveio no início de fevereiro com uma decisão liminar. O magistrado determinou que a Sancetur e a Prefeitura de São Sebastião pagassem uma pensão mensal equivalente a 2,4 salários mínimos aos filhos de Renata. Esta decisão, contudo, foi emitida com caráter provisório, podendo ser revista ou revogada a qualquer momento. Apesar da determinação judicial, a defesa da família alega que a decisão não tem sido plenamente cumprida. A Sancetur, por sua vez, informou no processo que efetuou o pagamento da sua parte, depositando os valores em juízo. A prefeitura também afirmou ter realizado um depósito nos autos do processo. Essa divergência gera um impasse, com a família ainda sem acesso ao auxílio completo e contínuo que considera fundamental.

As circunstâncias do acidente e as versões em confronto

O acidente que culminou na morte de Renata Yassu Nakama ocorreu em 2 de janeiro. Imagens de câmeras de segurança do ônibus, divulgadas posteriormente, revelaram a dinâmica chocante dos acontecimentos. Por volta das 12h15, Renata embarcou no veículo, que estava lotado, e se acomodou apoiada na janela, segurando uma barra de apoio próxima à entrada. Cerca de oito minutos depois, às 12h23, a janela começou a se desencaixar da estrutura. Pouco mais de um minuto após o início do desprendimento, ao passar por uma curva na altura da Praia das Cigarras, a janela se soltou completamente, e Renata foi ejetada do coletivo.

A dinâmica da queda de Renata

As imagens são cruciais para entender os momentos que antecederam a tragédia. Elas mostram Renata buscando um ponto de apoio no ônibus superlotado e a progressiva falha da estrutura da janela. A advogada da família, Gabriella Prado, destaca que o motorista do ônibus teria visto Renata no local onde ela estava e não a impediu de permanecer ali, nem interrompeu a viagem. “As imagens mostram que a Renata apontou o local para onde ela ia ir, o motorista viu ela indo até aquele local, não impediu que ela entrasse lá, não parou a viagem, continuou o caminho, e no meio do trajeto ela foi ejetada do trajeto por uma falha estrutural”, argumenta a advogada, apontando para uma falha estrutural e negligência por parte da operação do transporte. Renata, após a queda, bateu a cabeça, chegou a se levantar com auxílio de outros passageiros e foi levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito três dias depois.

Respostas das autoridades e da empresa de transporte

Em contraponto à versão da família, o registro da Polícia Militar feito na época do acidente informa que o motorista da Sancetur alegou que a jovem “decidiu por conta própria pular a grade e ocupar o local não destinado para passageiro”. Ele também reportou que o ônibus transportava 77 passageiros, dentro do limite permitido. A Prefeitura de São Sebastião informou que acompanha o caso, solicitou todas as informações à concessionária e realizou vistorias na garagem da empresa para inspeção do ônibus envolvido. As circunstâncias do acidente, segundo a prefeitura, continuam sendo apuradas. A Sancetur, questionada sobre o cumprimento da decisão judicial e sobre os detalhes do acidente, não se manifestou publicamente. A falta de um posicionamento claro da empresa aumenta a frustração da família e a percepção de falta de responsabilidade.

Conclusão

O caso de Renata Yassu Nakama ilustra a complexa interseção entre dor familiar, responsabilidade cívica e embates legais. A família, dilacerada pela perda, busca um mínimo de amparo para os órfãos, confrontando a burocracia e as divergências de versões sobre o acidente. A decisão judicial provisória representa um reconhecimento inicial da necessidade de suporte, mas seu cumprimento controverso apenas prolonga a angústia. Enquanto as investigações seguem e as partes envolvidas mantêm suas posições, a memória de Renata e o futuro de seus filhos permanecem no centro de uma batalha por justiça e dignidade, clamando por uma resolução clara e efetiva que possa, ao menos parcialmente, aliviar o peso da tragédia.

FAQ

Quem era Renata Yassu Nakama?
Renata Yassu Nakama era uma jovem de São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo, que faleceu aos 26 anos após cair de um ônibus em movimento. Ela faria 27 anos dias após o acidente e deixou dois filhos.

Qual é a situação legal do caso de Renata?
Uma decisão judicial liminar determinou que a empresa Sancetur e a Prefeitura de São Sebastião pagassem uma pensão mensal equivalente a 2,4 salários mínimos aos filhos de Renata. Contudo, a família alega que essa decisão não tem sido plenamente cumprida, enquanto a empresa e a prefeitura afirmam ter realizado depósitos em juízo.

O que as imagens do acidente revelaram?
As imagens de segurança do ônibus mostram Renata apoiada na janela, que, após cerca de oito minutos, começou a se desencaixar. Pouco mais de um minuto depois, em uma curva, a janela se desprendeu completamente, e Renata foi ejetada do veículo. A defesa da família aponta falha estrutural e alega que o motorista não impediu Renata de ficar no local da queda.

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Fonte: https://g1.globo.com

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