A Comissão Mista do Congresso Nacional aprovou, em 2 de outubro, a Medida Provisória (MP) que elimina o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que correspondem a aproximadamente R$ 257, realizadas via remessas postais. Agora, o texto seguirá para votação nos plenários da Câmara e do Senado, com previsão de aprovação nesta semana, antes da expiração da MP em 8 de outubro.
Contexto e Justificativas da Medida
A relatora da MP, senadora Leila Barros (PDT-DF), defendeu a proposta destacando a desigualdade no tratamento fiscal entre compras internacionais feitas por pessoas de diferentes classes sociais. Segundo ela, a isenção de impostos para compras realizadas por viajantes que retornam ao país, enquanto se impõe uma tributação elevada sobre as remessas, cria uma injustiça econômica.
Alterações Propostas
A senadora Barros também introduziu mudanças que incluem a isenção de impostos sobre medicamentos sem equivalente nacional. Além disso, a alíquota de importação para compras de até US$ 3 mil será reduzida de 60% para 30%. Essas alterações visam incentivar o acesso a produtos essenciais e promover a competitividade.
Críticas e Preocupações
Entretanto, a proposta enfrentou críticas, especialmente do senador Izalci Lucas (PL-DF), que argumentou que a redução das taxas poderia prejudicar a indústria nacional, favorecendo concorrentes estrangeiros, especialmente da China. Ele defendeu a necessidade de isonomia na tributação.
Avaliação e Monitoramento da Política
Para abordar essas preocupações, a MP inclui uma cláusula que estabelece avaliações periódicas, a serem conduzidas pelo Ministério da Fazenda. O primeiro relatório deve ser apresentado em novembro e as análises subsequentes ocorrerão a cada seis meses, monitorando indicadores de emprego, renda e competitividade.
Responsabilidades de Plataformas e Consequências para Irregularidades
O relatório também impõe novas obrigações a plataformas digitais e operadores logísticos no combate a fraudes. Eles deverão garantir a rastreabilidade das remessas e manter registros eletrônicos. O não cumprimento dessas regras poderá resultar em sanções, que variam desde advertências até multas e suspensão das atividades.
Em suma, a aprovação da MP da taxa das blusinhas reflete um esforço para equilibrar o consumo popular e a proteção da indústria nacional, enquanto se busca uma maior transparência e controle sobre as operações de importação.


