A Polícia Civil de Ribeirão Preto, São Paulo, está à frente de uma complexa investigação que apura uma tentativa de homicídio envolvendo o envenenamento de um jovem de 27 anos por meio de um copo de açaí. O caso, que despertou grande atenção na cidade, começou com a internação do rapaz em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e evoluiu para a descoberta de uma substância altamente tóxica no alimento. A investigação aponta a presença de terfubós, principal componente do agrotóxico conhecido popularmente como “chumbinho”, no fundo do recipiente. A principal suspeita recai sobre a então namorada da vítima, que nega as acusações. O desdobramento deste crime levanta questões sobre segurança alimentar e relações interpessoais, com a polícia trabalhando para elucidar os detalhes de como o veneno foi parar no açaí.
A descoberta do veneno e a internação
O incidente que desencadeou a investigação ocorreu em 5 de fevereiro, quando Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos, consumiu um copo de açaí e começou a sentir-se mal, necessitando de internação imediata em uma UTI. Os sintomas graves e atípicos levantaram suspeitas de envenenamento por parte da equipe médica. Após dias de tratamento intensivo, Adenilson felizmente recebeu alta e encontra-se em recuperação. A comprovação do veneno veio de um laudo pericial que confirmou a presença de pequenos pontos de cor cinza no fundo do copo de açaí examinado, indicando a substância tóxica.
A substância perigosa: terfubós
A perícia concluiu que a substância encontrada no açaí era terfubós, um composto químico amplamente utilizado como inseticida para controle de pragas de solo em plantações. No entanto, sua toxicidade para seres humanos é altíssima. Danilo Dorta, toxicologista da Universidade de São Paulo (USP), explicou os efeitos devastadores do terfubós no organismo humano. “Ele vai causar vários sintomas como náuseas, sudorese intensa ou aumento de salivação, miose, que é aquela visão em que o olho fica como se fosse no formato de uma agulha, a gente chama de pontiforme. São os efeitos mais clássicos e esperados de quem se intoxica. E, claro, que em uma concentração um pouco mais elevada, à qual o organismo consiga responder, pode sim, inclusive, ser letal”, alertou o especialista. A gravidade dos sintomas apresentados por Adenilson foi, portanto, totalmente compatível com a ingestão dessa substância perigosa.
Recuperação e alerta médico
Apesar da seriedade da intoxicação por terfubós, Adenilson Ferreira Parente demonstrou uma surpreendente capacidade de recuperação. Após um período crítico na UTI, ele foi estabilizado e recebeu alta hospitalar, dando continuidade à sua recuperação em casa. A rápida resposta médica foi crucial para evitar um desfecho fatal, dada a letalidade potencial da substância. O caso, porém, serve como um alerta contundente sobre os riscos de envenenamento acidental ou intencional e a necessidade de vigilância em situações de suspeita de intoxicação.
Linha de investigação: foco na residência
Com a confirmação do envenenamento, a Polícia Civil direcionou suas investigações para o ambiente em que o açaí foi consumido. A principal linha de apuração visa determinar se o veneno foi adicionado ao alimento dentro da casa da vítima. Para isso, as autoridades analisam cuidadosamente imagens de câmeras de segurança e coletam depoimentos de pessoas próximas a Adenilson. A complexidade do caso exige uma análise detalhada de cada etapa e de cada indício encontrado.
Análise das câmeras de segurança
As câmeras de segurança tornaram-se peças-chave na investigação. Imagens registraram o momento em que Larissa de Souza, então namorada de Adenilson, retirou o pedido de dois copos de açaí em uma loja na Avenida Barão do Bananal, na zona Leste da cidade, durante a tarde do dia 5 de fevereiro. As gravações mostram Larissa e Adenilson chegando em casa de carro. Ela carregava uma sacola com os dois copos e entregou um deles ao namorado antes de entrar na residência.
Um detalhe crucial capturado pelas câmeras revela que Adenilson deixou o copo no chão e saiu com o carro logo em seguida. Minutos depois, Larissa retornou ao local, recolheu o açaí e entrou novamente em casa. Adenilson, por sua vez, retornou à residência e permaneceu no local por aproximadamente 20 minutos antes de se sentir mal. O delegado José Carvalho de Araújo Júnior, responsável pelo caso, ressalta a importância dessas imagens: “Em algum momento, alguém colocou veneno no copo. Então, este momento nos leva a entender de que ali ela estava manuseando este copo de alguma forma. Então, estamos agora investigando a respeito deste fato”.
Outro ponto registrado pelas câmeras ocorreu por volta das 20h, quando o casal foi flagrado retornando à loja onde o açaí foi comprado, supostamente para reclamar da compra. Contudo, a hipótese de que o envenenamento tenha ocorrido no estabelecimento foi prontamente descartada pelas autoridades desde o início das investigações. Segundo o delegado Araújo, todo o processo de preparo do açaí foi filmado e as gravações não indicaram qualquer atitude suspeita por parte dos funcionários, solidificando a teoria de que a contaminação ocorreu após a saída da loja.
O depoimento da suspeita e a negação
Larissa de Souza, ex-namorada de Adenilson, foi identificada como uma das principais suspeitas na investigação. Em depoimento prestado à polícia em 19 de fevereiro, ela negou veementemente ter envenenado Adenilson. A defesa de Larissa não se manifestou publicamente sobre o caso até o momento. A Polícia Civil continua a coletar e analisar provas, incluindo evidências forenses e testemunhais, para confirmar ou refutar as alegações e determinar a verdade dos fatos.
O desenrolar da investigação criminal
A Polícia Civil de Ribeirão Preto prossegue com a investigação, que está sendo tratada como tentativa de homicídio. A complexidade do caso exige que os investigadores sigam todas as pistas e descartem todas as possibilidades antes de chegar a uma conclusão final. O objetivo é estabelecer a cronologia exata dos eventos e identificar o responsável pela adição do terfubós no açaí.
Descarte de outras hipóteses
Desde o início da investigação, a Polícia Civil trabalhou para eliminar as possibilidades de envenenamento acidental ou contaminação no local de compra do açaí. Como mencionado, as imagens de segurança da loja foram cruciais para descartar qualquer envolvimento dos funcionários ou do processo de preparo do alimento. Essa eliminação de outras hipóteses fortalece a linha de investigação que foca na residência da vítima e nas pessoas que tiveram contato com o açaí após sua compra. A diligência das autoridades em verificar cada detalhe é fundamental para garantir a justiça no caso.
Próximos passos da polícia
Os próximos passos da polícia incluem a análise aprofundada de todas as provas coletadas, incluindo dados de telefonia e redes sociais, além de possíveis novos depoimentos. A intenção é cruzar informações e consolidar um arcabouço probatório robusto que possa levar à identificação definitiva do autor da tentativa de homicídio. A investigação segue em sigilo para não comprometer o levantamento de novas evidências.
A investigação do caso de envenenamento por açaí em Ribeirão Preto continua sendo uma prioridade para a Polícia Civil. A confirmação da presença de terfubós no alimento, a internação e posterior recuperação da vítima, Adenilson Ferreira Parente, e o foco nas imagens de segurança para elucidar os movimentos da então namorada, Larissa de Souza, desenham um cenário complexo de tentativa de homicídio. Com Larissa negando as acusações, a polícia se dedica a reunir provas irrefutáveis para determinar a autoria e as circunstâncias exatas do crime. A justiça para Adenilson e a elucidação completa dos fatos são os objetivos primordiais das autoridades neste delicado inquérito.
Perguntas frequentes
O que é terfubós e quais seus efeitos em humanos?
Terfubós é um inseticida agrícola altamente tóxico. Em humanos, pode causar sintomas como náuseas, sudorese intensa, aumento da salivação, e miose (pupilas contraídas). Em concentrações elevadas, pode ser letal.
Onde o veneno teria sido colocado no açaí, segundo a investigação?
A investigação da Polícia Civil foca na hipótese de que o veneno foi adicionado ao copo de açaí dentro da casa da vítima, Adenilson Ferreira Parente, após o alimento ter sido retirado da loja. Imagens de câmeras de segurança são analisadas para corroborar essa teoria.
Qual é a situação atual da investigação e da vítima?
A investigação está em andamento, sendo tratada como tentativa de homicídio, com a ex-namorada da vítima, Larissa de Souza, como uma das suspeitas. A vítima, Adenilson Ferreira Parente, após ser internado em UTI, recebeu alta e está em recuperação.
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Fonte: https://g1.globo.com


