Campinas registra um alarmante aumento de 7,4% nos casos de roubos e furtos a farmácias entre 2024 e 2025, impulsionado principalmente pela crescente demanda e valor das canetas emagrecedoras. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) revelam que a metrópole contabilizou 72 ocorrências no ano passado, contra 67 em 2024, com janeiro de 2026 já somando seis novos registros. Essa escalada de crimes não se limita à cidade, com o estado de São Paulo também apresentando um crescimento de 3,4% no mesmo período. A situação acende um alerta para a segurança dos estabelecimentos e, mais criticamente, para os riscos à saúde pública associados ao mercado paralelo desses medicamentos de alta procura.
Crescimento dos crimes e medidas de segurança
A escalada nos registros de roubos e furtos a farmácias em Campinas e no estado de São Paulo tem gerado preocupação entre as autoridades e o setor farmacêutico. Em Campinas, a elevação de 7,4% nos casos entre 2024 e 2025 reflete uma tendência preocupante. Em 2024, foram registrados 67 boletins de ocorrência, número que saltou para 72 em 2025. O cenário para o início de 2026 não é mais animador, com a Polícia Civil já contabilizando seis ocorrências apenas em janeiro na cidade. Essa movimentação criminosa, focada em produtos de alto valor agregado como as canetas emagrecedoras, tem forçado os estabelecimentos a repensar suas estratégias de proteção. No âmbito estadual, o aumento é igualmente notório, com um crescimento de 3,4% nos registros de roubos e furtos a farmácias, passando de 2.519 ocorrências em 2024 para 2.607 em 2025. O primeiro mês de 2026 no estado de São Paulo já soma 248 boletins de ocorrência, indicando que a tendência de alta se mantém.
Respostas do setor farmacêutico e riscos do mercado paralelo
Diante do avanço da criminalidade, o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado (Sincofarma) tem implementado novas abordagens para mitigar os crimes. Rafael Espinhel, consultor jurídico da entidade, detalha que protocolos de segurança internos foram criados e o monitoramento nos estabelecimentos foi intensificado. Uma medida crucial tem sido a alteração na gestão dessas linhas de medicamentos de alta demanda, como as canetas emagrecedoras, com uma significativa redução do volume de estoque nas farmácias. Essa estratégia visa diminuir o atrativo para os criminosos, que buscam o fácil acesso a produtos caros. Espinhel também adverte para um subproduto perigoso dessa alta procura: o surgimento e a expansão de um mercado paralelo e ilegal de medicamentos. Ele enfatiza os graves riscos para a saúde pública quando esses produtos são retirados de ambientes com controle sanitário rigoroso, fiscalizados pela Vigilância Sanitária, e comercializados sem procedência garantida. A população, ao adquirir esses medicamentos de fontes não oficiais, expõe-se a incertezas sobre a origem, manuseio e armazenamento, potencializando riscos à saúde.
O impacto dos crimes: um caso recente em Campinas
A gravidade da situação foi exemplificada por um incidente recente em Campinas. Na madrugada de uma quarta-feira, por volta das 4h, uma farmácia localizada na Avenida das Amoreiras foi alvo de uma invasão e roubo ousados. Os criminosos, com o objetivo claro de subtrair canetas emagrecedoras e cosméticos de alto valor, agiram de forma calculada. As câmeras de segurança do estabelecimento registraram a chegada de um veículo por volta das 3h54 com cinco indivíduos a bordo. Em um movimento audacioso, o motorista engatou a marcha à ré e colidiu intencionalmente contra o portão de ferro da farmácia, causando danos significativos e abrindo caminho para a entrada. Quatro dos ocupantes desembarcaram e invadiram o local, enquanto o motorista permaneceu no carro, aguardando para a fuga. O foco dos assaltantes era evidente: eles se dirigiram diretamente à área refrigerada, onde estavam armazenadas as valiosas canetas emagrecedoras, cada uma avaliada em cerca de R$ 2,5 mil. Além desses medicamentos, outros dermocosméticos de alto custo também foram levados na ação. Felizmente, ninguém se feriu e não houve reféns durante a ocorrência, mas o trauma e o prejuízo material foram consideráveis.
Reincidência e o desafio da segurança contínua
Este incidente na Avenida das Amoreiras não foi um caso isolado para a unidade. De acordo com a gerente do local, este foi o segundo furto ocorrido em menos de dois meses no mesmo estabelecimento. Na ocasião anterior, o modus operandi e os alvos foram semelhantes, com os criminosos subtraindo novamente dermocosméticos e canetas emagrecedoras. A reincidência em um período tão curto sublinha a vulnerabilidade das farmácias e a atratividade desses produtos para o mercado ilegal. A constatação de que os assaltantes focam especificamente nos itens de maior valor e fácil revenda, como as canetas emagrecedoras, reforça a necessidade de medidas de segurança ainda mais robustas e coordenadas. A cadeia de valor desses produtos, do fabricante ao consumidor final, é impactada, e a recorrência desses crimes representa um desafio contínuo para a segurança pública e privada, exigindo vigilância constante e adaptação às táticas criminosas que evoluem rapidamente.
Perspectivas e o alerta à população
O cenário de aumento de roubos e furtos a farmácias em Campinas e no estado de São Paulo, diretamente ligado à cobiça por canetas emagrecedoras, exige uma abordagem multifacetada. Enquanto o setor farmacêutico intensifica suas defesas com protocolos de segurança e gestão estratégica de estoques, a dimensão do problema ultrapassa a questão patrimonial. A criação de um mercado paralelo e a comercialização de produtos sem a devida fiscalização sanitária representam uma séria ameaça à saúde pública. É fundamental que a população esteja ciente dos perigos inerentes à aquisição de medicamentos de origem duvidosa, que podem ter sido adulterados, mal armazenados ou até mesmo falsificados, comprometendo sua eficácia e segurança. A cooperação entre as forças de segurança, o varejo farmacêutico e a conscientização da sociedade são elementos chave para conter essa onda de criminalidade e proteger tanto os estabelecimentos quanto os consumidores.
Perguntas frequentes
Por que as farmácias se tornaram alvo preferencial de roubos e furtos em Campinas?
O principal motivo é a alta demanda e o elevado valor de mercado de determinados medicamentos, especialmente as canetas emagrecedoras e dermocosméticos de luxo. Esses produtos são facilmente comercializáveis no mercado paralelo, tornando-os alvos atraentes para criminosos.
Quais medidas estão sendo adotadas para aumentar a segurança das farmácias?
O Sincofarma e os estabelecimentos têm implementado protocolos de segurança internos, intensificado o monitoramento por câmeras e vigilância, e, crucialmente, reduzido o volume de estoque de produtos visados, como as canetas emagrecedoras, para diminuir o atrativo dos roubos.
Quais são os riscos de adquirir canetas emagrecedoras fora das farmácias e canais oficiais?
Adquirir esses medicamentos no mercado paralelo ou ilegal expõe o consumidor a sérios riscos à saúde. Não há garantia da procedência, armazenamento adequado ou autenticidade do produto, podendo resultar em ineficácia, reações adversas graves ou até intoxicações, dada a ausência de controle sanitário.
Houve aumento similar de crimes em outras regiões do estado de São Paulo?
Sim, os dados da SSP-SP indicam que houve um aumento de 3,4% nos registros de roubos e furtos a farmácias em todo o estado de São Paulo entre 2024 e 2025, o que sugere uma tendência mais ampla do que apenas em Campinas.
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Fonte: https://g1.globo.com


