A Prefeitura de São Paulo anunciou a caducidade dos contratos da empresa de ônibus Transwolff nesta sexta-feira (5). A decisão, que será formalizada através de publicação no Diário Oficial, transfere a gestão integral das linhas operadas pela companhia para a SPTrans, autarquia municipal responsável pelo sistema de transporte público na capital paulista.
A medida surge em meio a investigações que apuram possíveis ligações da Transwolff com a facção criminosa PCC. A empresa já se encontrava sob intervenção judicial desde abril de 2024.
De acordo com a administração municipal, a decisão não deverá acarretar mudanças no cotidiano dos passageiros. A Transwolff opera atualmente 133 linhas, atendendo diariamente mais de 500 mil pessoas, sobretudo nas regiões Sul e Leste da cidade. O contrato original, com duração de 15 anos, tinha previsão de término em 2034.
A caducidade de contrato ocorre quando o poder público encerra um acordo antes do prazo estipulado, em virtude de descumprimento de regras ou irregularidades graves cometidas pela empresa contratada. Neste caso, a prefeitura retoma a operação do serviço, considerando que a concessionária não possui mais condições de cumprir o que foi acordado.
A prefeitura assegurou que todos os empregos serão preservados, assim como os salários e benefícios dos funcionários da Transwolff. A SPTrans também assumirá a responsabilidade pelos pagamentos aos fornecedores, garantindo a continuidade dos serviços prestados à população.
Em nota oficial, a Transwolff informou que ainda não foi formalmente notificada sobre a decisão administrativa de caducidade, nem sobre seus fundamentos. A empresa declarou que, após o recebimento oficial do ato, adotará as medidas legais cabíveis para restaurar os direitos que alega terem sido violados durante o processo administrativo.
A Transwolff, juntamente com outra empresa de ônibus, a UPBus, foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em abril de 2024. A operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC.
As investigações indicam que o capital utilizado para expandir a Transwolff pode ter origem ilícita, proveniente de atividades do PCC. O esquema envolveria a utilização de “laranjas” e “CNPJs fantasmas” para ocultar a verdadeira origem dos recursos, configurando um esquema de lavagem de dinheiro.
Em dezembro de 2024, a Prefeitura de São Paulo instaurou um processo para rescindir os contratos da Transwolff e da UPBus em decorrência dessas suspeitas.
A defesa da Transwolff nega veementemente qualquer ligação com o crime organizado, afirmando que não há comprovação de qualquer relação com organizações criminosas ou atividades ilícitas. A empresa alega que irá contestar a decisão na Justiça.
Fonte: g1.globo.com


