Peruíbe: três dias sob água, centenas de desalojados e animais resgatados

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G1

A cidade de Peruíbe, no litoral de São Paulo, enfrenta uma situação de calamidade após registrar três dias consecutivos de fortes chuvas, que causaram alagamentos em diversas áreas e impactaram a vida de centenas de seus habitantes. O volume pluviométrico superou em 46% a média esperada para o mês, transformando bairros inteiros em extensas áreas alagadas e resultando no desalojamento e isolamento de um número expressivo de moradores. Com a previsão de mais chuvas nos próximos dias, a população e as autoridades locais permanecem em alerta máximo, intensificando os esforços para minimizar os impactos e prestar assistência às famílias e aos animais que foram diretamente afetados por este cenário crítico.

A extensão da calamidade em Peruíbe

Peruíbe, um município com aproximadamente 68 mil habitantes e uma área de 326,2 km², foi drasticamente afetada por um temporal que se estendeu de sábado (21) a segunda-feira (23). Durante este período crítico, foram registrados 282 milímetros de chuva, um volume significativamente superior aos 192,7 milímetros previstos para o mês. As consequências foram imediatas e severas, com extensas áreas da cidade submersas, criando um panorama que, visto de cima, se assemelhava a um manguezal, dada a vasta quantidade de água em meio à vegetação e às construções. Mesmo com uma trégua nas chuvas na terça-feira (24), o escoamento da água não foi suficiente para normalizar a situação, mantendo grande parte da infraestrutura comprometida.

Bairros mais atingidos e o panorama dos resgates

Os impactos das chuvas foram particularmente devastadores em quatro dos 91 bairros e loteamentos de Peruíbe: Caraguava e entorno, Jardim Ribamar, Jardim Das Flores e Vila Romar. Nestas localidades, as cenas de resgate se tornaram frequentes, com equipes utilizando botes e barcos para retirar moradores de suas casas, enquanto muitos habitantes recorriam a caiaques para conseguir se locomover pelas ruas transformadas em rios.

Até o momento, 472 pessoas foram diretamente afetadas pelos alagamentos, precisando deixar suas residências e buscar abrigo em locais seguros. Além disso, a fauna local também sofreu as consequências, com mais de 70 animais – incluindo cães, gatos, cavalos, coelhos e aves – sendo resgatados das áreas inundadas, em uma demonstração da amplitude da crise. A situação reflete a vulnerabilidade da cidade diante de eventos climáticos extremos, evidenciando a necessidade de respostas rápidas e eficazes para proteger a vida e o bem-estar da população e dos animais.

Medidas emergenciais e o suporte à população

Diante da gravidade da situação, a administração municipal de Peruíbe agiu prontamente para mitigar os efeitos das chuvas. Na segunda-feira (23), foi assinado o decreto nº 6.773/2026, que oficializa a situação de emergência na cidade pelo período de 180 dias. Esta medida crucial visa autorizar a mobilização de todos os órgãos municipais, convocar voluntários e permitir a implementação de ações de resposta rápida, que incluem desde a assistência humanitária imediata à população até os planos de reconstrução das áreas mais atingidas. O objetivo é garantir que todos os recursos e esforços sejam direcionados para a recuperação da normalidade e para o suporte contínuo aos afetados.

Decreto de emergência, aulas e abrigos

A decretação da situação de emergência é um passo fundamental para agilizar a ajuda e o acesso a recursos. Como parte das ações iniciais, as aulas nas escolas municipais foram suspensas na segunda e terça-feira para garantir a segurança dos estudantes e funcionários. Contudo, as atividades foram retomadas na quarta-feira (25), com exceção das unidades que estão funcionando como abrigos temporários para as vítimas e da escola Carmem Cleuser Fraga Pimentel, que permanece isolada devido aos alagamentos.

A prefeitura de Peruíbe estabeleceu diversos abrigos para acolher as 472 pessoas desalojadas. Entre os principais locais de acolhimento estão a Escola Maria Amélia, que abriga 124 pessoas; a Escola Fernando Nepomuceno, com 120 acolhidos; a Escola Professor José Veneza Monteiro, que acolhe 97 indivíduos; a Colônia Agrícola, com 31 abrigados; e um ponto de apoio específico para 100 desalojados do Jardim das Flores. O monitoramento da situação é contínuo, e as autoridades orientam que pessoas em situação de vulnerabilidade entrem em contato pelos números 153 ou 199 para solicitar assistência.

Em paralelo, o Fundo Social de Solidariedade de Peruíbe está ativamente envolvido na arrecadação de doações para as vítimas. A entidade, localizada na Avenida São João, 664, no Centro, solicita a colaboração da comunidade com itens essenciais como lenços umedecidos, fraldas e alimentos ricos em proteína, a exemplo de carne e frango, que são cruciais para o sustento dos abrigados e para o apoio às famílias em vulnerabilidade.

A persistência e a solidariedade diante da crise

A situação em Peruíbe é um retrato da resiliência de uma comunidade que, apesar dos desafios impostos por chuvas torrenciais e alagamentos extensos, busca a superação com a ajuda mútua e a atuação coordenada das autoridades. A cidade segue em estado de alerta e com um trabalho intenso das equipes de resgate e assistência, que enfrentam a persistência das águas para garantir a segurança e o bem-estar de todos. A solidariedade, demonstrada tanto pelos voluntários quanto pelas doações que chegam, é um pilar fundamental neste momento de crise, reforçando a esperança de que Peruíbe se reestabelecerá, mais forte e unida. Os esforços se concentram não apenas na resposta imediata, mas também no planejamento para a recuperação e na prevenção de futuros desastres, visando um futuro mais seguro para todos os seus habitantes.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quantas pessoas e animais foram afetados em Peruíbe?
Até o momento, 472 pessoas foram diretamente afetadas pelas inundações, necessitando de abrigo. Mais de 70 animais, incluindo cães, gatos, cavalos, coelhos e aves, também foram resgatados das áreas alagadas.

Quais bairros foram mais atingidos pelas chuvas em Peruíbe?
Os bairros mais castigados pelas fortes chuvas foram Caraguava e seu entorno, Jardim Ribamar, Jardim Das Flores e Vila Romar, onde a maioria dos resgates e deslocamentos ocorreu.

Como a prefeitura de Peruíbe está respondendo à situação?
A prefeitura decretou situação de emergência por 180 dias, autorizando a mobilização de órgãos municipais e voluntários. Estão sendo realizadas ações de resgate, provisão de abrigos, suspensão de aulas em áreas críticas e monitoramento contínuo da situação.

Onde posso doar para ajudar as vítimas das chuvas em Peruíbe?
O Fundo Social de Solidariedade de Peruíbe está recebendo doações na Avenida São João, 664, no Centro. São prioritários itens como lenços umedecidos, fraldas e alimentos ricos em proteína (carne e frango).

As aulas foram retomadas na cidade?
Sim, as aulas foram retomadas nesta quarta-feira (25), exceto nas escolas que funcionam como abrigos temporários e na unidade de ensino Carmem Cleuser Fraga Pimentel, que ainda está isolada.

Para mais informações sobre como você pode ajudar ou se estiver em situação de risco, entre em contato imediatamente com os números de emergência da cidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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