A Operação Contenção, que já registra um elevado número de óbitos, está sob escrutínio e é comparada ao Massacre do Carandiru. A avaliação foi feita pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Dani Monteiro.
Durante o atendimento da comissão para acompanhar os desdobramentos da ação policial nos complexos do Alemão e da Penha, em parceria com diversas instituições, a deputada declarou que, se os dados atuais forem confirmados, a operação configura uma violação ainda maior que a do Carandiru, tornando-se a maior violação cometida pelo Estado na história da redemocratização brasileira.
A parlamentar explicou que, de acordo com critérios técnicos, ações que resultam em mais de seis mortos podem ser consideradas chacinas. O Massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992, resultou na morte de 111 detentos durante uma intervenção da Polícia Militar do estado de São Paulo para conter uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo.
Dani Monteiro destacou que a Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou esclarecimentos ao Estado brasileiro sobre a megaoperação no Rio de Janeiro. Ela lembrou que o governo brasileiro possui um histórico de julgamentos e condenações por violações de direitos humanos em operações semelhantes.
A presidente da CDDHC da Alerj defendeu que operações policiais dessa magnitude deveriam ser precedidas de uma investigação prévia para confirmar o envolvimento das pessoas mortas com o crime organizado. Ela acrescentou que o uso de câmeras corporais pelos policiais poderia confirmar uma reação violenta por parte dos suspeitos, justificando o uso escalonado da força policial. No entanto, segundo a deputada, nem as câmeras corporais nem a investigação prévia foram utilizadas.
Dani Monteiro está no Complexo da Penha acompanhando o deslocamento dos familiares e dos corpos. Ela ressaltou a importância da realização de autópsias e investigações para confirmar o envolvimento das vítimas com o crime organizado, criticando as especulações sobre o caso.
A parlamentar questionou a afirmação do governador de que todos os mortos eram envolvidos com o tráfico, argumentando que ele não possui essa confirmação e que tal declaração é leviana e constitui uma violação dos direitos humanos.
Equipes da Comissão de Direitos Humanos estão oferecendo suporte aos familiares das vítimas. Dani Monteiro informou que não há representantes do governo do estado nas comunidades, e que os moradores locais estão responsáveis por remover os corpos da mata e dos becos para o Instituto Médico Legal (IML). A presidente da Comissão enfatizou a importância da realização de perícias no local e exames de balística.
A Comissão oficiou o Ministério Público do Estado, a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), solicitando informações urgentes sobre o planejamento, a execução e as responsabilidades pela ação, com especial atenção ao uso da força.
A CDDHC expressou solidariedade aos familiares dos policiais mortos, reafirmando que todas as vidas importam e que a violência não pode ser utilizada como política pública de governo.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


