O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), está ativamente acompanhando as investigações sobre a trágica morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira. O incidente ocorreu recentemente na Pavuna, zona norte do Rio de Janeiro, e mobilizou o GAESP em conformidade com os protocolos estabelecidos pela ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.
Acompanhamento Detalhado das Investigações
O GAESP/MPRJ não se limita a monitorar o caso, mas também atua para assegurar um processo investigativo minucioso. As apurações estão sendo conduzidas pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Delegacia de Homicídios da Capital. O objetivo é esclarecer todas as circunstâncias que levaram à ação policial, identificar quaisquer desvios dos protocolos operacionais vigentes e determinar a responsabilidade de todos os envolvidos, incluindo aqueles que não estiveram diretamente na cena do ocorrido.
O Incidente na Pavuna
Daniel Patrício Santos de Oliveira, de 29 anos, foi vítima fatal após o veículo em que se encontrava com dois amigos ser alvejado por aproximadamente 23 disparos durante uma abordagem policial. Testemunhas relatam que, mesmo após Daniel tentar sinalizar que eram moradores locais acionando os faróis do carro, os disparos persistiram. O empresário foi descrito por sua mãe como uma pessoa “carinhosa, sorridente e feliz”, evidenciando a brutalidade da perda.
Prisão e Medidas Judiciais
Em resposta imediata ao ocorrido, o sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo PM Rodrigo da Silva Alves foram presos em flagrante pela Corregedoria da Polícia Militar. Ambos foram autuados por homicídio doloso, crime que prevê a intenção de matar, e a Justiça Militar manteve a prisão após a audiência de custódia. O caso levanta sérias questões sobre a conduta e o uso da força por parte das autoridades policiais.
Atuação da Comissão de Direitos Humanos
Em paralelo, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro demonstrou seu engajamento ao receber a viúva de Daniel Patrício Santos de Oliveira, Karina Paes. A comissão planeja emitir ofícios à Corregedoria da Polícia Militar e à Secretaria de Segurança Pública para solicitar esclarecimentos detalhados sobre os protocolos de ação policial e o uso de câmeras corporais pelos agentes envolvidos na operação.
Preocupações com Uso Desproporcional da Força
A deputada Dani Monteiro, presidente da CDDHC, expressou profunda preocupação com o caso, ressaltando que ele reflete uma “lógica recorrente de violações”. Ela destacou a existência de indícios de uso desproporcional da força e de quebra de protocolos, comparando o incidente a outros casos recentes, como a morte da médica Andrea Marins. A deputada enfatizou que tais eventos não podem ser vistos como episódios isolados, mas sim como parte de um padrão preocupante na segurança pública do estado.


