Motoboy preso por tráfico se revolta com quase cinco meses de prisão

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G1

O motoboy Ígor Rodrigues da Silva, detido por quase cinco meses sob a acusação de tráfico de drogas em Praia Grande, no litoral de São Paulo, teve sua prisão revogada e foi colocado em liberdade. A decisão judicial, que substitui a detenção por um dever de manter o endereço atualizado, foi recebida com um misto de alívio e indignação pelo jovem, que expressou profundo descontentamento com o período em que esteve encarcerado. Ele afirma não ter compreendido a situação durante a abordagem policial e mantém sua inocência, alegando não estar envolvido em atividades ilícitas no momento da prisão. O caso, que teve início em julho do ano passado, segue em processo, com a defesa confiante na absolvição.

A revogação da prisão e o desabafo do motoboy

Após 135 dias detido, Ígor Rodrigues da Silva, acusado de tráfico de drogas, finalmente obteve a liberdade por determinação judicial. A decisão, proferida pela 1ª Vara Criminal do Foro de Praia Grande, encerra um capítulo de incerteza para o motoboy, que foi preso na noite de 30 de julho do ano anterior. A liberdade concedida no dia 12 de janeiro deste ano, no entanto, veio acompanhada de um sentimento de profunda revolta e questionamento por parte de Ígor sobre a injustiça do período que passou atrás das grades.

Em suas primeiras declarações após a soltura, o motoboy descreveu os quase cinco meses de prisão como “revoltantes”, destacando a confusão e a ausência de entendimento sobre os motivos de sua detenção desde o momento da abordagem policial. “Fui abordado e algemado. Difícil, né?”, comentou, ilustrando o choque e a dificuldade de processar os eventos que o levaram à prisão. Para Ígor, o principal desejo agora é permanecer próximo de seus familiares, buscando refúgio e apoio após a experiência traumática. Ele ainda responde ao processo judicial, mas aguarda o desfecho em liberdade.

Quase cinco meses de angústia

O período de quatro meses e meio em que Ígor esteve privado de sua liberdade foi marcado por angústia e perplexidade. O motoboy reiterou que a sensação de não saber o que realmente estava acontecendo com ele durante todo esse tempo foi o mais difícil de suportar. A prisão preventiva, aplicada sob a acusação de tráfico, o manteve afastado de sua rotina e de seus entes queridos por um tempo considerado expressivo pela própria Justiça, que acabou por reavaliar a necessidade de sua manutenção na cadeia. A incerteza do futuro e a luta para provar sua inocência foram companheiras diárias durante o período.

A defesa e os detalhes da abordagem policial

A defesa de Ígor Rodrigues da Silva, representada pelo advogado Renan Lourenço, tem sustentado a inocência do motoboy desde o primeiro momento. Segundo a versão apresentada pelos defensores, Ígor não estava envolvido em venda de drogas no instante da abordagem policial, mas sim consumindo uma refeição simples – miojo – dentro de seu carro. Esta alegação contrasta diretamente com o registro policial e é o cerne da argumentação para a absolvição do acusado.

O advogado Renan Lourenço expressou profunda satisfação com a decisão de soltura, reiterando a convicção de que não havia provas concretas de autoria ou situação de flagrante que justificassem a prisão. A defesa argumenta que a audiência de instrução, que incluiu a análise de vídeos do local da ocorrência, não apontou Ígor como um dos traficantes, mas sim outras pessoas. Essa linha de argumentação fortalece a tese de que o motoboy foi erroneamente implicado, e a equipe jurídica segue confiante de que a verdade prevalecerá ao final do processo, culminando na completa absolvição de seu cliente.

A versão dos fatos e as alegações da polícia

De acordo com o boletim de ocorrência registrado como tráfico de drogas, a prisão de Ígor ocorreu após policiais militares receberem uma denúncia. Na noite de 30 de julho do ano anterior, os agentes foram alertados sobre dois homens que estariam comercializando entorpecentes na Rua Benedito Calixto, localizada no bairro Sítio do Campo. Ao chegarem ao local indicado, os policiais teriam encontrado apenas um dos suspeitos, que seria Ígor.

Durante a revista pessoal, os agentes relataram ter encontrado um estojo que exalava um forte odor de maconha. Além disso, R$ 965,00 em dinheiro foram localizados em posse do motoboy. Ígor, por sua vez, negou que o dinheiro tivesse relação com o tráfico, afirmando que se tratava do valor da venda de uma bicicleta. O registro policial detalha que, em uma sacola preta encontrada dentro do veículo de Ígor, foram apreendidas 26 porções de maconha e 121 porções de cocaína. O motoboy, contudo, negou veementemente que os entorpecentes fossem de sua propriedade ou que estivesse envolvido em qualquer atividade de tráfico no local.

O que motivou a decisão judicial

A decisão do juiz Fernando Cesar do Nascimento, da 1ª Vara Criminal do Foro de Praia Grande, de revogar a prisão de Ígor Rodrigues da Silva baseou-se em diversos fatores processuais e temporais. O magistrado considerou que o motoboy já havia permanecido detido por um período “considerável”, aproximadamente cinco meses, o que foi um ponto crucial para a reavaliação da necessidade da prisão preventiva.

Um dos principais argumentos que pesaram na balança judicial foi o encerramento da fase de produção de provas orais. As oitivas de testemunhas e o interrogatório já haviam sido concluídos, significando que a instrução processual estava avançada. Além disso, o juiz levou em conta a proximidade do recesso forense, que se iniciaria logo após a decisão. A avaliação foi que a manutenção da prisão durante o recesso poderia atrasar ainda mais o julgamento e a prolação da sentença para o ano seguinte, o que seria desfavorável à celeridade processual e ao próprio réu. Assim, a decisão buscou equilibrar a duração da prisão com o andamento do processo, embora o motoboy continue respondendo às acusações em liberdade.

Encerramento das oitivas e proximidade do recesso

A fase de produção de provas orais, que inclui oitiva de testemunhas de acusação, de defesa e o interrogatório do réu, é uma etapa fundamental em processos criminais. Com o seu encerramento no caso de Ígor, o juiz entendeu que grande parte da coleta de informações necessárias para a formação de seu convencimento já havia sido realizada. Restava apenas a apresentação de um laudo pericial para que as partes pudessem apresentar suas alegações finais.

A proximidade do recesso forense, que suspende prazos e grande parte das atividades judiciais por um período, foi um fator determinante. O magistrado avaliou que a espera pelo fim do recesso para dar continuidade ao processo, mantendo Ígor preso, estenderia a detenção sem a perspectiva de uma rápida conclusão. Dessa forma, a substituição da prisão por uma medida cautelar menos gravosa – a obrigação de manter o endereço atualizado – foi considerada a decisão mais adequada naquele momento processual, garantindo o seguimento do processo sem prolongar a privação de liberdade desnecessariamente.

Conclusão

A libertação de Ígor Rodrigues da Silva após quase cinco meses de prisão preventiva por tráfico de drogas marca um ponto de virada em seu processo judicial, ainda em andamento. Sua saída da cadeia, embora celebrada pela defesa e recebida com alívio pela família, veio acompanhada de um desabafo sobre a “revolta” e a confusão sentidas durante o período de detenção. Enquanto a defesa reitera a inocência do motoboy e a falta de provas contundentes, a acusação se baseia em um boletim de ocorrência que relata a denúncia e a apreensão de entorpecentes em seu veículo. A decisão judicial que revogou a prisão considerou o tempo já cumprido e o estágio avançado do processo, buscando evitar atrasos desnecessários. O caso agora segue para as etapas finais, com a expectativa de que o desfecho traga clareza e justiça para todas as partes envolvidas.

FAQ

1. Por que o motoboy Ígor Rodrigues da Silva foi preso?
Ígor foi preso na noite de 30 de julho, em Praia Grande, após a Polícia Militar receber uma denúncia de tráfico de drogas. Segundo o boletim de ocorrência, foram encontradas porções de maconha e cocaína em seu carro, além de dinheiro em espécie.

2. Qual a alegação da defesa de Ígor sobre as acusações?
A defesa de Ígor alega que ele é inocente e que não estava vendendo drogas no momento da abordagem, mas sim comendo miojo dentro de seu carro. O advogado sustenta que não havia provas concretas de autoria e que vídeos da região não apontam para Ígor, mas para outras pessoas traficando.

3. Quais foram os motivos da Justiça para revogar a prisão de Ígor?
O juiz considerou que Ígor ficou preso por um tempo considerável (quase cinco meses) e que a fase de produção de provas orais já havia sido encerrada. Além disso, a proximidade do recesso forense poderia atrasar a sentença, tornando a manutenção da prisão desnecessária neste momento do processo.

4. Ígor Rodrigues da Silva está totalmente livre das acusações?
Não. Embora sua prisão tenha sido revogada e ele esteja em liberdade, Ígor Rodrigues da Silva ainda responde ao processo judicial por tráfico de drogas. A decisão apenas substituiu a detenção por uma medida cautelar, e o julgamento final ainda será proferido.

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Fonte: https://g1.globo.com

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