Morte de Khamenei repercute entre aliados e adversários do Irã

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A confirmação da morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, desencadeou neste domingo (1º) uma onda de reações e preocupações globais, impactando a já volátil geopolítica do Oriente Médio. O falecimento de Khamenei, juntamente com outras autoridades iranianas, ocorreu em meio a bombardeios iniciados no sábado (28) por Estados Unidos e Israel, escalando as tensões na região a níveis críticos. A notícia da morte do líder supremo do Irã foi recebida com indignação por aliados de Teerã, que classificaram os ataques como violações graves do direito internacional, enquanto adversários expressaram a intenção de intensificar ações para remodelar o cenário político iraniano. Organizações internacionais e potências globais manifestaram profunda preocupação com a espiral de violência, apelando por moderação e contenção para evitar um conflito de proporções ainda maiores. A ausência de Khamenei abre um vácuo de poder significativo, cujas implicações serão sentidas em todo o mundo.

Repercussão global da morte do líder iraniano

A notícia da morte de Ali Khamenei, figura central na política iraniana e islâmica, reverberou instantaneamente pelas capitais mundiais, provocando condenação de aliados do Irã e sinalizando um possível ponto de inflexão na dinâmica de poder do Oriente Médio. As reações iniciais sublinham a polarização existente na comunidade internacional em relação à República Islâmica.

Rússia condena ataques e lamenta perda de aliado estratégico

O presidente russo, Vladimir Putin, condenou veementemente os assassinatos de Khamenei, de 86 anos, e de membros de sua família, classificando-os como “uma violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional”. Em mensagem, o líder russo destacou a contribuição de Khamenei para as relações bilaterais, afirmando que ele “será lembrado como um estadista proeminente, que deu uma enorme contribuição pessoal ao desenvolvimento das relações amistosas entre a Rússia e o Irã, elevando-as ao nível de uma parceria estratégica abrangente”. O Kremlin expressou profundas condolências aos familiares do líder supremo, ao governo do Irã e a todo o povo persa, ressaltando a importância do Irã como parceiro estratégico para a Rússia, especialmente em questões de segurança regional e energética.

China exige fim de escalada e defesa da soberania

O governo da China, em uma declaração formal, classificou o ataque e o assassinato do líder supremo do Irã como uma grave violação da soberania e segurança do país. Pequim enfatizou que tais ações atropelam os propósitos e princípios da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e as normas básicas das relações internacionais. A China posicionou-se firmemente contra os atos de agressão, declarando: “A China se opõe firmemente e condena veementemente esse ato. Exigimos a interrupção imediata das operações militares, o fim da escalada da tensão e um esforço conjunto para manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio e no mundo em geral.” A postura chinesa reflete sua preocupação com a desestabilização regional e a possível violação da ordem internacional.

Israel e Estados Unidos: Ameaças e busca por nova ordem

Em contraste com as condenações de Rússia e China, Israel e Estados Unidos, apontados como responsáveis pelos bombardeios, emitiram declarações que indicam uma intensificação das operações e uma aspiração de reformular o cenário político iraniano.

Netanyahu fala em desmantelar infraestrutura e libertar povo iraniano

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descreveu a magnitude das operações em curso contra o Irã, sinalizando que o poder de fogo de Israel será direcionado para desmantelar a infraestrutura do governo iraniano. “Nos próximos dias, atacaremos milhares de alvos do regime terrorista”, afirmou o premiê, justificando que a ação militar visa não apenas a defesa estratégica, mas a criação de um cenário político novo na região. Em uma fala direta ao povo iraniano, Netanyahu instou-os a aproveitar o vácuo de poder gerado pelos ataques para derrubar o sistema clerical que governa o país desde 1979: “Criaremos as condições para que o bravo povo do Irã se liberte das correntes da tirania. Chegou a hora de vocês irem às ruas, irem às ruas aos milhões para terminar o trabalho, para derrubar o regime de terror que tornou suas vidas miseráveis. Seu sofrimento e sacrifício não serão em vão. A ajuda que vocês estavam esperando chegou. Agora é hora de nos unirmos para uma missão histórica.”

Trump adverte Irã contra retaliações

Diante das ameaças de retaliação do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou a posição americana, declarando que o país ampliaria os ataques caso Teerã respondesse militarmente. “É melhor que não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, disse Trump, sublinhando a determinação de Washington em conter qualquer escalada iraniana e reiterando a capacidade militar dos EUA. A retórica americana intensifica a pressão sobre o novo governo provisório iraniano, que se vê em uma encruzilhada de decisões.

Grupos do Oriente Médio prometem vingança

A morte de Khamenei galvanizou grupos islâmicos xiitas e palestinos no Oriente Médio, muitos dos quais eram apoiados pelo Irã. A retórica desses grupos rapidamente se transformou em promessas de vingança e resistência.

Hezbollah, Hamas e Huthis condenam “crime hediondo”

O grupo islâmico xiita Hezbollah, o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), a Jihad Islâmica e o movimento Huthis, do Iêmen, condenaram a morte de Khamenei e juraram vingança. O Hamas classificou o ataque que matou o aiatolá como um “crime hediondo”, ressaltando o apoio que Khamenei dedicava ao movimento islamita palestino. O Hezbollah prometeu enfrentar a agressão israelense e norte-americana, segundo comunicado do líder do movimento libanês pró-iraniano, Naim Qassem. “Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão. Quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos o campo da resistência”, assegurou. A Jihad Islâmica classificou a morte de Ali Khamenei como um “crime de guerra” cometido pelos Estados Unidos e por Israel, em um “ataque traiçoeiro e mal-intencionado”. Os Huthis chamaram a figura política e religiosa assassinada de mártir, afirmando que o legado de Ali Khamenei inspirará “uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel”. Para eles, o ataque foi um “crime atroz” e uma “flagrante violação de todas as leis e normas internacionais”, com o Conselho Político Supremo dos Huthis declarando que Khamenei “travou uma longa luta de jihad contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas”.

Resposta interna do Irã: Conselho de liderança temporário

Internamente, o Irã agiu rapidamente para assegurar a continuidade do regime e prometeu retaliação, buscando estabilizar o vácuo de poder gerado pela morte de seu líder supremo.

Teerã estabelece comando provisório e promete retaliação

O Irã anunciou, neste domingo, a formação de um Conselho de Liderança Temporária, que assume de forma imediata as atribuições do líder supremo, incluindo o comando das Forças Armadas, além de decisões de segurança e de política externa. O anúncio tem o objetivo de garantir a continuidade e estabilidade do regime durante a crise. O conselho é composto por três autoridades-chave: o atual presidente do Irã, Masoud Pezeshkian; o chefe do judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei; e o jurista do Conselho dos Guardiães, aiatolá Alireza Arafi. Suas funções são provisórias até que a Assembleia de Especialistas, composta por 88 clérigos, eleja o sucessor permanente. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que a morte do líder supremo Ali Khamenei é uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e falou em “vingança legítima” contra os Estados Unidos e Israel, sinalizando uma postura de não recuo diante da agressão.

Posicionamentos internacionais e regionais

Além das potências e grupos diretamente envolvidos, outras nações e organismos internacionais emitiram suas posições, evidenciando a amplitude da preocupação global com a escalada do conflito.

Brasil expressa preocupação, mas não se manifesta sobre a morte

O governo do Brasil ainda não se manifestou especificamente sobre a morte do aiatolá Ali Khamenei. Contudo, em uma nota anterior, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) declarou profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance. O Brasil também expressou solidariedade à Arábia Saudita, ao Bahrein, ao Catar, aos Emirados Árabes Unidos, ao Iraque, ao Kuwait e à Jordânia – alvos de ataques retaliatórios do Irã no sábado (28), demonstrando sua posição de neutralidade e apelo à estabilidade regional.

Vaticano e ONU clamam por fim da violência

O Papa Francisco apelou, neste domingo, pelo fim da “espiral de violência” no Oriente Médio, após os ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que respondeu com ataques aéreos. “Acompanho com profunda preocupação tudo o que está a acontecer no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte”, disse o pontífice, em um apelo pela paz e pelo diálogo. O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou o uso da força, afirmando que a escalada militar representa uma “grave ameaça à paz e à segurança internacionais”. Ele convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança e apelou pelo fim imediato das hostilidades, reforçando o papel da ONU na mediação de conflitos.

Organismos internacionais alertam para riscos humanitários e nucleares

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a situação como “profundamente preocupante”. Já a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pediu “máxima contenção” e reforçou o compromisso com a estabilidade regional. Pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor-geral, Tedros Adhanom, expressou preocupação com os graves riscos à saúde das pessoas, decorrentes do conflito que se alastra pelo Oriente Médio, declarando que “a paz, como sempre, é o melhor remédio”. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que monitora de perto as instalações nucleares da região e cobrou moderação para evitar quaisquer riscos à segurança nuclear. A AIEA mantém contato permanente com os países e, até o momento, não há evidências de qualquer impacto radiológico, mas a agência continua monitorando a situação com rigor.

O futuro incerto do Irã e as repercussões globais

A morte do aiatolá Ali Khamenei marca um momento de profunda incerteza para o Irã e para a já volátil região do Oriente Médio. O vácuo de poder na liderança suprema, ainda que temporariamente preenchido por um conselho, abre caminho para intensas disputas internas pela sucessão e redefine as dinâmicas geopolíticas. Enquanto aliados como Rússia e China condenam a agressão, Israel e Estados Unidos demonstram determinação em remodelar a paisagem política iraniana. A retórica de vingança por parte de Teerã e seus grupos aliados contrasta com os apelos por contenção da comunidade internacional, liderados pela ONU, pelo Vaticano e pela União Europeia. A situação atual eleva os riscos de um conflito em larga escala, com implicações humanitárias, econômicas e, potencialmente, nucleares, exigindo vigilância e diplomacia para evitar uma escalada ainda mais catastrófica. O mundo observa com apreensão os próximos passos do Irã e as reações dos atores regionais e globais, ciente de que o legado de Khamenei e os eventos que levaram à sua morte terão um impacto duradouro na ordem mundial.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quem era o aiatolá Ali Khamenei?
Ali Khamenei foi o segundo líder supremo do Irã, cargo que ocupava desde 1989, sucedendo ao aiatolá Ruhollah Khomeini. Como líder supremo, ele detinha a autoridade máxima em assuntos religiosos, políticos e militares, sendo a figura mais poderosa da República Islâmica do Irã.

Qual é o impacto imediato da sua morte para o Irã?
A morte de Ali Khamenei cria um vácuo de poder significativo no Irã. Imediatamente, um Conselho de Liderança Temporária foi formado para gerir o país. Este conselho é responsável pelas atribuições do líder supremo até que a Assembleia de Especialistas, composta por 88 clérigos, eleja um sucessor permanente. A situação pode gerar instabilidade interna e intensificar a disputa pelo poder entre as facções políticas iranianas.

Como a comunidade internacional reagiu aos ataques e à morte de Khamenei?
A reação internacional foi dividida. Aliados do Irã, como Rússia e China, condenaram os ataques e o assassinato de Khamenei, classificando-os como violações do direito internacional. Adversários, como Israel e Estados Unidos, indicaram que os ataques visam desmantelar a infraestrutura do governo iraniano e instaram o povo iraniano a buscar a liberdade. Organismos internacionais como a ONU, o Vaticano e a União Europeia expressaram profunda preocupação com a escalada de violência e apelaram por contenção e paz.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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