Investidores de Doni atraídos por confiança e mercado promissor nos EUA, diz

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G1

A reputação e a promessa de altos retornos no dinâmico mercado imobiliário da Flórida atraíram investidores para os empreendimentos do ex-goleiro da Seleção Brasileira, Doniéber Alexander Marangon, conhecido como Doni. No entanto, a falha na entrega de projetos e na devolução de capital gerou uma série de ações judiciais nos Estados Unidos, resultando em vitórias significativas para os credores. Empresas ligadas a personalidades como Michel Teló e Thaís Fersoza figuram entre as que obtiveram ganho de causa. A advogada Juliana Leite, especialista em causas cíveis e representante de muitos desses investidores, detalha os desdobramentos legais e as razões por trás da insatisfação, ressaltando a quebra de uma relação de confiança que foi o pilar inicial desses investimentos.

A gênese da controvérsia: confiança e o mercado imobiliário da Flórida

A atração dos investidores e a promessa de retornos

No centro da controvérsia que envolve os negócios imobiliários de Doni nos Estados Unidos, a advogada Juliana Leite, responsável pela representação de diversos clientes e empresas que investiram na D32, aponta que a principal atração para os investidores foi uma combinação de fatores: a relação de confiança estabelecida com os diretores das empresas e a percepção de um mercado imobiliário vibrante na Flórida. Os projetos propostos, segundo Leite, eram inicialmente “muito interessantes”, com a promessa de entregar retornos financeiros significativamente superiores ao capital investido, caso fossem concretizados.

A Flórida, em especial, tem sido um polo de atração para investimentos no setor imobiliário, impulsionada por um crescimento populacional e econômico contínuo. Esse cenário foi amplificado após a pandemia de COVID-19, quando a procura por imóveis na região disparou, resultando em uma notável valorização de terrenos e propriedades. A conjunção de um empreendedor conhecido, projetos aparentemente sólidos e um mercado aquecido criou um ambiente que parecia propício para investimentos lucrativos. A advogada acredita que, de início, a intenção de entrega dos projetos era genuína, e que os terrenos eram bem localizados. Contudo, por razões não totalmente esclarecidas publicamente, os empreendimentos não foram entregues, levando à escalada dos problemas e à judicialização das dívidas.

Desdobramentos legais: vitórias na justiça americana e rechaça a acordos

Ações judiciais e a busca por restituição

A advogada Juliana Leite, que ganhou notoriedade por sua participação no Big Brother Brasil e é uma especialista em causas cíveis nos EUA, atuou em pelo menos quatro processos contra a D32. Esta companhia, que tem Doni como um dos sócios, tornou-se alvo de queixas devido à ausência de devolução de recursos e à não entrega dos empreendimentos prometidos. Todas as ações em que Leite atuou tiveram ganho de causa na justiça americana, garantindo aos seus clientes uma restituição total de aproximadamente US$ 1,5 milhão. Entre as empresas beneficiadas por essas decisões judiciais, destacam-se aquelas ligadas ao cantor Michel Teló e à atriz Thaís Fersoza, que obtiveram sentenças favoráveis para recuperar seus investimentos.

Juliana Leite confirmou que a D32 tentou firmar acordos extrajudiciais com os credores, conforme previamente mencionado pelo próprio Doni. No entanto, esses acordos não foram aceitos por seus clientes, pois não se mostravam vantajosos. A proposta da D32 envolvia uma “novação da dívida”, que consistiria em uma reestruturação onde a dívida original seria extinta e uma nova estrutura de pagamento seria criada. A advogada veementemente recomendou a seus clientes que rejeitassem tal proposta, uma vez que eles já possuíam uma dívida devidamente executada na Justiça. Um julgamento favorável, segundo ela, confere prioridade no recebimento dos valores devidos, uma posição que não seria mantida caso um novo acordo extrajudicial, sem as mesmas garantias, fosse aceito.

O caso do investidor que aceitou o acordo extrajudicial

Apesar da orientação da advogada Juliana Leite de não aceitar propostas de novação da dívida, um de seus clientes optou por aderir a um acordo extrajudicial com a D32. Lamentavelmente, este investidor ficou sem receber os valores prometidos pela companhia. Segundo a advogada, o débito devido a este cliente ultrapassa a marca de US$ 1 milhão, demonstrando os riscos e as consequências de aceitar renegociações fora do âmbito das decisões judiciais já estabelecidas. Este caso isolado serve como um alerta para a complexidade e os perigos envolvidos em processos de reestruturação de dívidas sem a segurança de garantias legais.

A versão de Doni: reestruturação e fatores econômicos

A defesa do ex-goleiro e os desafios do mercado

Em resposta às acusações e aos processos judiciais, Doni, que possui uma carreira notável no futebol, com passagens por grandes clubes como Corinthians, Roma, Liverpool e a Seleção Brasileira, emitiu comunicados para apresentar sua versão dos fatos. Em nota oficial, o ex-goleiro informou ser sócio há mais de oito anos da incorporadora que atua na região central da Flórida. Ele afirmou que a empresa está passando por um processo de reestruturação societária e renegociação de contratos, o que teria gerado “divergências pontuais” com determinados clientes.

Em outro comunicado, divulgado nas redes sociais, Doni buscou tranquilizar os investidores, afirmando ter firmado acordos com a maioria deles e possuir os recursos necessários para honrar os contratos. O ex-goleiro atribuiu os problemas nos empreendimentos a questões econômicas mais amplas, citando especificamente o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos como um fator crucial que impactou a viabilidade dos projetos. Essa elevação dos juros pode, de fato, encarecer financiamentos e tornar os empreendimentos imobiliários menos rentáveis, dificultando o cumprimento de prazos e as promessas de retorno aos investidores. A complexidade do mercado imobiliário e as flutuações econômicas são fatores que, segundo Doni, contribuíram para a atual situação.

O escopo dos processos contra a D32: uma rede de queixas

Numerosos litígios nos condados da Flórida

Um levantamento detalhado nos condados de Miami-Dade e Orange, na Flórida, revela que a D32 é alvo de, no mínimo, 29 processos ajuizados na justiça americana. A maioria dessas ações está relacionada a quebras contratuais decorrentes da não entrega de empreendimentos imobiliários ou da ausência de devolução de recursos financeiros aplicados. Os condados são divisões administrativas importantes nos Estados Unidos, e suas cortes abrangem diversas causas cíveis entre indivíduos e empresas, como é o caso das dívidas e disputas contratuais envolvendo a D32.

No condado de Orange, foram registradas 22 ações contra a D32. Entre os investidores que buscaram a justiça nessa jurisdição, destaca-se o jogador Willian Souza Arão da Silva, atualmente no Santos, que ajuizou um processo após investir US$ 200 mil em um projeto imobiliário nos Estados Unidos que não se concretizou conforme o esperado.

Em Miami-Dade, foram identificados mais 7 processos, incluindo as ações movidas por empresas geridas por Michel Teló e Thaís Fersoza. Segundo informações detalhadas nos processos, o casal de artistas firmou empréstimos no valor de US$ 450 mil. A promessa era de devolução do capital com um ganho baseado em uma taxa de juros anual de 15%. Contudo, o prazo estabelecido para o pagamento não foi cumprido pela D32. A advogada Juliana Leite explica a simplicidade da ação em que atua: “O processo que a gente atua é bem simples: temos uma nota promissória, que é uma dívida e não tem garantia real. Então não teve uma hipoteca, não tem a menção a um terreno ou a uma casa. A gente está simplesmente executando uma dívida que não foi paga”. Em decisões recentes, a justiça americana obrigou a D32 a pagar US$ 812 mil para as empresas ligadas a Michel Teló e Thaís Fersoza. Este valor, que já considera taxas de juros e honorários advocatícios, continua sujeito a correções monetárias. Segundo Leite, não cabem mais recursos para essas ações, pois os prazos para apelação expiraram. Atualmente, os processos encontram-se na fase de execução, com esforços concentrados na busca e nomeação de bens da companhia para assegurar o cumprimento das sentenças. A equipe jurídica está em negociação e já recebeu uma série de informações pertinentes a essa fase de execução, visando a recuperação dos valores devidos.

Perguntas frequentes sobre o caso Doni e investimentos na Flórida

Quem é Doni e qual sua relação com a D32?
Doniéber Alexander Marangon, conhecido como Doni, é um ex-goleiro com carreira internacional, tendo jogado por clubes como Corinthians, Roma e Liverpool, além de defender a Seleção Brasileira. Após encerrar sua carreira no futebol em 2013, ele se tornou empresário e é um dos sócios da D32, uma incorporadora que captou recursos para a construção de casas em condomínios na Flórida, nos Estados Unidos.

Por que os investidores foram atraídos pela D32?
Os investidores foram atraídos principalmente pela relação de confiança estabelecida com os diretores da D32, que apresentavam projetos imobiliários “interessantes” na Flórida. O mercado imobiliário da região, especialmente após a pandemia, era considerado muito promissor, com alta valorização de terrenos, o que gerava a expectativa de retornos financeiros elevados.

Quais foram os resultados das ações judiciais nos EUA?
As ações judiciais movidas contra a D32, especialmente aquelas em que a advogada Juliana Leite atuou, resultaram em ganho de causa para os investidores na justiça americana, totalizando aproximadamente US$ 1,5 milhão em devoluções garantidas. As empresas ligadas a Michel Teló e Thaís Fersoza, por exemplo, tiveram sentenças favoráveis de US$ 812 mil. Muitos desses processos estão agora na fase de execução, com busca de bens da D32.

Qual a posição de Doni sobre os problemas nos empreendimentos?
Doni afirma que a D32 está em processo de reestruturação societária e renegociação de contratos, o que teria causado “divergências pontuais” com clientes. Ele também atribui os problemas a questões econômicas, como o aumento da taxa de juros nos EUA, e declara ter firmado acordos com a maioria dos investidores, garantindo ter recursos para honrar os contratos.

Quantos processos foram ajuizados contra a D32?
Um levantamento aponta que há pelo menos 29 processos ajuizados contra a D32 nos condados de Miami-Dade e Orange, na Flórida. A maioria desses litígios está relacionada a quebras contratuais devido à não entrega de empreendimentos ou à ausência de devolução de valores aplicados por investidores.

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Fonte: https://g1.globo.com

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