Um casal da cidade de Poá, na Grande São Paulo, finalmente encontrou alívio ao desembarcar em Barcelona, na Espanha, no último sábado (7), após dias de incerteza e tensão. Tathiana Suwaki Amorim, uma advogada e empresária de 47 anos, e seu marido, Cristian de Amorim, de 52, estavam retidos em um navio de cruzeiro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde 28 de fevereiro. A repatriação para a Europa foi uma resposta urgente à escalada de ataques na região, que resultou em suspensão e redução drástica dos voos comerciais. A jornada de volta ao Brasil, o destino final do casal de Poá, está agora prevista para a próxima terça-feira (10), marcando o fim de uma odisseia inesperada.
A odisseia do casal em Dubai
A retenção no MSC Euribia e o impacto dos conflitos
A viagem que deveria ser um cruzeiro relaxante pelos Emirados Árabes rapidamente se transformou em uma experiência de ansiedade para Tathiana e Cristian. A escalada dos conflitos no Oriente Médio, com ataques e retaliações entre as forças armadas dos Estados Unidos, Israel e Irã, levou ao cancelamento da rota original do MSC Euribia. O navio, que abrigava mais de 5 mil passageiros, incluindo cerca de 350 brasileiros, ficou atracado no porto de Dubai, servindo como uma espécie de hospedagem emergencial em meio à crise regional. Embora os passageiros pudessem desembarcar, a recomendação enfática era para que permanecessem a bordo por segurança.
A tensão era uma constante, relatou Tathiana. Ela descreveu ter visto aviões de caça sobrevoando a área e o recebimento de alertas de segurança sobre possíveis mísseis. A gravidade da situação foi sublinhada durante uma reunião com o vice-cônsul brasileiro a bordo, quando um alarme de emergência disparou, causando pânico e reforçando a sensação de perigo iminente. Para os passageiros, especialmente aqueles com idosos e crianças, a falta de previsibilidade e a ameaça latente tornaram os dias no navio extremamente estressantes. O principal desafio enfrentado pelo casal era a ausência de uma data concreta para o retorno ao Brasil, já que as passagens aéreas originais, compradas separadamente do cruzeiro, não podiam ser utilizadas devido à interrupção das operações aéreas.
Esforços de repatriação e o alívio da chegada à Europa
A logística dos voos fretados e os desafios finais
A MSC Cruzeiros, responsável pelo navio, implementou uma complexa operação para repatriar seus hóspedes. A empresa organizou voos para mais de 1.500 passageiros que estavam a bordo do MSC Euribia. Até o momento da partida do casal, sete voos fretados pela MSC, em parceria com companhias aéreas como Emirates e Flydubai, já haviam deixado a região, levando passageiros para diversos destinos como Reino Unido, Itália, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Brasil. Pierfrancesco Vago, Presidente Executivo da MSC Cruzeiros, destacou o orgulho na mobilização da companhia e o apoio inestimável de companhias aéreas parceiras e governos regionais e nacionais para superar os desafios logísticos e operacionais.
No entanto, a jornada de repatriamento não foi isenta de percalços para Tathiana e Cristian. Eles saíram do navio às 7h de sábado, com um voo para a Espanha previsto para as 13h. Contudo, pouco antes do embarque, receberam a notícia do cancelamento. Uma bomba havia caído nas proximidades do aeroporto, levando ao fechamento completo e à suspensão de todas as operações de pouso e decolagem. O voo foi remarcado para as 15h30, e os passageiros foram realocados entre diversos portões de embarque, intensificando a exaustão e o estresse. O voo para a Espanha foi finalmente realizado, e a chegada a Barcelona trouxe um imenso alívio. “Dormimos sem medo esta noite”, descreveu Tathiana, emocionada com a segurança após dias de incerteza. A bordo deste voo, havia outros passageiros do mesmo cruzeiro, alguns dos quais permaneceram uma semana a mais retidos no navio do que o casal. Embora a MSC tenha fretado os voos para a Europa, os passageiros ficaram responsáveis por comprar suas próprias passagens para o destino final, como o Brasil.
Contexto dos ataques no Oriente Médio
A crise que prendeu o casal e milhares de outros turistas no Oriente Médio é reflexo de uma escalada de tensões que se intensificou em datas próximas à retenção do navio. Em um ataque coordenado no sábado anterior, 28 de fevereiro, forças armadas dos Estados Unidos e de Israel alvejaram o Irã, resultando na morte de figuras importantes, como o líder supremo Ali Khamenei e outros chefes militares. Essa ação provocou uma forte retaliação por parte do Irã, que lançou ataques contra Israel e bases militares dos EUA na região. A resposta iraniana incluiu a declaração de que a morte de Khamenei era uma “declaração de guerra contra os muçulmanos”, prometendo vingança. A situação se agravou ainda mais com a ameaça do então presidente dos EUA de utilizar “força nunca antes vista” caso o Irã continuasse com as retaliações. Esse cenário de beligerância e incerteza levou diversas nações a emitirem alertas de segurança, impactando diretamente a aviação civil e o turismo na região, como vivenciado pelos passageiros do MSC Euribia.
O desfecho e a expectativa de retorno ao Brasil
Com a chegada a Barcelona, a sensação de segurança e alívio foi palpável para Tathiana e Cristian. No domingo, após a longa e estressante jornada, eles visitaram a icônica Sagrada Família, um dos pontos turísticos mais famosos de Barcelona, para agradecer pela chegada segura à Europa. A experiência de dormir sem o medo constante de alertas ou ataques foi um marco. Agora, o casal se prepara para a etapa final de sua longa viagem: o retorno ao Brasil, previsto para a próxima terça-feira (10). A Qatar Airways, companhia aérea com a qual o casal tinha voos previstos para o retorno, informou que suas operações permaneceram temporariamente suspensas devido ao fechamento do espaço aéreo do Catar, aguardando autorização da Autoridade de Aviação Civil do Catar para a reabertura segura. A empresa garantiu que trabalharia para organizar voos extras e que os passageiros afetados seriam contatados diretamente. Para o casal de Poá, a expectativa é que, em breve, a odisseia termine com o reencontro seguro com o lar.
Perguntas frequentes
Por que o casal ficou retido em Dubai?
O casal ficou retido em Dubai devido à escalada de ataques e conflitos na região do Oriente Médio, que resultaram no cancelamento do roteiro de seu cruzeiro e na suspensão ou redução drástica dos voos comerciais, incluindo um voo que foi cancelado após uma bomba cair perto do aeroporto.
Quem organizou a repatriação dos passageiros?
A MSC Cruzeiros organizou voos fretados para mais de 1.500 hóspedes que estavam a bordo do MSC Euribia. A empresa atuou em parceria com companhias aéreas como Emirates e Flydubai, além de contar com o apoio de governos regionais e nacionais.
Quantos brasileiros estavam no navio MSC Euribia?
Estimava-se que cerca de 350 brasileiros estavam entre os mais de 5 mil passageiros inicialmente a bordo do navio MSC Euribia.
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Fonte: https://g1.globo.com


