Licitação do transporte em Campinas: consórcios entregam propostas

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G1

A tão aguardada licitação do transporte público em Campinas, estimada em R$ 11 bilhões por um período de concessão de 15 anos, deu um passo significativo para a sua concretização. Após uma década de impasses e desafios burocráticos, empresas e consórcios interessados em operar o sistema de transporte coletivo da cidade entregaram os envelopes com suas propostas nesta quarta-feira (25). Este movimento marca uma fase crucial no processo que visa reestruturar e modernizar o serviço para a população campineira. A próxima etapa definirá quais participantes seguirão na disputa pelos dois lotes do sistema municipal, com a abertura das propostas de valores agendada para 5 de março de 2026. A expectativa é que o novo modelo traga melhorias substanciais.

O avanço do processo licitatório: fases e cronograma

A licitação do transporte em Campinas, um dos maiores certames do tipo no país, está estruturada em três fases distintas, cada qual com seu objetivo e cronograma específicos. A transparência e a rigidez nas avaliações são pilares fundamentais para assegurar a escolha das propostas mais qualificadas e adequadas às necessidades da cidade.

Detalhes das etapas e datas cruciais

A etapa mais recente, ocorrida nesta quarta-feira (25), foi dedicada ao credenciamento e às garantias financeiras. Este é um filtro inicial indispensável para assegurar que apenas empresas e consórcios com a devida capacidade e solidez financeira sigam na competição. A verificação da documentação de habilitação inicial e das garantias financeiras é feita por uma entidade independente, garantindo a imparcialidade do processo.

Envelope 1 – Credenciamento e garantias: Contém toda a documentação comprobatória da habilitação inicial dos interessados e suas respectivas garantias financeiras. A análise deste envelope é vital para atestar a elegibilidade dos participantes. A abertura oficial deste envelope está prevista para 25 de fevereiro de 2026. Após essa análise, será confirmada quais empresas cumprem os requisitos básicos para avançar no processo.

Envelope 2 – Propostas de valores: Esta é a fase onde o aspecto financeiro da concessão entra em cena. Os envelopes contêm os valores ofertados pelos licitantes, indicando suas propostas econômicas para operar o serviço. Além da apresentação dos valores, esta etapa também prevê a possibilidade de lances, fomentando a concorrência. A abertura deste envelope ocorrerá em 5 de março de 2026, às 11h, na sede da B3, em São Paulo, com transmissão ao vivo para acompanhamento público, reforçando a transparência.

Envelope 3 – Documentação de habilitação: Aberto somente após a definição da proposta vencedora no Envelope 2, este envelope tem a função de confirmar se a empresa ou consórcio que apresentou a melhor oferta atende a todas as exigências legais e técnicas do edital. A conformidade com estas exigências é um pré-requisito para a homologação do contrato. Caso não haja pendências, o processo é concluído e a vencedora é formalmente oficializada, garantindo que a concessão seja outorgada a um operador plenamente qualificado.

Um histórico de desafios e as soluções implementadas

A licitação do transporte público de Campinas tem sido marcada por um longo e complexo histórico de adiamentos e contestações, o que transformou o processo em uma verdadeira “novela” para a cidade. No entanto, os recentes avanços demonstram a determinação em superar esses obstáculos e finalmente definir um novo modelo para o sistema.

Superando obstáculos legais e burocráticos

A abertura dos envelopes de propostas ocorreu após um adiamento de 15 dias no prazo inicial, motivado por uma notificação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O órgão apontou inconsistências nos cálculos do Fator de Utilização (FU) e nos valores dos benefícios trabalhistas, que não contemplavam integralmente os encargos aplicáveis. O Fator de Utilização (FU) é um coeficiente técnico crucial, que determina a média de profissionais necessários por veículo para manter a operação, considerando variáveis como folgas, férias, afastamentos e turnos.

A administração municipal agiu prontamente para corrigir as falhas. O conselheiro Dimas Ramalho, relator do processo no TCE, reconheceu que a Prefeitura de Campinas adotou as medidas necessárias para corrigir o edital, eliminando os riscos identificados. Com isso, o processo foi arquivado no TCE, dando sinal verde para a continuidade da licitação.

Historicamente, a busca por uma nova licitação em Campinas remonta a 2016, quando o TCE avaliou como irregular a concorrência realizada em 2005. A decisão do tribunal apontava que as empresas não deveriam ter passado por avaliações técnicas dentro da licitação de preços. O contrato de 2005, que expirou em 2020, deixou a cidade em uma situação de espera por um novo acordo. Em 2019, uma primeira versão do edital foi lançada, mas rapidamente suspensa pelo TCE e, posteriormente, barrada pela Justiça. A administração municipal, já sob a gestão atual, recomeçou o processo, publicando um novo edital em dezembro de 2022. Mesmo assim, em março de 2023, o processo foi novamente interrompido pelo TCE, desta vez por contestação do sindicato das empresas do segmento. Em maio do mesmo ano, o TCE-SP exigiu a reformulação do edital com correções em 14 itens. Após as devidas adequações, que envolveram a Emdec, secretarias municipais e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a licitação foi realizada em setembro de 2023, mas foi declarada deserta por falta de ofertas. A prefeitura reiniciou o processo, realizando novas consultas públicas e criando um Grupo de Trabalho Intersecretarial, culminando nas audiências públicas em dezembro do ano passado para apresentar a nova proposta à população, até chegar ao estágio atual de recebimento de propostas.

Investimentos substanciais e um modelo financeiro inovador

O edital da licitação de Campinas prevê uma concessão do sistema de transporte coletivo convencional por um período de 15 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos. Esta longa duração visa garantir a segurança jurídica e a atratividade para os investidores, que precisarão realizar aportes significativos.

Estrutura dos lotes e impactos no serviço

O sistema de transporte foi dividido em dois eixos principais, otimizando a gestão e operação:
Lote Norte: Abrange as regiões Norte, Oeste e Noroeste da cidade, englobando áreas de grande demanda e expansão.
Lote Sul: Atende as regiões Leste, Sul e Sudoeste, que também possuem uma dinâmica populacional e de deslocamento intensa.

A construção do edital foi um processo democrático, que levou em consideração 1,1 mil contribuições da população recebidas durante a consulta pública. Esta participação popular foi fundamental para moldar um serviço que atenda de forma mais eficaz às necessidades dos usuários. A administração municipal destaca que o edital adota princípios de equilíbrio econômico-financeiro, consolidando a separação entre a tarifa pública (paga pelo usuário) e a tarifa de remuneração (paga ao operador). Este modelo inovador permite a implementação de políticas públicas, como subsídios e eventuais gratuidades, sempre em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e o planejamento orçamentário.

Os investimentos previstos são ambiciosos e essenciais para a modernização do sistema. A renovação da frota de ônibus, por exemplo, terá um aporte de quase R$ 900 milhões nos primeiros cinco anos de contrato e mais R$ 800 milhões nos dez anos restantes, totalizando R$ 1,7 bilhão em 15 anos apenas para a frota. Além disso, haverá investimentos em tecnologia embarcada, como sistemas de bilhetagem eletrônica avançados e monitoramento, e na infraestrutura de terminais e estações. No total, os investimentos previstos somam R$ 1,9 bilhão, prometendo uma transformação significativa na qualidade e eficiência do transporte coletivo de Campinas.

Próximos passos e expectativas para o transporte de Campinas

A entrega dos envelopes com as propostas representa um marco crucial na longa jornada da licitação do transporte público de Campinas. Após uma década de desafios, adiamentos e aprimoramentos no edital, a cidade se aproxima da definição de um novo modelo de gestão para seu sistema de transporte coletivo. A abertura das propostas de valores em março de 2026 será o próximo grande evento, que determinará os competidores finais. Com um investimento previsto de quase R$ 2 bilhões e um modelo financeiro inovador, a expectativa é que a população de Campinas possa, em breve, usufruir de um serviço mais moderno, eficiente e alinhado às suas necessidades.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O que é a licitação do transporte em Campinas?
É o processo pelo qual a Prefeitura de Campinas concederá a operação do sistema de transporte público coletivo convencional a empresas ou consórcios privados. O objetivo é modernizar e melhorar a qualidade do serviço.

2. Qual o valor total e a duração do contrato?
A licitação está estimada em R$ 11 bilhões por um período de concessão de 15 anos, com a possibilidade de prorrogação por mais cinco anos. Os investimentos totais previstos, incluindo frota, tecnologia e infraestrutura, somam R$ 1,9 bilhão.

3. Por que a licitação teve adiamentos e dificuldades históricas?
A licitação enfrentou múltiplos adiamentos e contestações devido a inconsistências no edital original, apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Problemas em cálculos como o Fator de Utilização e benefícios trabalhistas, além de reavaliações de processos anteriores, exigiram sucessivas reformulações e debates públicos para garantir a legalidade e a adequação do novo certame.

4. Como o novo modelo financeiro da licitação beneficia o usuário?
O novo modelo separa a tarifa pública (paga pelo usuário) da tarifa de remuneração (paga ao operador). Essa separação permite que a prefeitura implemente políticas públicas como subsídios e gratuidades, sem impactar diretamente a rentabilidade do operador, e sempre em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso pode resultar em maior estabilidade tarifária e mais benefícios para os passageiros.

Mantenha-se informado sobre os próximos passos deste processo vital para o transporte coletivo de Campinas.

Fonte: https://g1.globo.com

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