PMs acusados de matar estudante de medicina com tiro à queima-roupa irão

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G1

A justiça de São Paulo determinou que os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, acusados da morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, serão submetidos a júri popular. A decisão, proferida em janeiro de 2024 pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri, representa um avanço significativo no processo que apura o falecimento do jovem. Marco Aurélio foi morto por um tiro à queima-roupa no saguão de um hotel na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, em outubro de 2023. Os PMs respondem em liberdade por homicídio qualificado, sob a acusação de motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, gerando indignação entre os familiares e a defesa.

A decisão judicial e a busca por justiça

A determinação de levar os dois policiais militares a júri popular é um marco no caso da morte de Marco Aurélio Cardenas Acosta. A data exata do julgamento ainda aguarda definição, mas a decisão judicial reacende a esperança de justiça para a família do estudante. Os policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que impediu ou dificultou a defesa da vítima, uma tipificação grave que pode resultar em longas penas.

O pai do estudante, o médico Julio Cesar Acosta Navarro, expressou um misto de alívio e frustração com a decisão. Embora tenha recebido a notícia com satisfação por ver o caso avançar, ele criticou veementemente o fato de os policiais permanecerem em liberdade, afastados apenas das atividades operacionais. “Não sei o que estão esperando para expulsá-los. Até mesmo o governador prometeu, nos dias seguintes à morte de meu filho, que puniria severamente e isso está documentado. Depois de mais de 460 dias, a situação continua assim”, desabafou Navarro, evidenciando a demora e a falta de punição administrativa concreta na corporação.

A defesa da família Acosta reforça a urgência da prisão preventiva dos acusados e a expulsão definitiva deles da Polícia Militar. Em nota oficial, os advogados Pedro Medeiros Muniz e Nikolas Lima Pessoa Dias argumentaram que “a liberdade desses agentes representa um risco manifesto à ordem pública e uma afronta direta à memória de Marco Aurélio e à dor de sua família. Não descansaremos até que aguardem o veredito final atrás das grades”, reforçando o compromisso em buscar todas as vias legais para garantir que os envolvidos respondam integralmente pelos seus atos.

A cronologia dos fatos e as evidências do crime

A tragédia que vitimou Marco Aurélio Cardenas Acosta ocorreu na madrugada de 20 de outubro de 2023, na Vila Mariana. A sequência de eventos que culminou na morte do estudante começou de forma trivial, quando Marco Aurélio, ao passar pela Rua Cubatão, deu um tapa no retrovisor de uma viatura policial. Em seguida, ele correu para o interior do hotel onde estava hospedado com uma amiga.

Os policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, que estavam na viatura, desceram do veículo e seguiram o estudante até o saguão do estabelecimento. Imagens de segurança, cruciais para a investigação, registraram a tensa abordagem. Nelas, é possível ver o PM Guilherme apontando seu revólver e gritando “você vai tomar”, enquanto tenta puxar o jovem pelo braço. Na sequência, o policial Bruno chuta o estudante, que reage segurando o pé do PM, fazendo-o cair. É nesse momento que Guilherme Macedo dispara a arma à queima-roupa, atingindo o abdômen do estudante.

A vítima foi prontamente socorrida e levada ao Hospital Ipiranga, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos e faleceu. A ficha de atendimento médico revelou que a unidade hospitalar estava superlotada e não dispunha de equipamento de tomografia, o que levanta questões sobre a qualidade do socorro prestado.

Contrariando as evidências visuais das câmeras de segurança, o boletim de ocorrência registrado pelos policiais apresentou uma versão diferente dos fatos. Os PMs afirmaram que o estudante teria resistido à abordagem, “entrado em vias de fato com a equipe” e tentado pegar a arma de Bruno – alegações que foram desmentidas pelos vídeos amplamente divulgados. Apesar dos três pedidos de prisão preventiva feitos pela família da vítima, os policiais seguem respondendo ao processo em liberdade, aguardando o julgamento no júri popular. A Universidade Anhembi Morumbi, onde Marco Aurélio estudava, concedeu a ele um diploma póstumo em reconhecimento ao seu percurso acadêmico interrompido.

O futuro do processo e o anseio por justiça

A decisão de levar os policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado a júri popular é um passo decisivo na busca por justiça para Marco Aurélio Cardenas Acosta. Este desdobramento reforça a importância das evidências, especialmente as imagens de segurança, que desmentiram a versão inicial dos policiais. A família, por meio de seus advogados, continuará lutando para que os acusados sejam detidos preventivamente e excluídos da corporação, garantindo que o veredito final seja aguardado sob custódia, em respeito à memória da vítima e à ordem pública. O caso, que já se estende por mais de um ano, segue sob o escrutínio público, aguardando a definição da data do julgamento para que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas e a justiça seja feita.

Perguntas frequentes

1. Quem são os policiais acusados no caso?
Os policiais militares acusados são Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, ambos envolvidos na morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta.

2. Qual a acusação contra os PMs?
Eles são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe e por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, uma tipificação grave que implica em maior severidade penal.

3. Por que os policiais respondem em liberdade?
Apesar dos três pedidos de prisão preventiva feitos pela família da vítima, a Justiça decidiu que os policiais responderão ao processo em liberdade. Eles foram afastados apenas das atividades operacionais da corporação.

4. O que aconteceu com o diploma de Marco Aurélio?
A Universidade Anhembi Morumbi, onde Marco Aurélio Cardenas Acosta estudava medicina, concedeu a ele um diploma póstumo em homenagem à sua trajetória acadêmica.

Acompanhe os próximos capítulos deste caso de grande repercussão e contribua para que a memória de Marco Aurélio seja honrada com a efetivação da justiça.

Fonte: https://g1.globo.com

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