Em fase final, biocurativo 3d promete alívio para milhões com feridas crônicas

4 Tempo de Leitura
G1

Um biocurativo 3D inovador, desenvolvido a partir de células-tronco por pesquisadoras em Ribeirão Preto, São Paulo, está prestes a beneficiar cerca de 5 milhões de brasileiros que sofrem com feridas crônicas. A expectativa é que o produto, denominado Mensencure, esteja disponível para pacientes refratários – aqueles que não respondem aos tratamentos convencionais – até 2027.

O biocurativo já completou os testes laboratoriais e agora aguarda a documentação necessária para ser apresentada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Carolina Caliari, CEO da In Situ, empresa responsável pelo desenvolvimento, enfatiza a importância dos testes para garantir a segurança do produto, especialmente por se enquadrar na categoria de terapias avançadas.

O Mensencure utiliza células mesenquimais, extraídas do cordão umbilical, para tratar feridas crônicas como as decorrentes do diabetes e queimaduras graves. A terapia celular aproveita a capacidade natural das células de promover a cicatrização, não apenas da pele, mas também de outros tecidos. No laboratório, as células do cordão umbilical são isoladas e utilizadas no tratamento.

Dados do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA/SUS) do Ministério da Saúde revelam que, em 2024, foram registrados 175.711 atendimentos a pacientes com feridas crônicas refratárias, incluindo infecções de pele, pós-traumáticas, cirúrgicas, abscessos e úlceras. O Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) contabilizou 70.738 procedimentos no mesmo período. É importante ressaltar que o número de atendimentos não reflete necessariamente o número de pacientes, já que uma mesma pessoa pode ser atendida diversas vezes.

Para produzir o biocurativo, as células-tronco são combinadas com hidrogel e impressas em uma máquina 3D. O resultado é um material transparente, semelhante a uma lente de contato gelatinosa, com 80 centímetros quadrados, aproximadamente o tamanho de um celular. A impressão leva cerca de 30 minutos. Devido à natureza da terapia celular, o biocurativo não estará disponível em farmácias e sua aplicação será restrita a ambientes hospitalares.

Segundo Carolina Caliari, o objetivo é oferecer um produto padronizado para reduzir custos e garantir o acesso imediato aos pacientes. Caso seja necessário, múltiplos curativos podem ser aplicados ou o biocurativo pode ser cortado para ajustar ao tamanho da ferida. O tratamento consiste em uma única aplicação, pois o material é absorvido pela pele. Adriana Oliveira Manfiolli, CTO da In Situ, explica que a eficácia reside na ação das células no organismo, penetrando na pele e desempenhando sua função sem necessidade de troca do curativo.

O biocurativo representa uma alternativa para pacientes que não respondem aos tratamentos existentes, como géis, pomadas, coberturas, matrizes de polímeros e terapias de pressão negativa. A ideia é que o Mensencure resolva o problema de pacientes que sofrem com feridas persistentes há semanas, meses ou até anos.

A base do Mensencure é a célula-tronco, que age de forma inteligente, tratando a ferida em vez de apenas cobri-la. As células captam sinais do local da aplicação e liberam fatores para resolver inflamações, dores e estimular o fechamento da ferida.

Outra vantagem é que as células do cordão umbilical podem ser utilizadas em diferentes indivíduos sem causar rejeição. As células são isoladas, congeladas e armazenadas em nitrogênio líquido, permitindo a produção rápida do biocurativo em 30 minutos quando necessário. A In Situ planeja manter um estoque para atender pacientes que necessitam de tratamento imediato, como vítimas de queimaduras graves.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhe está notícia