Recentemente, a Oxfam divulgou um relatório alarmante no Dia Mundial da Alimentação, revelando que o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores importadores de pesticidas considerados perigosos e proibidos na União Europeia (UE). Com um total de aproximadamente 15 mil toneladas recebidas em 2024, o país fica atrás apenas dos Estados Unidos.
Contexto e Implicações dos Pesticidas Proibidos
Apesar de a UE ter implementado políticas rigorosas para proteger sua população e meio ambiente, essas regulamentações parecem ter um viés colonial, permitindo que empresas europeias continuem produzindo e exportando substâncias tóxicas para diversas nações, incluindo o Brasil. Esse cenário levanta sérias questões sobre as desigualdades nos critérios de segurança e proteção ambiental.
Impactos na Saúde e Meio Ambiente
O uso intensivo de agrotóxicos no Brasil, especialmente aqueles fabricados por empresas da UE, tem consequências profundas. Não apenas frutas, vegetais e commodities agrícolas são afetados, mas também comunidades rurais e o meio ambiente. A exposição a esses produtos químicos nocivos compromete a saúde dos trabalhadores e das populações circunvizinhas.
Dados Relevantes sobre o Comércio de Pesticidas
O relatório da Oxfam revela que, em 2024, os Estados-Membros da UE exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas proibidos, um aumento significativo em relação aos volumes de 2018. Esses produtos são principalmente enviados para países de baixa e média renda, onde as regulamentações de segurança são frequentemente menos rigorosas.
Concentração de Poder no Setor Agroquímico
A Oxfam destaca que seis dos dez pesticidas mais vendidos no Brasil estão vetados na UE. O uso desses produtos é impulsionado por um modelo agrícola que favorece grandes monoculturas, como soja e cana-de-açúcar. Além disso, quatro grandes corporações dominam 61% do mercado global de pesticidas, gerando receitas substanciais à custa da saúde pública e do meio ambiente.
Chamada à Ação
Viviana Santiago, diretora da Oxfam Brasil, enfatiza a necessidade urgente de interromper a exportação de agrotóxicos proibidos e de estabelecer regulamentos que priorizem a saúde e os direitos humanos em detrimento de interesses comerciais. Apesar das evidências, o Brasil continua a registrar novos pesticidas, com 725 aprovações em 2025, um aumento preocupante em relação ao ano anterior.
Esse cenário exige atenção e ação imediata, pois os riscos associados ao uso de pesticidas perigosos não afetam apenas o Brasil, mas têm repercussões globais que exigem uma resposta coordenada e eficaz.


