Videoclipe hecatombe: homenagem a congolês assassinado conquista prêmios

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G1

Um videoclipe produzido em Santos, São Paulo, tem se destacado em festivais de cinema no Brasil e em Portugal. “Hecatombe”, da banda Fizeram a Elza, é uma obra inspirada na trágica história de Moïse Kabagambe, o imigrante congolês brutalmente assassinado no Rio de Janeiro em 2022.

Brayan Arévalo, diretor e roteirista colombiano radicado no Brasil, relata que a notícia do assassinato de Moïse o impactou profundamente, motivando-o a criar uma homenagem através da arte. “Foi uma história muito triste, marcada por uma enorme falta de humanidade”, afirma Arévalo.

O videoclipe já angariou importantes reconhecimentos. Em Portugal, “Hecatombe” venceu na categoria de baixo orçamento no Mate Festival, uma mostra internacional realizada em Coimbra. No Brasil, a obra conquistou o prêmio de Melhor Roteiro no Fest Clip, do Festival de Cinema de Santa Gertrudes, e também foi premiada na Mostra de Curtas da Baixada Santista.

Além das premiações, “Hecatombe” foi selecionado para o Festival de Curtas de Bertioga e concorre na categoria videoclipe do Rio Webfest, competindo com produções de diversos países.

Gil Oliveira, guitarrista e um dos fundadores da banda em 2019, expressa a surpresa e alegria do grupo com o alcance do trabalho. “A gente ficou muito feliz com a qualidade do clipe que foi produzido com muito carinho por talentos da nossa região”, declarou o músico. Ele ressalta que o objetivo principal do videoclipe é alertar para a persistência da discriminação e do racismo no país. “Enquanto essas raízes não secarem totalmente, precisamos com a arte colocar o dedo na ferida e lembrar desta história para que ela não se repita”, enfatiza Oliveira.

O videoclipe “Hecatombe” conta com a participação do rapper Zé Brown e foi produzido por Luan Maciel, através da Produtora e Cia Cangote em coprodução com Darshan Filmes e Studio 23. O projeto recebeu apoio da Lei Paulo Gustavo de Santos.

Moïse Kabagambe, de 24 anos, chegou ao Brasil em 2014 com sua família, fugindo da guerra e da fome em busca de refúgio. Ele trabalhava em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando foi assassinado após cobrar o pagamento de diárias atrasadas. Seu corpo foi encontrado amarrado em uma escada. O caso gerou grande comoção e expôs a violência e o preconceito enfrentados por imigrantes e pessoas negras no Brasil.

Fonte: g1.globo.com

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