Vestibular 2026: geopolítica do brics, sul global e o mapa invertido

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G1

A geopolítica global, impulsionada por transformações como a ascensão do Sul Global e a reconfiguração de alianças internacionais, emerge como um tema central para os vestibulares de 2026. A professora Rafaela Locali, especialista em geografia e atualidades, aponta que o enfraquecimento de instituições multilaterais e o fortalecimento de grupos como o BRICS, em resposta a políticas protecionistas, são cenários cruciais para o entendimento do mundo contemporâneo.

O BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e agora expandido para incluir Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã, representa uma força emergente no cenário internacional. A professora Locali destaca que a fragilização de organizações como a ONU e a OMC, em contraposição ao fortalecimento do BRICS, demonstra uma instabilidade global crescente. O grupo, segundo ela, busca melhorar suas economias através de relações multilaterais, com um protagonismo notável em áreas como PIB, população, área territorial e tecnologia, impulsionado principalmente pela China e pela crescente economia da Índia.

Para uma revisão eficaz, a professora sugere um estudo da linha do tempo conceitual, desde a velha ordem mundial (mundo bipolar da Guerra Fria) até a nova ordem mundial (pós-anos 1990, com a globalização). É fundamental também analisar a expansão do BRICS, seus membros e a relevância regional e econômica de cada um, além de compreender a multipolaridade e como a força do BRICS e outros grupos regionais criam um cenário de alianças econômicas e militares mais complexo.

Um dos maiores símbolos do protagonismo do Sul Global, segundo Locali, é a recente publicação de um mapa-múndi invertido pelo IBGE. A professora considera essa iniciativa uma aposta importante para as provas, pois o mapa, ao não ser eurocêntrico, coloca o Sul no topo e o Brasil no centro. Esse destaque, segundo ela, é ainda mais relevante considerando que o Brasil sediou o BRICS e irá sediar a COP 30. O mapa também enfatiza os países do Mercosul e do BRICS, além da zona econômica exclusiva brasileira, que teve uma extensão acrescida.

A disputa tecnológica e a busca por recursos essenciais para a transformação digital também se destacam como temas importantes. A geopolítica concentra-se principalmente em dois eixos: as terras raras, minerais cruciais para a fabricação de componentes de alta tecnologia, onde o Brasil se destaca com grandes reservas recém-descobertas; e as fontes de energia, dada a alta demanda energética de data centers, levando a negociações entre países com alta capacidade energética.

A regulamentação das Big Techs é outro ponto crucial, envolvendo debates sobre a liberdade nas redes sociais, os perigos das deepfakes e as implicações econômicas da restrição de dados. A professora conclui que a lógica de mercado das Big Techs se opõe a regulamentações que restrinjam o acesso aos dados, impactando seus lucros.

Fonte: g1.globo.com

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