A tão aguardada vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan deu um passo crucial para sua distribuição em massa no Brasil. As primeiras 300 mil doses da Butantan-DV, o primeiro imunizante de dose única contra a dengue no mundo, foram entregues ao Ministério da Saúde. Esta entrega marca o início de uma estratégia nacional para combater a doença, que tem apresentado desafios contínuos. A vacina, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas entre 12 e 59 anos, demonstrou eficácia notável, com quase 75% contra casos gerais, mais de 91% contra formas graves e 100% contra hospitalizações, representando um avanço significativo para a saúde pública brasileira.
Marcos na produção e entrega do imunizante
A entrega inicial de 300 mil doses da vacina Butantan-DV é o resultado de um processo rigoroso de desenvolvimento e aprovação. O Instituto Butantan informou que este quantitativo faz parte de um lote maior, totalizando 1,3 milhão de doses já fabricadas. A expectativa é que, até o final de janeiro de 2026, mais 1 milhão de doses sejam incorporadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), reforçando a capacidade de resposta do país à dengue.
Contrato e investimento inicial
A aquisição das primeiras doses foi formalizada em um contrato significativo entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan. O acordo prevê um investimento de R$ 368 milhões para o fornecimento inicial de 3,9 milhões de doses do imunizante à rede pública de saúde. A assinatura do contrato, que garante a chegada e distribuição das vacinas em todo o território nacional, foi um marco celebrado pelas autoridades de saúde como uma vitória para o Brasil. Destacou-se que o desenvolvimento da vacina é fruto da capacidade técnica e do trabalho conjunto de pesquisadores e servidores, consolidando a expertise brasileira na produção de imunobiológicos.
Prioridade para profissionais de saúde
As primeiras doses da Butantan-DV serão destinadas estrategicamente aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). Este grupo inclui agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares em todo o país. A estratégia, prevista para começar no final de janeiro de 2026, visa proteger aqueles que estão em maior contato com a população e com o risco de exposição, garantindo a continuidade dos serviços essenciais de saúde.
Características e eficácia da Butantan-DV
A Butantan-DV se destaca no cenário global por ser a primeira vacina contra a dengue de dose única, facilitando a adesão e a logística de vacinação. Seu desenvolvimento é fruto de mais de uma década de pesquisas e colaboração internacional. O imunizante oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, um diferencial importante para a saúde pública em regiões de alta circulação viral.
Aprovação regulatória e perfil
O registro da vacina foi publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 8 de dezembro, oficializando a conclusão do processo regulatório e permitindo sua produção e comercialização. O imunizante será ofertado exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os estudos clínicos de fase 3, que acompanharam voluntários por cinco anos, demonstraram uma eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos. Além disso, a Butantan-DV mostrou 89% de proteção contra formas graves da doença e aquelas com sinais de alarme, e 100% de proteção contra hospitalizações, com segurança e eficácia prolongadas por até cinco anos.
Planos de expansão de faixa etária
Atualmente, a vacina está aprovada para indivíduos de 12 a 59 anos. No entanto, o Instituto Butantan já está realizando estudos para ampliar a faixa etária atendida pelo imunizante. O objetivo é incluir crianças de 2 a 11 anos e idosos acima de 60 anos, populações que também são vulneráveis à doença. Essa expansão potencializará ainda mais o impacto da vacina na redução da morbidade e mortalidade por dengue no Brasil.
Estratégia nacional de vacinação
O Ministério da Saúde implementará uma estratégia de vacinação abrangente para avaliar o impacto da Butantan-DV na dinâmica populacional da dengue. Esta abordagem será gradativa, buscando otimizar a distribuição e a eficácia do imunizante em diferentes contextos epidemiológicos.
Municípios-piloto e público-alvo
Para iniciar a avaliação do impacto da vacina, será realizada uma ação de aceleração da vacinação em dois municípios-piloto: Botucatu, em São Paulo, e Maranguape, no Ceará. Uma terceira cidade, Nova Lima, em Minas Gerais, também poderá ser integrada à estratégia. Nestas localidades, o público-alvo inicial será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos. A definição deste público e da estratégia foi feita após reunião técnica com especialistas da área, seguindo as recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI).
Cooperação internacional e aumento da produção
A vacinação da população em geral será escalonada conforme o aumento da produção de doses. Para isso, foi estabelecida uma parceria estratégica entre o Brasil e a China, envolvendo a transferência da tecnologia nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Esta cooperação é fundamental, pois permitirá um aumento da produção da vacina nacional em até 30 vezes, garantindo a disponibilidade para um programa de vacinação em larga escala. A estratégia de vacinação em massa começará com adultos a partir de 59 anos, com ampliação gradual para faixas etárias mais jovens, até alcançar o público de 15 anos.
Investimentos e o papel do SUS
O desenvolvimento da vacina contra a dengue contou com um investimento substancial de R$ 130 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, o Ministério da Saúde realiza aportes permanentes, destinando mais de R$ 10 bilhões anuais para o fortalecimento de laboratórios públicos e a produção nacional de imunizantes estratégicos para o SUS. Com a chegada da vacina da dengue e a parceria com a China, estima-se que este investimento atinja R$ 15 bilhões. O Novo PAC Saúde prevê ainda mais de R$ 1,2 bilhão para ampliar a capacidade produtiva do Instituto Butantan, incluindo a infraestrutura necessária para a fabricação da vacina. É importante destacar que o SUS também oferece outra vacina contra a dengue, de um laboratório japonês, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos e aplicada em duas doses, com milhões de doses já aplicadas desde sua incorporação em 2024.
Cenário epidemiológico e medidas preventivas
Apesar do avanço representado pela Butantan-DV, o combate à dengue exige uma vigilância contínua e a manutenção das ações de prevenção. Em 2025, o Brasil registrou uma redução de 75% nos casos prováveis de dengue e de 72% nos óbitos, em comparação com 2024. Embora esses números sejam encorajadores, a luta contra o Aedes aegypti e as arboviroses permanece uma prioridade.
Avanços e desafios no combate à dengue
O cenário epidemiológico da dengue é dinâmico, e a vacinação se soma a outras estratégias de controle. Em novembro, o Ministério da Saúde lançou a campanha nacional “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya”, que reforça a importância das medidas de prevenção das arboviroses. O enfrentamento dessas doenças requer uma ação conjunta e integrada entre o governo, as comunidades e os indivíduos, garantindo que os avanços na vacinação sejam complementados por práticas eficazes de controle vetorial.
Ações de prevenção para a população
A participação da sociedade é fundamental no controle da dengue. Entre as principais medidas de prevenção que devem ser adotadas continuamente estão: o uso de telas em janelas e repelentes em áreas de transmissão reconhecida; a remoção regular de recipientes que possam acumular água e se tornar criadouros do mosquito Aedes aegypti; a vedação adequada de reservatórios e caixas d’água; a limpeza de calhas, lajes e ralos; e a adesão e apoio às ações de prevenção e controle realizadas pelos profissionais do SUS em suas comunidades.
Perspectivas futuras e o impacto da nova vacina
A entrega das primeiras doses da vacina Butantan-DV ao Ministério da Saúde marca um momento histórico para a saúde pública brasileira. Este imunizante de dose única, com sua alta eficácia e o potencial de expansão da cobertura etária, promete transformar a abordagem do Brasil no combate à dengue. Os robustos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura, aliados às parcerias estratégicas e às campanhas de conscientização, demonstram o compromisso do país em proteger sua população contra uma das doenças tropicais mais prevalentes. A Butantan-DV não só representa um avanço científico significativo, mas também reforça a soberania nacional na produção de soluções em saúde, consolidando o SUS como um modelo de acesso universal a tratamentos e prevenções inovadoras. O futuro da prevenção da dengue no Brasil agora conta com uma ferramenta poderosa e essencial.
Perguntas frequentes
Quem pode receber a vacina Butantan-DV atualmente?
A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa para pessoas entre 12 e 59 anos. As primeiras doses serão destinadas prioritariamente aos profissionais de saúde da atenção primária.
Qual a eficácia da vacina Butantan-DV?
Os estudos clínicos indicaram uma eficácia de quase 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações em sua faixa etária aprovada.
A vacina Butantan-DV é de dose única?
Sim, a Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue no mundo a ser aplicada em dose única, o que simplifica o esquema vacinal e favorece a adesão.
Quando a vacina Butantan-DV estará disponível para a população em geral?
A distribuição para a população em geral será gradual, com a estratégia de vacinação começando com adultos a partir de 59 anos e, posteriormente, sendo ampliada para faixas etárias mais jovens, conforme o aumento da produção de doses e a avaliação nos municípios-piloto.
Mantenha-se informado sobre as campanhas de vacinação e medidas preventivas em sua região, e consulte sempre um profissional de saúde para orientações específicas sobre a dengue e a vacinação.
Fonte: https://g1.globo.com


