Unesp lança guia contra o trote para acolher novos estudantes

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Agência SP

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) reforça seu compromisso com um ambiente acadêmico seguro e acolhedor ao disponibilizar o “Guia para o Acolhimento de Ingressantes”. O documento, essencial para o início do ano letivo de 2024, que para muitas unidades universitárias começa em 23 de fevereiro, visa orientar coordenações de curso, comissões de recepção e demais instâncias sobre as melhores práticas para a integração dos novos estudantes. Elaborado pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade), sob a égide da iniciativa “Unesp Sem Assédio”, o guia é uma ferramenta fundamental para prevenir o trote, promover o acolhimento de ingressantes e fornecer diretrizes claras em situações de violência.

O guia e a nova cultura de recepção

A Unesp, por meio do recém-lançado Guia para o Acolhimento de Ingressantes, estabelece uma nova abordagem para a chegada dos calouros. O material, fruto de rodas de conversa promovidas em 2025 que dialogaram com estudantes sobre suas vivências, destina-se não apenas às estruturas administrativas e acadêmicas, mas também aos alunos veteranos, incentivando uma participação ativa e construtiva. O objetivo central é desmistificar a ideia de trote como uma “tradição inofensiva”, categorizando-o, na verdade, como uma manifestação de relações de poder e violências simbólicas e morais que podem comprometer a saúde mental, o desempenho acadêmico e a permanência dos estudantes na instituição.

Mentoria acadêmica e o suporte integral

Dentro dessa nova perspectiva, a mentoria acadêmica, programa desenvolvido pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), assume um papel estratégico. Estudantes veteranos, sob supervisão docente, atuam como mentores, oferecendo informações, orientações e suporte acadêmico para facilitar a adaptação dos ingressantes. Este programa vai além do aspecto meramente informativo, buscando promover a saúde física e mental dos jovens que iniciam sua jornada universitária. A pró-reitora de graduação, Célia Maria Giacheti, enfatiza que “pensamos no acolhimento dos novos estudantes a partir da mentoria acadêmica, que já desenvolvíamos nos anos anteriores, aliada a uma proposta de promoção da saúde física e mental para receber os jovens que estão chegando à Universidade”. A iniciativa reforça a visão de que a recepção deve ser um processo estruturado, alinhado aos valores e princípios da Unesp, como destaca a professora Ana Maria Klein, assessora da Proade e uma das autoras do Guia. Ela ressalta a importância de “explicar o funcionamento da instituição e os mecanismos de proteção e denúncia que temos”, além de “esclarecer que algumas situações que parecem brincadeira são, na verdade, formas de violência”.

Princípios orientadores e arcabouço legal

O Guia para o Acolhimento de Ingressantes da Unesp preconiza que as atividades de recepção devem ser planejadas com base em princípios formativos, que priorizem a integração, o diálogo e o respeito às diferenças. Este modelo substitui as práticas historicamente associadas ao trote, que frequentemente resultam em atividades degradantes, constrangimentos públicos, coerções e ações discriminatórias. O documento adverte que tais comportamentos têm o potencial de causar sérios danos à saúde mental dos estudantes, impactar negativamente seu desempenho acadêmico e, em casos extremos, levar à evasão universitária. A universidade sublinha que um ambiente saudável é fundamental para o desenvolvimento pleno de seus alunos.

Legislação e a responsabilidade institucional

Para além das diretrizes pedagógicas, o Guia sistematiza o arcabouço normativo que regulamenta o tema do trote e das violências. Inclui referências à Lei Estadual nº 10.454/2015, à Lei nº 18.013/2024, à Resolução Unesp nº 86/1999 e à Portaria Unesp nº 68/2022, esta última estabelecendo os fluxos para acolhimento e encaminhamento de denúncias de assédio e violência. O material alerta para as consequências da omissão diante de práticas abusivas, que podem implicar responsabilidade administrativa e civil para as unidades universitárias e seus membros. A prevenção e o enfrentamento dessas ocorrências são, portanto, um dever de toda a comunidade acadêmica. Conforme afirma a professora Ana Maria Klein, “desvelar um discurso que naturaliza a violência é o primeiro passo para o enfrentamento do problema. Se não for uma relação saudável, não tem espaço na universidade”. Essa perspectiva reforça a necessidade de uma mudança cultural e de uma vigilância constante para assegurar um ambiente de respeito mútuo.

Canais de suporte e responsabilidade coletiva

Para garantir que todos os estudantes, especialmente os ingressantes, se sintam seguros e amparados, a Unesp disponibiliza canais formais para registro e encaminhamento de denúncias. A Ouvidoria da Unesp é o espaço designado para situações envolvendo violência, assédio ou discriminação. Adicionalmente, o programa Acolhe Unesp oferece um serviço de escuta especializada, focado no atendimento de casos de violação de direitos, proporcionando um suporte mais direcionado e sensível às vítimas. O Guia enfatiza que o compromisso com o acolhimento e o respeito é uma responsabilidade compartilhada por toda a comunidade universitária. Professora Ana Maria Klein reforça essa ideia: “A Unesp somos todos nós. Por isso, é importante difundir uma cultura de pertencimento: todos que participam da comunidade acadêmica precisam agir de maneira congruente. É uma responsabilidade de todos”. Essa visão coletiva é crucial para construir uma universidade onde a integração e o bem-estar dos alunos sejam prioridades inegociáveis.

Compromisso com um ambiente universitário seguro

O Guia para o Acolhimento de Ingressantes da Unesp representa um passo significativo na consolidação de uma cultura universitária pautada pelo respeito, pela segurança e pela promoção do bem-estar. Ao sistematizar orientações claras, oferecer suporte através de mentorias e canais de denúncia, e ao alertar sobre as consequências legais e éticas do trote, a universidade reafirma seu papel de instituição formadora. O documento não apenas proíbe a violência, mas propõe ativamente uma forma mais humana e integradora de acolher os novos membros, assegurando que o início da jornada acadêmica seja uma experiência positiva e enriquecedora para todos.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual o principal objetivo do Guia para o Acolhimento de Ingressantes da Unesp?
O objetivo principal é fornecer orientações claras para uma recepção segura e acolhedora dos novos estudantes, prevenindo o trote e outras formas de violência, e indicando canais de suporte em caso de violações.

Quais tipos de práticas são consideradas trote e são proibidas?
São consideradas trote e proibidas atividades degradantes, constrangimentos públicos, coerções, práticas discriminatórias e qualquer ação que viole a integridade física ou mental dos estudantes.

Onde os estudantes podem denunciar casos de assédio ou violência?
Os estudantes podem registrar denúncias formalmente na Ouvidoria da Unesp ou buscar o serviço de escuta especializada do Acolhe Unesp para atendimento em casos de violação de direitos.

Para mais informações e para compreender as diretrizes completas de acolhimento e prevenção, acesse o Guia para o Acolhimento de Ingressantes, disponível no portal da Unesp.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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