Ubatuba enfrenta domingo crítico com chuva histórica e alerta de ressaca

10 Tempo de Leitura
Volume de água em 72 horas iguala o previsto para todo o mês de janeiro; Defesa Civil monitora ...

Ubatuba, cidade litorânea no estado de São Paulo, enfrentou um domingo, 4 de fevereiro, de intensa preocupação e mobilização das autoridades. O município se viu no epicentro de uma complexa crise climática, resultante da combinação de chuvas torrenciais recordes e uma forte ressaca marítima. Esta convergência de fenômenos naturais severos impôs desafios significativos à infraestrutura urbana, à mobilidade e, principalmente, à segurança dos moradores e turistas. Em apenas 72 horas, o volume de chuva registrado superou a média esperada para todo o mês de janeiro, colocando Ubatuba no topo do ranking estadual de precipitação e acionando alertas máximos da Defesa Civil e da Marinha do Brasil para os dias subsequentes.

Chuvas históricas e seus impactos urbanos

A cidade de Ubatuba foi atingida por um volume de chuvas sem precedentes no início de fevereiro, marcando um recorde que gerou extensos alagamentos e interrupções em diversas regiões. O cenário climático alarmante foi evidenciado pelos pluviômetros, que registraram impressionantes 200 milímetros na área Central e 225 milímetros no Sertão da Quina nas primeiras horas do domingo. Essa quantidade de água, acumulada em um período tão curto, equivale ao total esperado para todo o mês de janeiro, sublinhando a intensidade e a excepcionalidade do evento meteorológico.

Volume recorde e áreas mais afetadas

A força da água transformou ruas em rios, impactando diretamente a mobilidade urbana e a rotina dos cidadãos. A Avenida Rio Grande do Sul, uma das principais vias do Centro de Ubatuba, teve que ser totalmente interditada. A medida, explicada pelo diretor de trânsito do município, Raphael Queiroz, visou garantir a segurança de veículos e pedestres diante do nível perigosamente alto da água. Além do coração da cidade, diversos bairros reportaram pontos críticos de alagamento. Entre as áreas mais afetadas estavam Tenório, Estufa I e II, Perequê-Açu, Praia Grande e Fortaleza. Ruas emblemáticas como Usina Velha e Vasco da Gama ficaram intransitáveis, com residências e comércios cercados pela água. Equipes de resgate e apoio estiveram em prontidão, embora, felizmente, não houvesse registros oficiais de desabrigados ou vítimas até o momento. A persistência da chuva e a saturação do solo mantiveram as autoridades em estado de vigilância contínua.

Riscos geológicos e monitoramento

A situação se tornou particularmente delicada na região do Camburi, onde o excesso de chuva saturou o solo, elevando drasticamente o risco de deslizamentos de terra. Essa condição não apenas ameaça a segurança das moradias locais, mas também dificulta o acesso viário à área, isolando parcialmente a comunidade. O diretor da Defesa Civil, Alexandre Napoli, confirmou que o monitoramento técnico foi intensificado no Camburi e em outras áreas de risco. A preocupação é premente, dada a possibilidade de movimentação de massa que poderia comprometer vidas e propriedades. A ação preventiva das equipes incluiu a avaliação constante das encostas, a emissão de alertas e a prontidão para evacuações, caso fossem necessárias. A colaboração entre os diferentes órgãos de segurança e assistência foi crucial para gerir a complexidade dos riscos geológicos e hidrológicos que assolaram Ubatuba durante esse período crítico.

O alerta da Marinha e a força do mar

Paralelamente às chuvas torrenciais que assolaram o continente, o litoral de Ubatuba enfrentou uma forte ressaca marítima, impulsionada pela passagem de uma frente fria. Este fenômeno adicionou uma camada extra de perigo, transformando a orla em um ambiente hostil e imprevisível. A combinação de mar agitado e chuvas intensas criou um cenário de alta vulnerabilidade para a região costeira.

Ameaça costeira: ressaca e ondas gigantes

A Marinha do Brasil emitiu um aviso de ressaca, válido de sábado, 3 de fevereiro, até a segunda-feira, dia 5, alertando para ondas que poderiam atingir até 3 metros de altura. Com direção de sudoeste a sul, as ondas gigantes representaram uma séria ameaça não apenas para quem estivesse no mar, mas também para as estruturas costeiras e para a segurança nas praias. Uma ressaca marítima ocorre quando fortes ventos, geralmente associados a sistemas de baixa pressão ou frentes frias, geram ondas de grande amplitude que se propagam até a costa. Em Ubatuba, esse fenômeno resultou em marés mais altas, fortes correntes e uma significativa erosão da orla, com a água avançando sobre as faixas de areia e, em alguns pontos, atingindo as calçadas e comércios à beira-mar. A instabilidade do mar não só dificultou qualquer tipo de operação náutica, como também aumentou exponencialmente o risco para banhistas e curiosos que se aproximassem da água.

Recomendações de segurança e precaução

Diante do cenário de mar agitado e ondas potencialmente perigosas, a Marinha do Brasil e as autoridades locais emitiram recomendações estritas para a população. A principal delas foi a suspensão total de esportes náuticos que dependem das condições do mar, como surfe, windsurf e kitesurf. A prática dessas atividades sob tais condições é extremamente arriscada, podendo resultar em acidentes graves e dificuldades em eventuais operações de resgate. Da mesma forma, a navegação de embarcações de pequeno porte foi veementemente desaconselhada. A instabilidade da superfície do mar e a força das ondas tornam a navegação insegura, com risco de viradas e naufrágios. Para os moradores e turistas em terra, o apelo foi para que evitassem transitar por áreas alagadas e, crucialmente, mantivessem distância de costões rochosos e mirantes à beira-mar. Essas áreas, frequentemente expostas à fúria das ondas, tornam-se escorregadias e extremamente perigosas, com o risco de serem arrastados pela força das águas. A segurança pública e a preservação da vida foram as prioridades máximas em todas as orientações emitidas.

Mobilização das autoridades e planos de contingência

Diante da dupla ameaça de chuvas recordes e ressaca marítima, as autoridades de Ubatuba desencadearam uma intensa mobilização para proteger a população e minimizar os danos. A Defesa Civil, em estreita colaboração com a Diretoria de Trânsito, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos municipais, manteve um estado de prontidão contínua. As equipes realizaram monitoramento constante das áreas de risco, especialmente aquelas suscetíveis a alagamentos e deslizamentos, como o Camburi. A interdição de vias, como a Avenida Rio Grande do Sul, foi uma medida preventiva essencial para garantir a segurança viária e evitar acidentes.

O plano de contingência incluiu a pronta resposta a eventuais ocorrências, a comunicação transparente com a população e a coordenação de esforços para oferecer suporte em caso de necessidade de abrigamento. A prioridade máxima foi a preservação de vidas, e a ausência de registros de desabrigados ou vítimas diretas dos eventos climáticos refletiu a eficácia das ações preventivas e da rápida intervenção das equipes em campo. A situação exigiu vigilância constante e uma adaptação ágil às mudanças climáticas, reafirmando o compromisso da gestão municipal com a segurança e o bem-estar de seus cidadãos.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual a intensidade das chuvas em Ubatuba?
Ubatuba registrou um volume de chuvas recorde, com 200 milímetros na região Central e 225 milímetros no Sertão da Quina em apenas 72 horas. Essa quantidade equivale ao esperado para todo o mês de janeiro, colocando a cidade no topo do ranking de chuvas do estado de São Paulo no período.

Quais as áreas mais afetadas pelos alagamentos e deslizamentos?
Diversos bairros e ruas foram afetados por alagamentos, incluindo Tenório, Estufa I e II, Perequê-Açu, Praia Grande, Fortaleza, e vias como a Usina Velha e a Vasco da Gama. A Avenida Rio Grande do Sul, no Centro, foi totalmente interditada. A região do Camburi é considerada mais delicada devido ao risco elevado de deslizamentos de terra.

Quais são os perigos da ressaca e as recomendações da Marinha?
A Marinha do Brasil emitiu um alerta de ressaca com ondas que podem chegar a 3 metros de altura. Os perigos incluem correntes fortes, risco de erosão costeira, dificuldades para resgates e acidentes. A recomendação é suspender todos os esportes náuticos (surfe, windsurf, kitesurf) e a navegação de pequenas embarcações, além de evitar áreas alagadas e costões rochosos.

Como posso receber alertas da Defesa Civil e acionar emergências?
Para receber avisos da Defesa Civil via SMS, envie o CEP da sua localização para o número 40199. Em caso de emergências, acione imediatamente a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Para se manter atualizado sobre a situação em Ubatuba e receber alertas em tempo real, acompanhe os comunicados oficiais das autoridades locais.

Fonte: https://novaimprensa.com

Compartilhe está notícia