Após uma escalada militar contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acendeu um novo alerta global ao direcionar suas atenções para a Groenlândia e a Colômbia. Em declarações recentes, Trump ameaçou anexar o território semiautônomo dinamarquês e sugeriu uma intervenção militar contra o governo colombiano liderado por Gustavo Petro. As afirmações provocaram uma onda de condenação e preocupação internacional, com líderes europeus e sul-americanos rejeitando veementemente as ameaças. A Dinamarca, em particular, reforçou a soberania da Groenlândia e alertou para as implicações de tais propostas sobre alianças históricas e a estabilidade regional.
As ameaças contra a Groenlândia
As declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia reacenderam uma controvérsia que já pairava desde o início de sua gestão, em janeiro de 2025. Em uma entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou categoricamente que Washington “precisa” do território ártico para a segurança nacional dos EUA. Esta posição foi apresentada de forma explícita, buscando desassociar o interesse norte-americano da riqueza mineral da região. “Não precisamos da Groenlândia por causa dos minerais, temos vários lugares para minerais e petróleo, mais que qualquer país do mundo. Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, declarou o ex-chefe da Casa Branca, sinalizando uma preocupação com a presença crescente de potências rivais no Ártico. A menção de atividades navais russas e chinesas sublinha a percepção de Trump de que a Groenlândia, devido à sua localização estratégica, é um ponto crucial para a defesa e a projeção de poder dos EUA na região polar.
Reações internacionais e soberania
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu com firmeza às ameaças de anexação. Em uma nota oficial, Frederiksen enfatizou que os Estados Unidos não possuem qualquer direito de anexar qualquer parte do Reino da Dinamarca, ao qual a Groenlândia pertence como território semiautônomo. “Tenho que dizer isso muito diretamente aos Estados Unidos: não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre a necessidade de os EUA tomarem posse da Groenlândia”, afirmou a premiê. Ela lembrou ainda que a Dinamarca é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar liderada pelos próprios EUA, e está coberta pela garantia de segurança mútua da organização. “Já temos um acordo de defesa entre o Reino e os Estados Unidos, que concede aos EUA amplo acesso à Groenlândia. E nós, por parte do Reino, investimos significativamente em segurança no Ártico”, completou Frederiksen, apelando para o fim das ameaças contra um aliado histórico. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também se manifestou em uma rede social, classificando a ameaça como “inaceitável” e “desrespeitosa”. “Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, declarou Nielsen, ecoando a indignação pela tentativa de tratar o território como uma mercadoria. Outros chefes de Estado europeus, incluindo os primeiros-ministros da Finlândia, Noruega e Suécia, também rejeitaram as propostas de Trump. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reiterou que o futuro da Groenlândia cabe exclusivamente ao Reino da Dinamarca e ao povo groenlandês.
O alerta para a Colômbia
Paralelamente às ameaças sobre a Groenlândia, Donald Trump também direcionou sua retórica a uma possível ação militar contra a Colômbia, governada pelo presidente de esquerda Gustavo Petro. Em declarações à imprensa, Trump afirmou que uma intervenção militar contra o governo Petro “parece bom”, acompanhada de duras acusações contra o líder colombiano. O ex-presidente dos EUA classificou Petro como um “homem doente” que “gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, alertando que ele “não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. As acusações são graves, sugerindo um vínculo direto do presidente colombiano com o narcotráfico e pintando um cenário de desgoverno na nação sul-americana. Essas declarações, proferidas um dia após uma suposta ação militar contra a Venezuela, indicam uma postura agressiva de Trump em relação aos países da América Latina que se opõem às políticas da Casa Branca ou que são percebidos como ameaças aos interesses norte-americanos. A intensidade das ameaças levanta questões sobre a diplomacia regional e a soberania dos países no continente.
Acusações de Trump e a defesa de Petro
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, rejeitou categoricamente as acusações de Donald Trump, defendendo sua integridade e a legitimidade de seu governo. Em resposta, Petro afirmou: “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas; meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram tornados públicos”. Sua defesa buscou refutar as alegações de envolvimento com o narcotráfico e a ilegitimidade de sua liderança, ao mesmo tempo em que transparentemente apontava para suas finanças pessoais. Em um apelo direto à população, Petro instou o povo colombiano a defendê-lo contra qualquer ato ilegítimo de violência. “Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, declarou. A declaração de Petro destaca a seriedade das ameaças percebidas e mobiliza a sociedade civil como um escudo contra possíveis interferências externas, além de reforçar o compromisso de suas forças de segurança em proteger a soberania nacional.
O cenário geopolítico e as reações aliadas
As recentes ameaças de Donald Trump contra a Groenlândia e a Colômbia, sucedendo uma ação militar na Venezuela, desencadearam uma onda de condenação e preocupação na comunidade internacional. O contexto geopolítico, já tenso pela suposta operação militar anterior, foi ainda mais fragilizado pelas propostas de anexação e intervenção. O Brasil, em conjunto com outros cinco países, emitiu um comunicado condenando o ataque à Venezuela, o que sinaliza uma ampla desaprovação regional às ações unilaterais dos EUA. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também destacou que cabe aos Estados Unidos justificarem suas ações na Venezuela, um posicionamento que reflete a necessidade de transparência e adesão ao direito internacional por parte de potências globais. A postura de Trump, ao desconsiderar os princípios de soberania e autodeterminação, coloca em xeque a confiança entre nações e a estabilidade das alianças existentes. A reiteração da Dinamarca sobre sua condição de membro da OTAN e a garantia de segurança da aliança, liderada pelos próprios EUA, expõe a contradição e a tensão gerada pelas declarações do ex-presidente, que parecem minar os pilares da cooperação internacional.
Implicações para a diplomacia global
As ameaças de Donald Trump têm implicações profundas para a diplomacia global e as relações internacionais. A possibilidade de anexação da Groenlândia não apenas viola o direito internacional e a soberania dinamarquesa, mas também desestabiliza a região do Ártico, uma área de crescente importância estratégica. A retórica agressiva contra a Colômbia, com acusações sem provas e a sugestão de ação militar, mina a soberania de um país sul-americano e pode inflamar ainda mais as tensões na América Latina. Tais declarações, especialmente vindo de uma figura com influência política significativa nos EUA, testam a resiliência das alianças ocidentais e a capacidade da comunidade internacional de defender seus princípios fundamentais. A comunidade global observa atentamente os desdobramentos, ciente de que a manutenção da paz e da ordem mundial depende do respeito mútuo e do diálogo, e não de ameaças unilaterais.
Perguntas Frequentes
1. Por que Donald Trump ameaçou anexar a Groenlândia?
Trump justificou seu interesse pela Groenlândia por razões de “segurança nacional”, mencionando a presença de navios russos e chineses na região ártica. Ele afirmou que a anexação não estaria ligada a recursos minerais, mas sim à posição estratégica do território para a defesa dos Estados Unidos.
2. Como a Dinamarca e a Groenlândia reagiram às ameaças de Trump?
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, rejeitou veementemente a ideia, afirmando que a Dinamarca é um país soberano e membro da OTAN. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, classificou as ameaças como “inaceitáveis” e “desrespeitosas”, ressaltando que o território não é objeto de barganha de superpotências.
3. Quais foram as acusações de Trump contra o presidente colombiano Gustavo Petro e como ele respondeu?
Donald Trump acusou Gustavo Petro de ser um “homem doente” que “gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, sugerindo uma ação militar contra a Colômbia. Petro refutou as acusações, declarando que não é ilegítimo nem traficante de drogas, e pediu ao povo colombiano que o defendesse contra qualquer ato de violência ou invasão.
4. Outros países se manifestaram sobre as ameaças de Trump?
Sim. O Reino Unido, por meio de seu primeiro-ministro Keir Starmer, e outros países europeus como Finlândia, Noruega e Suécia, manifestaram-se em apoio à Dinamarca e à Groenlândia, reforçando o direito à autodeterminação. Além disso, o Brasil e outros cinco países condenaram a ação militar contra a Venezuela, indicando uma preocupação mais ampla na região.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos e as reações internacionais a esta complexa crise geopolítica.


