As intensas e contínuas chuvas que castigam a Zona da Mata mineira desde a última segunda-feira, 23 de fevereiro, resultaram em um cenário de devastação e luto, com o número de vítimas fatais atingindo a marca de 36 pessoas. De acordo A calamidade se estende, com um preocupante registro de 31 pessoas ainda desaparecidas em Juiz de Fora e duas em Ubá, intensificando as operações de busca e resgate. Apesar da gravidade na região, a cidade de Matias Barbosa, embora fortemente atingida, não registrou mortos ou desaparecidos até o momento. Um total de 208 pessoas foi resgatado com vida, um alívio em meio ao caos.
O impacto devastador das chuvas na Zona da Mata
As cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, foram duramente castigadas por um volume de chuvas sem precedentes, desencadeando uma série de desastres naturais que ceifaram vidas e transformaram a paisagem local. A dimensão da tragédia se revela nos números alarmantes de vítimas e nas consequências para a infraestrutura e a população.
Balanço de vítimas e desaparecidos
O Corpo de Bombeiros, atuando incansavelmente nas áreas afetadas, confirmou que o saldo de vidas perdidas chegou a 36. Juiz de Fora concentra a maior parte dessas fatalidades, com 30 mortes registradas, evidenciando a intensidade dos deslizamentos e inundações que assolaram o município. Em Ubá, outras seis pessoas perderam a vida em decorrência dos temporais. Além do lamentável número de mortos, a esperança de encontrar sobreviventes diminui a cada hora que passa, com 31 indivíduos ainda desaparecidos em Juiz de Fora e outros dois em Ubá. Equipes de resgate, com o apoio de cães farejadores e equipamentos especializados, prosseguem na remoção de escombros e lama na tentativa de localizar as pessoas sumidas. Até o momento, a ação heroica dos bombeiros e voluntários conseguiu resgatar 208 pessoas com vida, muitas delas soterradas ou ilhadas, em um trabalho que exige cautela e agilidade em meio aos riscos. Felizmente, a cidade de Matias Barbosa, apesar de ter sido severamente impactada, não registrou mortos nem desaparecidos, um contraste com as vizinhas Juiz de Fora e Ubá.
Cenário de destruição e recordes pluviométricos
A magnitude das chuvas transformou a realidade das cidades. Juiz de Fora, em particular, enfrentou um volume de precipitação histórico, registrando um acumulado de 584 milímetros (mm). Este índice coloca fevereiro como o mês mais chuvoso já documentado na história do município, superando em mais do dobro o esperado para o período. A prefeitura de Juiz de Fora contabiliza mais de 3,5 mil pessoas desabrigadas e desalojadas, necessitando de abrigo e assistência imediata. A Defesa Civil municipal recebeu 772 ocorrências, abrangendo desde deslizamentos de terra e quedas de barreiras até inundações e desmoronamentos de imóveis.
Em Ubá, a situação não foi menos crítica. Em aproximadamente três horas e meia, a cidade foi atingida por 170 milímetros de chuva, um volume extraordinário em um curto espaço de tempo. O Rio Ubá, reagindo à sobrecarga, atingiu a marca de 7,82 metros, transbordando e inundando diversas áreas urbanas, causando destruição e forçando a evacuação de moradores.
Resposta governamental e esforços de suporte
Diante da escala da calamidade, uma robusta mobilização de recursos e equipes foi acionada nos níveis estadual e federal para prestar socorro às comunidades afetadas e iniciar as ações de recuperação. A coordenação entre diferentes esferas governamentais busca otimizar a assistência e minimizar o sofrimento da população.
Ações do governo de Minas Gerais
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, esteve em Juiz de Fora na manhã de quarta-feira, 25 de fevereiro, para acompanhar de perto a situação e reforçar o compromisso do estado com a população. Ele assegurou que todo o suporte humanitário necessário está sendo providenciado para os desabrigados e desalojados. Em entrevista ao programa Alô, Alô, Brasil, da Rádio Nacional, o governador destacou a intensidade dos trabalhos de resgate. “Esta madrugada seis vítimas foram localizadas. A previsão é que o trabalho dos bombeiros ainda deve durar até cinco dias. Há muito escombro, muita lama para ser removida”, afirmou Zema, ressaltando a complexidade e a extensão das operações de busca e limpeza.
Apoio do governo federal e força-tarefa
O governo federal agiu rapidamente, anunciando na tarde de terça-feira, 24 de fevereiro, um repasse emergencial de R$ 800 para cada pessoa desabrigada na Zona da Mata de Minas Gerais. Os recursos serão direcionados às prefeituras para a aquisição de itens de primeira necessidade, como colchões, alimentos, vestuário e outros suprimentos essenciais para as famílias que perderam suas casas e bens. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, explicou a finalidade do recurso em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto: “Nós temos centenas de pessoas desabrigadas, aí é para a prefeitura para comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar”.
Além do suporte financeiro, equipes multidisciplinares foram deslocadas para a região. Profissionais da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos e outros especialistas, foram enviados. Eles levaram kits de emergência contendo medicamentos e insumos importantes para atender às necessidades de saúde da população em crise. Paralelamente, a Defesa Civil Nacional enviou oito técnicos especialistas do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) para a Zona da Mata mineira. Esses profissionais têm como missão colaborar na aceleração das ações de assistência humanitária, na restauração de serviços essenciais e na etapa de reconstrução das cidades atingidas, oferecendo expertise técnica e logística.
Alerta de chuvas contínuas e recomendações
O cenário de alerta na Zona da Mata mineira permanece ativo, com as previsões meteorológicas indicando a continuidade das chuvas, o que exige máxima vigilância da população e das autoridades.
Previsão meteorológica para o estado
A Defesa Civil estadual emitiu um alerta para a quarta-feira, 25 de fevereiro, indicando a expectativa de tempestades em todo o estado de Minas Gerais. Estas condições climáticas adversas podem ser acompanhadas de volumes pluviométricos acumulados de aproximadamente 40 milímetros, rajadas de vento que podem superar os 70 quilômetros por hora e a eventual ocorrência de granizo. A instabilidade do tempo sugere que os riscos de novos incidentes ainda são elevados.
Recomendações e riscos associados
Diante das previsões, a Defesa Civil recomenda atenção redobrada para o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra, fenômenos que já causaram grande destruição na região. Adicionalmente, há a possibilidade de queda de árvores e destelhamentos, especialmente em áreas consideradas mais vulneráveis, como encostas e regiões ribeirinhas. A orientação é para que a população evite áreas de risco, siga as instruções das autoridades locais e procure abrigos seguros em caso de emergência, mantendo-se atenta aos avisos emitidos pelos órgãos competentes.
Recuperação e solidariedade em meio à crise
A Zona da Mata mineira enfrenta um dos períodos mais desafiadores de sua história recente, com o impacto das chuvas se desdobrando em uma crise humanitária de proporções significativas. As 36 mortes confirmadas e as dezenas de desaparecidos representam a face mais dolorosa dessa tragédia, enquanto milhares de pessoas lutam para reconstruir suas vidas após perderem tudo. A mobilização em Juiz de Fora e Ubá, com esforços conjuntos de resgate, assistência e planejamento de reconstrução, demonstra a urgência e a complexidade da situação. A resposta coordenada dos governos estadual e federal, juntamente com o apoio da sociedade civil, será crucial para mitigar o sofrimento e pavimentar o caminho para a recuperação dessas comunidades. A solidariedade e a resiliência dos mineiros, mais uma vez, serão postas à prova diante de um cenário de tamanha adversidade.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quantas vítimas fatais foram confirmadas nos temporais em Minas Gerais?
Até a manhã de quarta-feira, 25 de fevereiro, foram confirmadas 36 mortes devido aos temporais na Zona da Mata mineira. Deste total, 30 ocorreram em Juiz de Fora e 6 em Ubá.
Quais cidades foram mais afetadas na Zona da Mata mineira?
As cidades mais afetadas foram Juiz de Fora e Ubá, que registraram a maioria das mortes e desaparecidos, além de um número expressivo de desabrigados e desalojados. Matias Barbosa também foi atingida, mas sem registro de vítimas fatais.
Que tipo de assistência está sendo prestada às vítimas?
Os esforços de assistência incluem o resgate de pessoas por equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, suporte humanitário com abrigos temporários, e um repasse federal de R$ 800 por pessoa desabrigada para aquisição de itens de primeira necessidade. Além disso, equipes de saúde (SUS) e assistência social (Suas) foram enviadas para a região.
Qual o volume de chuva recorde em Juiz de Fora?
Juiz de Fora acumulou 584 milímetros de chuva, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história do município, com volume superior ao dobro do esperado para o período.
Mantenha-se informado sobre a situação e as formas de ajudar as comunidades afetadas. Acompanhe as atualizações das autoridades locais e nacionais e participe das campanhas de solidariedade para apoiar as vítimas.


