Sete governadores unem forças em consórcio de combate ao crime

4 Tempo de Leitura
© Governo do RJ/Divulgação

Sete governadores formalizaram, nesta quinta-feira, um acordo para a criação do “Consórcio da Paz”, uma iniciativa colaborativa com o objetivo de intensificar o combate ao crime organizado. A parceria estratégica visa o intercâmbio de informações de inteligência, apoio financeiro e o compartilhamento de contingente policial entre os estados participantes.

O anúncio do consórcio ocorre em um momento delicado, após uma operação no Rio de Janeiro que resultou em um alto número de mortes nos complexos do Alemão e da Penha, com pelo menos 121 óbitos confirmados.

A reunião para oficializar o consórcio aconteceu no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, e contou com a presença dos governadores do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Goiás, além da vice-governadora do Distrito Federal. O governador de São Paulo participou do encontro de forma remota.

O Rio de Janeiro foi escolhido como sede inicial do consórcio, sendo responsável pela organização e formalização do grupo. Segundo o governador do Rio de Janeiro, a principal meta é a troca de estratégias eficazes no enfrentamento ao crime.

Embora a iniciativa tenha sido inicialmente liderada por governadores alinhados politicamente, o objetivo é expandir a adesão para incluir todas as 27 unidades da Federação. A intenção é criar uma rede de colaboração que permita o compartilhamento de experiências, recursos humanos qualificados e a aquisição conjunta de equipamentos, visando enfrentar a crescente onda de violência que afeta o país.

Durante o encontro, os governadores elogiaram os resultados da recente operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, com um dos governadores a classificando como um marco para a segurança pública no Brasil. A operação, apesar de ter apreendido um número significativo de fuzis e ter resultado na morte de mais de uma centena de pessoas, incluindo policiais, não conseguiu capturar o principal alvo, um chefe da facção criminosa Comando Vermelho.

Especialistas em segurança pública têm apontado que o crime organizado envolve estruturas econômicas e sociais complexas, e que operações isoladas não são suficientes para desmantelar suas raízes. Organizações da sociedade civil têm criticado a alta letalidade policial e o impacto nas comunidades afetadas, com relatos de execuções e torturas.

Os governadores ressaltaram que o objetivo do consórcio é promover ações práticas, evitando a politização da segurança pública. No entanto, críticas foram feitas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada pelo governo federal ao Congresso, que busca dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), integrando as forças de segurança em todo o país. Alguns governadores argumentam que a PEC retira autonomia dos estados na definição das diretrizes da segurança pública.

Em paralelo, o governo federal e o governo do Rio de Janeiro anunciaram a criação de um escritório emergencial para combater o crime organizado no estado, buscando uma maior integração entre as esferas federal e estadual. O governo federal planeja aumentar o efetivo da Polícia Rodoviária Federal e de agentes de inteligência no Rio, além de enviar peritos. Adicionalmente, o governo federal já autorizou a transferência de dez detentos para presídios federais, atendendo a um pedido do governo estadual.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe está notícia