Sensor nacional de qualidade do ar lançado no Acampamento Terra Livre

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© Paulo Pinto/Agencia Brasil

Um inovador sensor de qualidade do ar de baixo custo, desenvolvido por pesquisadores brasileiros, foi oficialmente apresentado nesta segunda-feira (6) no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. Este lançamento marca um passo significativo na expansão do monitoramento ambiental em regiões historicamente desassistidas, como comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais. A tecnologia nacional surge como uma resposta direta à necessidade de dados mais abrangentes sobre a poluição atmosférica, alinhando-se com as diretrizes da Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei 14.850/2024). Com a promessa de um acompanhamento mais detalhado e adaptado às peculiaridades climáticas do país, o novo equipamento visa preencher lacunas cruciais na rede de monitoramento existente, garantindo que informações vitais sobre a saúde respiratória e o meio ambiente cheguem a quem mais precisa, especialmente na Amazônia.

Inovação para o monitoramento da qualidade do ar no Brasil

O Brasil enfrenta um desafio complexo na medição da qualidade do ar, com a maioria das estações de monitoramento concentrada em grandes centros urbanos. Dados recentes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima revelam a disparidade: das 570 estações existentes no país, apenas 12 estão localizadas em Terras Indígenas. Este cenário deixa vastas áreas, muitas delas ecologicamente sensíveis e habitadas por populações vulneráveis, sem informações precisas sobre a qualidade do ar que respiram.

Expansão e alcance da tecnologia

É nesse contexto que o novo sensor de baixo custo, fruto da colaboração entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), se torna uma ferramenta estratégica. O principal objetivo é romper as barreiras geográficas e econômicas que limitam o monitoramento atual. A intenção é que os dados sobre a qualidade do ar sejam coletados não apenas em cidades, mas também em categorias fundiárias diversas, como comunidades tradicionais, unidades de conservação ambiental e propriedades rurais. Essa expansão é fundamental para cumprir o espírito da Política Nacional de Qualidade do Ar, que preconiza um monitoramento completo e representativo da realidade brasileira. A iniciativa promete democratizar o acesso a informações ambientais, permitindo que essas comunidades se tornem protagonistas na gestão de seus territórios e na defesa de sua saúde.

RedeAr: Articulação para dados integrados e saúde pública

A chegada do sensor de qualidade do ar de baixo custo é o catalisador para a criação de uma rede de monitoramento ambiental robusta e capilarizada. O projeto envolve uma estratégia de distribuição e articulação que visa maximizar o impacto da nova tecnologia, especialmente na Região Amazônica.

Distribuição e formação da RedeAr

O primeiro lote de 60 sensores de tecnologia nacional será distribuído estrategicamente através da rede Conexão Povos da Floresta. Esta aliança é composta por organizações de peso, incluindo o Ipam, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS). A partir de setembro, essa iniciativa culminará na criação da RedeAr, uma plataforma dedicada ao monitoramento da poluição, umidade e temperatura em comunidades tradicionais e áreas públicas da Amazônia Legal.

A ambição da RedeAr vai além da coleta de dados. Ela prevê a integração desses dados ambientais com índices de atendimento de doenças respiratórias, fornecidos pela Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e pelo Telesaúde. Essa conexão direta entre a qualidade do ar e a saúde pública é crucial para identificar padrões, compreender o impacto ambiental na saúde das populações e, consequentemente, subsidiar políticas públicas mais eficazes. Um estudo de 2024, por exemplo, revelou que períodos de extremos climáticos na Amazônia, como secas severas agravadas por queimadas, resultaram em 138 dias de ar nocivo à saúde em diversos estados da região. Essa realidade desmistifica a ideia popular de que o ar na Amazônia é sempre puro, evidenciando a urgência de um monitoramento contínuo e preciso.

Vantagens da tecnologia nacional e perspectivas futuras

A decisão de desenvolver um sensor de qualidade do ar nacional foi impulsionada pela necessidade de superar as limitações dos equipamentos importados, que frequentemente apresentam custos elevados, dificuldades na assistência técnica e pouca adaptabilidade às condições ambientais específicas do Brasil, especialmente da Amazônia.

Superando desafios e projeções

Os sensores importados, além do preço e da complexidade de manutenção em regiões remotas, não são projetados para resistir aos desafios climáticos e biológicos da Região Amazônica. Problemas como a entrada de insetos (formigas, abelhas, aranhas) e o acúmulo de poeira comprometem a funcionalidade e a vida útil desses equipamentos. O modelo nacional foi concebido com um sistema de proteção interna robusto, especificamente para mitigar essas vulnerabilidades.

Além da resistência, a tecnologia brasileira oferece vantagens operacionais importantes: ela armazena os dados internamente em caso de interrupção do sinal de internet, garantindo a continuidade do registro, e permite a integração de dados gerados por outros modelos de sensores, facilitando a operação em rede. A expectativa é que, com a integração dos novos equipamentos aos já existentes e futuras expansões, a RedeAr consiga instalar cerca de 200 sensores até o final do ano. Essa rede expandida não apenas fortalecerá o monitoramento ambiental, mas também servirá como base para o desenvolvimento de programas de educação ambiental e para o fortalecimento das políticas de prevenção e combate a queimadas, promovendo um engajamento comunitário fundamental para a sustentabilidade da Amazônia. O equipamento, símbolo dessa inovação, está exposto na tenda da Coiab durante a programação do Abril Indígena do Acampamento Terra Livre, em Brasília, até o dia 11 de abril.

Perguntas frequentes sobre o novo sensor de qualidade do ar

O que é o novo sensor de qualidade do ar e quem o desenvolveu?
É um sensor de baixo custo desenvolvido para medir a poluição do ar, resultado da colaboração entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

Qual é o principal objetivo do lançamento deste sensor?
O principal objetivo é expandir o monitoramento da qualidade do ar para além das cidades, alcançando comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais, tornando o acompanhamento mais completo e alinhado com a Política Nacional de Qualidade do Ar.

Como a tecnologia nacional se diferencia dos equipamentos importados?
O sensor nacional é mais adaptado às condições da Região Amazônica, com um sistema de proteção interna contra insetos e poeira. Além disso, ele armazena dados mesmo sem internet e integra-se facilmente a outros modelos, superando os altos custos e dificuldades de manutenção dos equipamentos importados.

Como os dados coletados pela RedeAr serão utilizados?
Os dados sobre poluição, umidade e temperatura serão integrados a índices de atendimento de doenças respiratórias da Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e do Telesaúde, auxiliando na compreensão do impacto da qualidade do ar na saúde das populações e na formulação de políticas públicas eficazes.

Para saber mais sobre como essa inovação impactará a vida de milhões de pessoas e o futuro da Amazônia, e como você pode apoiar iniciativas de monitoramento ambiental e educação, explore os programas e projetos das organizações envolvidas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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