Pesquisas inovadoras realizadas em hospitais e universidades do interior paulista têm revolucionado a abordagem ao câncer de mama. Desde diagnósticos mais rápidos e confortáveis até o monitoramento da doença por meio de métodos menos invasivos, estudos demonstram que a ciência é uma aliada crucial para aumentar as chances de cura e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Em Jaú, o Hospital Amaral Carvalho participa de uma pesquisa promissora com biópsia líquida, visando auxiliar no monitoramento da doença. Essa técnica inovadora permite detectar fragmentos tumorais em fluidos corporais, como sangue e urina, eliminando a necessidade de internação. A farmacêutica bioquímica Ludmilla Thomé Domingos Chinen, responsável pela pesquisa, explica que a biópsia líquida identifica células tumorais e fragmentos de DNA liberados pelo tumor no organismo, oferecendo resultados mais rápidos, menos invasivos e com menor custo. O foco atual é monitorar a resposta da paciente ao tratamento e ajustar a terapia precocemente, evitando efeitos colaterais desnecessários. Mais de 200 pacientes colaboram voluntariamente com o estudo, fornecendo amostras de sangue a cada seis meses.
Enquanto isso, na Unesp de Botucatu, pesquisadores implantaram um protocolo que reduz drasticamente o tempo da ressonância magnética para diagnóstico. O novo protocolo, baseado em estudos de uma médica alemã, diminui o tempo do exame de 30 para apenas 8 minutos, sem comprometer a qualidade do diagnóstico. O professor Eduardo Carvalho Pessoa, da Faculdade de Medicina da Unesp, destaca que o novo método permitiu ampliar o número de exames realizados mensalmente de oito para quarenta. A residente em radiologia Thais Lima Fragoso explica que o protocolo eliminou etapas desnecessárias, mantendo a qualidade da imagem e a capacidade de rastreamento. A biomédica Fernanda Lofiego Renosto ressalta que o novo formato tornou o processo mais humanizado, reduzindo em cerca de 90% os casos de pacientes que não conseguiam concluir o exame devido ao desconforto.
Em Presidente Prudente, um estudo conduzido pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) revela a influência direta da alimentação no tratamento oncológico. A pesquisa constatou que a maioria das pacientes em tratamento consome alimentos inflamatórios, como ultraprocessados, frituras e carnes processadas, e poucos alimentos anti-inflamatórios, como frutas, verduras e peixes. A professora e nutricionista oncológica Sandra Genaro enfatiza a importância de uma alimentação equilibrada e individualizada para diminuir os efeitos colaterais da quimioterapia e manter a imunidade do paciente. A pesquisadora Bianca Francisco da Silva complementa que o acompanhamento nutricional contribui para o bem-estar geral das pacientes, tornando o tratamento mais leve.
Fonte: g1.globo.com


