O planeta Terra, interpretado por Kailane Vinício, busca entender as origens de sua condição no terceiro episódio do podcast “S.O.S! Terra Chamando!”. Intitulado “Anamnese do Esgotamento”, o programa mergulha na história da “revolução humana” que levou o planeta à beira do colapso.
A narrativa leva o ouvinte a 10 mil anos atrás, ao Holoceno, período marcado pelo surgimento da agricultura e a transição de um estilo de vida nômade para o sedentarismo. O podcast questiona como essa mudança, inicialmente uma forma de sobrevivência, evoluiu para um padrão insustentável.
O psicanalista e escritor Thiago Novaes oferece uma perspectiva sobre essa transição, sugerindo que a “fome” pode ser uma memória das dificuldades enfrentadas pelos ancestrais, impulsionando uma voracidade insaciável.
A Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, é identificada como um ponto de inflexão crítico. O episódio destaca como o crescimento populacional e a produção em massa, impulsionados pelos combustíveis fósseis, criaram um cenário de desequilíbrio.
O especialista em Demografia José Eustáquio Diniz Alves aponta que o crescimento econômico e demográfico dos últimos 250 anos superou o de todo o período anterior, desde o surgimento do Homo sapiens, mas ressalta que esse avanço ocorreu “às custas do encolhimento e empobrecimento do meio ambiente.”
O climatologista Carlos Nobre, membro dos “Guardiões Planetários”, adverte sobre as consequências do esgotamento dos recursos naturais. Ele enfatiza que o aumento da temperatura global pode tornar vastas áreas do planeta inabitáveis e desencadear a sexta maior extinção de espécies. “Nós estamos fazendo uma temperatura [cujo clima] não existe há milhões de anos”, afirma Nobre.
A pesquisadora da Fiocruz, Dominichi Miranda, complementa a análise, indicando que a “Grande Aceleração” não se limita à Revolução Industrial, mas também ao uso intensivo de plásticos, produtos químicos na agricultura e testes nucleares a partir dos anos 1940 e 1950.
“S.O.S! Terra Chamando!” é uma produção conjunta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e está disponível nas principais plataformas de áudio.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


