Professora Jussara: áudios e mistérios cercam a morte do marido em Bebedouro

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G1

A tranquila cidade de Bebedouro, no interior de São Paulo, tornou-se palco de um complexo e intrigante caso policial envolvendo a professora de estética Jussara Luzia Fernandes, de 62 anos. A morte do marido, Walter Gilmar de Pádua Carneiro, de 65 anos, encontrado na piscina de casa em janeiro de 2025, que inicialmente foi tratada como afogamento, agora é objeto de uma investigação de homicídio. Essa reviravolta dramática ocorreu após a emergência de novas evidências, incluindo áudios da suspeita e contradições em seu depoimento, e, principalmente, a confissão de Jussara sobre o assassinato de seu namorado, Alex Sandro da Silva Rocha, de 21 anos, cujo corpo foi encontrado enterrado na mesma residência. O caso revela camadas de mistério e levanta sérias questões sobre os eventos ocorridos na propriedade.

A misteriosa morte de Walter Carneiro e as primeiras dúvidas

O corpo de Walter Gilmar de Pádua Carneiro, de 65 anos, foi descoberto sem vida na piscina de sua casa no bairro Eldorado, em Bebedouro, no início de 2025. De acordo com o registro policial, foi a então esposa, Jussara Luzia Fernandes, quem encontrou o corpo e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Inicialmente, o laudo necroscópico apontou afogamento como causa da morte, e o caso foi registrado no 2º Distrito Policial como morte suspeita. Contudo, desde o princípio, a versão de Jussara e as circunstâncias levantaram suspeitas que progressivamente se adensaram, levando a uma reavaliação completa da investigação por parte da Polícia Civil.

Contradições no depoimento da esposa

Jussara Luzia Fernandes alegou ter saído de casa por volta das 6h30 da manhã do dia em que Walter morreu para entregar uma encomenda a uma amiga, deixando o marido dormindo. Ela afirmou ter passado na feira e no mercado, retornando à residência por volta das 9h30, quando, ao abrir a área da piscina para a cachorra, encontrou o corpo de Walter na água. A professora de estética também mencionou que Walter sofria de ataques epilépticos, inclusive um na noite anterior ao falecimento. No entanto, essas declarações foram severamente abaladas por evidências. Imagens de câmeras de segurança mostraram que Jussara já estava na residência no horário em que ela afirmava ter estado ausente. Além disso, dias antes da morte, a filha de Walter, Bruna Carneiro, relatou que seu pai apresentava um quadro de saúde deteriorado, com episódios de vômito e sonolência, o que contraria a narrativa de uma morte súbita por infarto ou acidente. Essas informações indicam possíveis falsidades no depoimento de Jussara, conforme apontado pela advogada que representa a família de Walter.

Áudios reveladores e o pedido de discrição

A investigação do caso Walter Carneiro ganhou contornos ainda mais complexos com a inclusão de áudios enviados por Jussara Luzia Fernandes via celular, momentos após a descoberta do corpo do marido. Essas mensagens, direcionadas à filha de Walter, Bruna Carneiro, tornaram-se elementos cruciais para a Polícia Civil, revelando uma preocupação incomum com a divulgação da notícia e o teor das informações que seriam compartilhadas. O conteúdo dos áudios demonstra uma tentativa de controle da narrativa por parte da professora de estética, gerando ainda mais desconfiança entre os investigadores e a família da vítima.

As mensagens de Jussara à filha de Walter

Em uma das mensagens mais incisivas, Jussara pede a Bruna: “Bruna, faz um favor para mim: não posta que ele faleceu ainda não, deixa eu resolver tudo primeiro.” Esse pedido de adiamento na divulgação da morte, partindo da própria esposa, soou alarmante. Em outro áudio, a professora de estética especula sobre a causa da morte, atribuindo aos bombeiros a hipótese de um infarto. “Os bombeiros estão achando que ele infartou e caiu na piscina, agora vamos ver a perícia o que vai dar, provavelmente foi infarto mesmo”, disse ela, antes mesmo dos resultados periciais confirmarem qualquer causa. A sugestão de infarto, dada por Jussara, é vista como uma tentativa de direcionar a investigação inicial. Mais adiante, em outra mensagem, Jussara reforça o pedido de discrição e seletividade na comunicação. “Se você deixar e alguém perguntar do que foi, fala do que foi não, nem responde, só para pessoas mais íntimas.” Tais solicitações para omitir a causa da morte ou restringir as informações a um círculo íntimo são consideradas bastante suspeitas pela polícia, contribuindo significativamente para a reclassificação do caso de afogamento para homicídio.

A confissão de um outro assassinato e a reviravolta no caso

A investigação sobre a morte de Walter Gilmar de Pádua Carneiro tomou um rumo totalmente inesperado e sombrio quando Jussara Luzia Fernandes confessou ter cometido outro assassinato. Esta revelação não apenas intensificou as suspeitas em torno da professora de estética, mas também forneceu um contexto assustador para a reabertura do caso de seu marido, transformando Bebedouro em palco de um drama criminal sem precedentes.

O brutal assassinato de Alex Sandro da Silva Rocha

A confissão de Jussara Luzia Fernandes se deu em relação ao homicídio de Alex Sandro da Silva Rocha, seu namorado de 21 anos. O crime ocorreu entre a noite de 21 de outubro e a madrugada de 22 de outubro do ano anterior, na mesma residência no bairro Eldorado, onde Walter Carneiro foi encontrado morto meses depois. Após uma denúncia anônima, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) e da polícia foram ao endereço da professora. Inicialmente, Jussara negou qualquer crime, mas posteriormente, na presença de um advogado, confessou ter matado o jovem. O delegado responsável pelo caso revelou detalhes chocantes, afirmando que Alex Sandro foi brutalmente agredido, recebendo pelo menos 40 golpes de tesoura. Após o assassinato, o corpo da vítima foi enterrado no quintal da mesma propriedade. A descoberta e a confissão deste crime anterior, com características de extrema violência e ocultação de cadáver no mesmo local onde Walter morreria pouco tempo depois, foram o fator determinante para que a morte do marido fosse imediatamente reexaminada. A polícia realizou a exumação do corpo de Walter, sinalizando a gravidade das novas informações e a necessidade de uma investigação aprofundada sobre a causa de sua morte.

A atuação da defesa e o andamento da investigação

Diante da complexidade dos fatos e da confissão de Jussara Luzia Fernandes sobre o assassinato de Alex Sandro, a investigação sobre a morte de Walter Carneiro intensificou-se. A Polícia Civil de Bebedouro agora lida com um cenário em que a mesma pessoa é central em dois casos de homicídio, ambos ocorridos na mesma propriedade, gerando grande repercussão e clamor por justiça. O papel da defesa das partes envolvidas é crucial neste intrincado processo legal.

Família de Walter busca justiça

A advogada Isabella Feloni, que representa a família de Walter Gilmar de Pádua Carneiro, tem sido vocal em relação às evidências que contradizem a versão inicial de Jussara. Ela destaca que as novas informações, como as imagens de câmeras de segurança que desmentem o álibi da professora e os áudios que revelam pedidos de discrição, podem provar que Jussara mentiu em depoimento, quando afirmou ter encontrado o marido já sem vida. A família de Walter anseia por respostas e justiça, questionando a narrativa inicial de afogamento desde o princípio, e vê na reabertura do caso como homicídio uma chance de elucidação completa dos fatos. Até o momento, a defesa de Jussara não se manifestou publicamente sobre as novas acusações relacionadas à morte de Walter. Enquanto isso, a professora de estética já foi formalmente denunciada e se tornou ré pela morte de Alex Sandro da Silva Rocha. A Polícia Civil segue trabalhando na coleta de mais provas para solidificar a acusação no caso de Walter, buscando desvendar todas as camadas de mistério que cercam as duas trágicas mortes na residência em Bebedouro.

O intrincado caminho da justiça

O cenário que se desenha em Bebedouro é de uma complexidade singular, com Jussara Luzia Fernandes no centro de duas investigações de homicídio, ambas conectadas à mesma residência. A confissão do brutal assassinato de Alex Sandro da Silva Rocha e a descoberta de seu corpo enterrado na propriedade foram o estopim para que as autoridades revissem minuciosamente a morte de Walter Gilmar de Pádua Carneiro, inicialmente tratada como afogamento. A convergência de evidências – desde as mensagens de áudio pedindo sigilo e discrição, passando pelas imagens de câmeras de segurança que desmentem o álibi da suspeita, até as preocupações da família de Walter sobre a deterioração de sua saúde – aponta para uma trama que vai muito além de um simples acidente. A Polícia Civil agora tem o desafio de ligar todas essas peças, enquanto a sociedade aguarda respostas claras e a justiça para as vítimas. Este caso ressalta a importância da persistência investigativa e da análise de todos os elementos para que a verdade prevaleça.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quem são as principais pessoas envolvidas neste complexo caso?
As principais pessoas são Jussara Luzia Fernandes, professora de estética e suspeita; Walter Gilmar de Pádua Carneiro, seu marido, encontrado morto na piscina; Alex Sandro da Silva Rocha, seu namorado, confessadamente assassinado por Jussara; e Bruna Carneiro, filha de Walter, destinatária de áudios suspeitos.

Por que a morte de Walter Carneiro, inicialmente tratada como afogamento, passou a ser investigada como homicídio?
A mudança na investigação ocorreu devido a diversas contradições no depoimento de Jussara, incluindo um álibi desmentido por câmeras de segurança, áudios pedindo sigilo sobre a morte de Walter, e, principalmente, a confissão de Jussara sobre o assassinato de seu namorado Alex Sandro na mesma propriedade.

Qual a conexão entre as mortes de Walter Carneiro e Alex Sandro da Silva Rocha?
Ambas as mortes ocorreram na mesma residência, no bairro Eldorado, em Bebedouro. A professora Jussara Luzia Fernandes é a principal suspeita ou já confessou ser a autora em ambos os casos. A confissão do assassinato de Alex Sandro, ocorrido meses antes, foi o fator decisivo para a reabertura e reclassificação da morte de Walter como homicídio.

Acompanhe os desdobramentos deste complexo caso e participe da discussão sobre a busca por justiça em Bebedouro.

Fonte: https://g1.globo.com

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