Prefeitura de sp mira 5 quarteirões na vila olímpia para plano viário antigo

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G1

A Prefeitura de São Paulo planeja desapropriar cinco quarteirões na Vila Olímpia, zona sul da cidade, para finalmente implementar um projeto viário concebido em 1968. A medida impactará diretamente pelo menos uma centena de imóveis, incluindo residências e estabelecimentos comerciais consolidados no bairro.

A iniciativa integra a Operação Urbana Faria Lima e tem como objetivo estender a referida avenida pela Rua Ribeirão Claro, estabelecendo uma nova conexão entre as avenidas dos Bandeirantes e Hélio Pellegrino.

Entre os moradores impactados está Esmeralda, de 88 anos, residente da Avenida Doutor Cardoso de Melo há 62 anos. Ao receber a notificação de desapropriação, Esmeralda expressou profunda tristeza e preocupação. “Você não imagina a dor que eu tenho. Queria ficar aqui até o fim da minha vida. Comecei do nada, criei meus filhos aqui. Quando recebi a carta, entrei em desespero”, relatou emocionada.

Sandra, filha de Esmeralda, contesta o valor da indenização proposto pela prefeitura. “Disseram que pagariam acima do valor venal, mas todo mundo recebeu abaixo. Com esse dinheiro, não dá para comprar nada, principalmente aqui na Vila Olímpia”, argumenta.

O projeto também causa apreensão entre os comerciantes locais. Márcio Serra, proprietário de uma chavearia na Rua Ribeirão Claro há 17 anos, teme perder sua clientela caso seja forçado a mudar de endereço. “Qualquer mudança faz a gente perder metade dos clientes. É a vida da minha família e dos meus funcionários. Estamos apreensivos, é uma mudança drástica depois de tantos anos lutando aqui”, desabafa.

Em protesto, comerciantes e moradores da Rua Ribeirão Claro exibem faixas expressando sua oposição à desapropriação, criticando tanto o impacto da obra quanto os valores oferecidos pelas indenizações. Segundo eles, a oferta de R$ 6 mil por metro quadrado está muito abaixo do valor de mercado na região, que pode variar entre R$ 14 mil e R$ 16 mil. “Estamos revoltados. São comércios que sustentam o bairro há anos e agora vão ser derrubados”, afirmam.

Em resposta às críticas, a Prefeitura de São Paulo informou que o valor proposto aos moradores é resultado de avaliações administrativas realizadas de acordo com as normas do Centro de Apoio aos Juízes das Varas da Fazenda Pública da Capital.

A administração municipal acrescentou que a oferta será submetida à análise judicial e passará por perícia independente. O valor final da indenização, segundo a prefeitura, será definido apenas após a conclusão do processo judicial.

Fonte: g1.globo.com

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