Piscinão contra enchentes na Anhaia Mello atrasa e custa R$ 12 milhões

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G1

A esperada obra do piscinão na Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo, sofreu um revés significativo. O projeto, crucial para mitigar as recorrentes enchentes causadas pelo Córrego da Mooca, terá sua conclusão atrasada em quase um ano e já acumulou um custo adicional de R$ 12 milhões. Esta notícia frustra os moradores da região, que enfrentam historicamente os alagamentos intensos durante o período chuvoso, e sinaliza que a comunidade deverá suportar, pelo menos, mais um verão debaixo d’água. A iniciativa, que prometia aliviar o sofrimento de milhares, agora gera preocupação e indignação devido aos novos prazos e valores.

Atraso e aumento de custo: um revés para a Zona Leste

A promessa de um piscinão na Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello, que deveria ser entregue em agosto de 2026, foi adiada para o segundo semestre de 2027. O consórcio DPJ Mooca, responsável pela execução, assinou um aditamento contratual com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que não apenas posterga a entrega, mas também eleva o valor total da construção de R$ 166,6 milhões para R$ 178,5 milhões. Este acréscimo de R$ 11,9 milhões, quase R$ 12 milhões, gera questionamentos sobre a gestão e o planejamento da obra.

Detalhes do aditamento contratual

A SPObras, empresa da Prefeitura de São Paulo responsável por construções desse tipo, justificou o aumento de custo e o atraso. Segundo a empresa, o acréscimo foi “necessário por conta de acréscimos de serviços identificados ao longo da execução da obra”. Entre os serviços adicionais detalhados, estão a remoção de postes de concreto (incluindo demolição, carga e transporte), a utilização de argamassa de coulis para a execução de paredes diafragma plásticas, adequações nas armaduras das estacas dos pilares, além de intervenções relacionadas ao atendimento da Licença Ambiental de Instalação (LAI). Tais justificativas apontam para uma complexidade maior do que a inicialmente prevista ou para a descoberta de novas necessidades durante o progresso da construção.

Impacto na comunidade e histórico de enchentes

Enquanto a conclusão do piscinão é postergada, os moradores da Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello e suas ruas transversais continuam a ser castigados pelas fortes chuvas. A região, alvo recorrente de alagamentos, vivenciou cenas dramáticas em eventos recentes. No último dia 17 de fevereiro, um temporal causou inundações que cobriram carros e deixaram motoristas ilhados. Um dos episódios mais chocantes ocorreu na esquina com a Rua Américo Vespucci, onde um casal precisou subir no capô de seu carro para esperar o resgate dos bombeiros. Passageiros da Linha 15-Prata do Monotrilho, que passa sobre a avenida, também ficaram retidos nas estações, aguardando a diminuição do nível da água para poderem embarcar ou desembarcar.

Tragédia anterior e perdas

O histórico de enchentes na região é marcado por perdas significativas. No verão do ano anterior, a mesma área foi palco de um alagamento que arrastou veículos e resultou na morte de um motorista de aplicativo de 50 anos. A vítima tentou atravessar uma rua já tomada pela água, o que provocou uma pane em seu veículo. Embora o passageiro tenha conseguido escapar pela porta traseira, o motorista foi encontrado na Rua Prece pelo Corpo de Bombeiros em parada cardiorrespiratória e, apesar de ter sido levado ao Hospital Estadual Vila Alpina, não resistiu aos ferimentos. O episódio ilustra a urgência e a gravidade dos problemas que o piscinão visa resolver.

Capacidade e abrangência do projeto

A obra do piscinão, iniciada em junho de 2022, tinha um prazo inicial de 26 meses para ser concluída. Conforme os planos originais da gestão municipal, o reservatório terá uma capacidade monumental de armazenar 134,5 milhões de litros de água, o equivalente a 54 piscinas olímpicas. A expectativa é que o projeto beneficie diretamente cerca de 500 mil pessoas residentes nos distritos da Mooca, Sapopemba, São Lucas e Vila Prudente, áreas historicamente afetadas pelas cheias do Córrego da Mooca. A concretização deste piscinão é vista como uma solução definitiva para um problema que se arrasta por décadas, mas seu atraso prolonga a agonia da população local.

Perspectivas e desafios futuros

O atraso e o aumento de custo da obra do piscinão da Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello representam um desafio contínuo para a prefeitura de São Paulo e uma fonte de frustração para os moradores da Zona Leste. A cada nova temporada de chuvas, a expectativa por uma solução definitiva para as enchentes cresce, e a postergação da entrega da infraestrutura de mitigação prolonga um cenário de insegurança e perdas materiais e, lamentavelmente, de vidas. A comunidade, que aguarda por décadas a resolução deste problema crônico, agora precisa se preparar para enfrentar mais verões sob a ameaça dos alagamentos, enquanto o projeto avança lentamente.

Perguntas frequentes

Qual o objetivo principal da obra do piscinão na Avenida Anhaia Mello?
O principal objetivo da obra é conter as enchentes causadas pelo Córrego da Mooca, que afetam recorrentemente a Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello e seus bairros adjacentes na Zona Leste de São Paulo.

Qual o novo prazo de entrega previsto para o piscinão?
A conclusão da obra, que originalmente era prevista para agosto de 2026, foi adiada para o segundo semestre de 2027, segundo informações da SPObras.

Por que houve um aumento no custo da construção?
O custo da obra aumentou em quase R$ 12 milhões devido a acréscimos de serviços identificados ao longo da execução, como remoção de postes de concreto, uso de argamassa de coulis, adequações nas armaduras das estacas e intervenções para atender à Licença Ambiental de Instalação.

Quantas pessoas serão beneficiadas diretamente pelo projeto?
A obra do piscinão tem a expectativa de beneficiar diretamente cerca de 500 mil pessoas nos distritos da Mooca, Sapopemba, São Lucas e Vila Prudente.

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Fonte: https://g1.globo.com

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