Petrobras entrega o primeiro combustível sustentável de aviação produzido no país

3 Tempo de Leitura
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras anunciou a comercialização do primeiro lote de combustível sustentável de aviação (SAF) integralmente produzido no Brasil. O volume inicial, de 3 mil metros cúbicos, foi destinado a distribuidoras que operam no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A quantidade representa aproximadamente um dia do consumo total dos aeroportos do estado.

O SAF tem potencial para substituir o querosene de aviação tradicional sem demandar adaptações nas aeronaves ou na infraestrutura de abastecimento, viabilizando sua adoção imediata pelo setor. A estatal considera essa solução como um dos caminhos mais rápidos para mitigar as emissões de poluentes da aviação global.

O combustível sustentável é fabricado por meio de coprocessamento no parque de refino da Petrobras. A presidente da estatal, Magda Chambriard, enfatizou que essa iniciativa contribui para o alcance das metas de descarbonização do setor aéreo e a classificou como estratégica.

“É um produto competitivo, que atende a rigorosos padrões internacionais da aviação. Estamos oferecendo ao mercado nacional a possibilidade de atender às demandas globais”, declarou a presidente da Petrobras.

A partir de 2027, as companhias aéreas brasileiras estarão sujeitas à obrigatoriedade de utilizar SAF em voos internacionais, conforme as regras do programa Corsia, estabelecido pela Organização da Aviação Civil Internacional (Icao). No âmbito dos voos domésticos, a Lei do Combustível do Futuro prevê a exigência progressiva do uso desse tipo de combustível.

O SAF lançado pela Petrobras possui a certificação ISCC-Corsia, que atesta sua sustentabilidade e rastreabilidade. O combustível é composto por uma parcela de matéria-prima vegetal, como óleo técnico de milho ou óleo de soja, processada em conjunto com o querosene de base fóssil.

De acordo com a Petrobras, a utilização da parcela renovável pode resultar em uma redução de até 87% nas emissões líquidas de CO₂. Apesar da sua composição diversificada, o produto final mantém as mesmas características químicas e de segurança operacional do querosene convencional, conforme garantido pela estatal.

As primeiras remessas foram produzidas na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), localizada na Baixada Fluminense, que detém a certificação para a produção e comercialização do SAF. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autoriza a Reduc a incorporar até 1,2% de matéria-prima renovável na rota atual de coprocessamento.

A Petrobras tem planos de expandir a produção de SAF. A Refinaria Henrique Lage (Revap), situada em São José dos Campos, já realizou testes nesse sentido. A Refinaria de Paulínia (Replan), também em São Paulo, e a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, têm previsão de iniciar suas atividades comerciais em 2026.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe está notícia