Perigo de sucção em piscinas: como proteger crianças e agir em afogamentos

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G1

Incidentes trágicos envolvendo sucção em piscinas têm levantado um alerta crucial sobre a segurança aquática, especialmente para crianças. Casos recentes em Campinas, São Paulo, reforçam a urgência de medidas preventivas e do conhecimento sobre como agir em situações de emergência. O perigo de sucção em piscinas, muitas vezes subestimado, pode resultar em aprisionamentos graves, com consequências fatais ou sequelas irreversíveis. Especialistas enfatizam que a combinação de equipamentos de segurança adequados, hábitos preventivos e a prontidão para aplicar primeiros socorros são pilares essenciais para garantir a diversão e a segurança de todos. A conscientização sobre os riscos e a adoção de protocolos de segurança são indispensáveis para evitar novas tragédias e proteger a vida de banhistas, em particular dos mais jovens.

Acidentes recentes e a legislação de segurança

Casos trágicos em Campinas motivam ações preventivas

A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, foi palco de dois acidentes que chocaram a população e acenderam um debate sobre a segurança em piscinas. Em 26 de dezembro de 2025, uma menina de 11 anos teve seu cabelo preso no ralo da piscina da casa dos avós, no Jardim Itaguaçu I. Imagens registradas revelam que a criança permaneceu submersa por aproximadamente 16 minutos antes de ser resgatada. Uma adolescente de 15 anos que estava na piscina com a vítima foi posteriormente apreendida sob suspeita de omissão de socorro, por não ter solicitado ajuda de imediato, conforme o boletim de ocorrência. A menina foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Clínicas da Unicamp, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos.

Este não foi um caso isolado. Dois anos antes, em novembro de 2024, Manuela Cotrin Carósio, de apenas 9 anos, sofreu um acidente semelhante em um resort na mesma cidade. O cabelo de Manuela ficou preso em um dispositivo de sucção que, segundo laudo pericial, estava em desacordo com as normas técnicas vigentes. A menina permaneceu sete minutos submersa e, após ser internada, faleceu 11 dias depois, no dia em que completaria 10 anos. A comoção gerada pelo caso Manuela motivou uma intensa mobilização de sua família, culminando na criação de uma lei municipal em Campinas que estabelece novos padrões de segurança para piscinas coletivas. A “Lei Manuela” proíbe o funcionamento dos motores de sucção enquanto piscinas coletivas estiverem em uso e determina a instalação de equipamentos de segurança específicos, buscando prevenir futuras tragédias.

Mecanismos de sucção e seus riscos

A força invisível dos ralos de piscina

O funcionamento das piscinas modernas depende de um sistema de filtragem que garante a qualidade e a higiene da água. Este processo envolve a sucção da água por meio de dispositivos como o ralo de fundo, localizado na parte mais profunda da piscina, e o bocal de aspiração, geralmente posicionado nas laterais. O instrutor técnico Fábio Forlenza, especialista na área, explica que o motor da piscina puxa a água com grande força para filtrá-la.

O perigo reside justamente na potência desses motores. Se os ralos e bocais não possuírem proteções adequadas, a bomba de sucção atua como um potente aspirador. Caso um banhista se aproxime excessivamente ou encoste o corpo, cabelo ou parte da roupa na área de sucção, o risco de aprisionamento é imenso. O professor de Enfermagem Luiz Fernando Fogaça alerta: “Essas sucções são altamente potentes, eles realmente afundam, eles sugam, e às vezes, estando sozinho, você não consegue mais reagir dali”. A força é tamanha que pode prender uma pessoa completamente, tornando a libertação extremamente difícil sem o desligamento imediato do sistema.

Equipamentos essenciais para a segurança aquática

Inovações que previnem aprisionamentos

Para mitigar os riscos associados à sucção, a indústria de piscinas desenvolveu equipamentos de segurança avançados. O ralo de fundo, por exemplo, é um ponto crítico. Atualmente, são recomendados os modelos “anti-turbilhão”, “anti-hair” ou “anti-aprisionamento”, que possuem um formato arredondado e grelhas com aberturas não apenas na parte superior, mas também nas laterais. Essa engenharia permite que, mesmo que a parte superior seja bloqueada (por um corpo, cabelo ou objeto), a água continue circulando pelas laterais, impedindo a formação de vácuo. Adão Luís, vendedor especializado, detalha que se “alguém vir a colocar o pé, a mão em um lado do dispositivo, ele imediatamente distribui a vazão da peça para os outros lados. Consequentemente, não tem sucção, ele não aprisiona a criança, o adulto, qualquer coisa que seja”. As normas técnicas também sugerem a instalação de dois ou mais ralos interligados para distribuir a força da sucção, reduzindo o risco em qualquer ponto individual.

Outro dispositivo importante é o bocal de aspiração com fechamento automático. Trata-se de um adaptador com uma tampa de mola, que funciona como uma escotilha. Quando a mangueira de limpeza é removida, a tampa se fecha automaticamente, bloqueando o orifício e prevenindo a sucção direta. Além disso, sistemas de desligamento rápido do motor, como botões de emergência facilmente acessíveis, são fundamentais. Existem também bombas com sensores que detectam bloqueios na entrada de água e interrompem o funcionamento, embora esses sistemas sejam mais caros e menos difundidos. Adão Luís reforça que a própria construção da piscina é um fator de segurança, com modelos que permitem a instalação do ralo por baixo da alvenaria e saída lateral, o que diminui a pressão de sucção. Buscar um profissional capacitado para a construção ou reforma da piscina é, portanto, uma recomendação vital.

Hábitos preventivos e responsabilidades individuais

Supervisão atenta e medidas de segurança diárias

Embora os equipamentos de segurança sejam cruciais, a prevenção de acidentes em piscinas depende fundamentalmente de hábitos e da responsabilidade de quem cuida dos banhistas. A supervisão constante e ininterrupta de um adulto é o fator preventivo mais importante. Essa supervisão deve ser ativa, sem distrações com celulares, livros ou outras atividades. O professor Fogaça enfatiza que “quando a gente fala da prevenção, é estar sentado ou mesmo dentro da piscina, observando tudo que está ocorrendo naquele espaço, naquele momento, onde as crianças estão brincando, se divertindo. Não adianta eu estar lá olhando o ‘zap’, olhando uma mensagem, lendo um livro, porque a sua atenção não estará focada à observação”.

É imperativo que a responsabilidade da supervisão nunca seja delegada a crianças ou adolescentes. Em eventos ou festas, a organização deve prever um revezamento de adultos responsáveis pela vigilância da piscina. Outra medida essencial, para piscinas residenciais, é desligar a bomba de sucção sempre que houver pessoas na água. Essa ação simples elimina a principal causa dos aprisionamentos. Em piscinas coletivas, como em academias ou clubes, onde o motor precisa operar continuamente para a filtragem, a instalação de dispositivos de segurança adequados torna-se obrigatória. Além disso, recomenda-se que ninguém nade sozinho, independentemente da idade ou habilidade. Brincadeiras bruscas devem ser coibidas, e as crianças devem ser ensinadas sobre noções básicas de flutuação e segurança aquática. Por fim, todos os moradores e responsáveis devem saber a localização exata do disjuntor ou da chave geral da bomba da piscina para que possam desligá-la rapidamente em uma emergência.

Protocolo de emergência em caso de afogamento

Como agir diante de um acidente na água

A rapidez e a calma são cruciais ao presenciar um afogamento. A primeira e mais importante ação é ligar imediatamente para o Corpo de Bombeiros, discando 193. A tenente Olivia Perrone Cazo, do Corpo de Bombeiros, salienta que mesmo que a pessoa não saiba como agir, a equipe telefônica pode orientar os primeiros passos, ajudando a manter a calma e a iniciar os primeiros socorros.

Ação em caso de aprisionamento e resgate:
Se a vítima estiver presa por sucção, o motor da piscina deve ser desligado imediatamente. Este é o passo mais crítico para liberar a pessoa. Se o cabelo ou a roupa ainda estiverem presos após o desligamento da bomba, pode ser necessário cortar os fios ou o tecido para desprendê-la. Caso não seja possível remover a vítima completamente da água de imediato, o objetivo primordial é manter seu rosto fora da superfície para que consiga respirar. A tenente Cazo orienta que, idealmente, seja um “conjunto paralelo de apoio”, com uma pessoa desligando a bomba e outra prestando suporte de flutuabilidade ou auxiliando no corte para libertar a vítima da sucção.

Primeiros socorros após a retirada da água:
Após retirar a vítima da água, é fundamental verificar rapidamente sua consciência e respiração. Se a pessoa estiver respirando, posicione-a deitada sobre o lado direito, conhecida como posição lateral de segurança, para evitar engasgos em caso de vômito. Se a vítima estiver inconsciente e não respirando, inicie imediatamente a massagem cardíaca. As compressões devem ser realizadas com uma frequência de 100 a 120 por minuto, no centro do tórax, entre o lado esquerdo e o centro. A massagem cardíaca é uma medida decisiva que pode salvar vidas enquanto se aguarda a chegada do socorro especializado.

Impacto fisiológico do afogamento

Consequências da privação de oxigênio no corpo

O afogamento é uma emergência médica que impede o corpo de absorver oxigênio, podendo levar à morte ou a sequelas graves em questão de minutos. Segundo o professor Luiz Fernando Fogaça, o tipo mais comum é o afogamento úmido, onde a água entra nos pulmões, bloqueando a troca de oxigênio e dióxido de carbono. Existe também o afogamento seco, menos comum, no qual a glote (estrutura na garganta) se fecha em espasmo devido ao contato com a água, impedindo a entrada de ar nos pulmões, mesmo sem a inalação de líquidos.

A gravidade do afogamento é classificada em seis graus, variando de situações leves, com ingestão mínima de água e tosse, até casos gravíssimos que evoluem para parada respiratória e cardíaca. “Quanto maior é o grau de afogamento, maiores as consequências e maior é o risco de morte dessa pessoa”, explica Fogaça. A principal consequência da falta de oxigênio, denominada hipóxia, é a morte das células cerebrais. Se uma pessoa permanece submersa ou sem respirar por um período prolongado, geralmente superior a 10 minutos, mesmo que seja resgatada com vida, há um risco elevado de danos neurológicos irreversíveis. Essas sequelas podem resultar em estado vegetativo, perda significativa de capacidades cognitivas e motoras, exigindo cuidados contínuos por toda a vida. A agilidade no resgate e nos primeiros socorros é, portanto, um fator determinante para o prognóstico da vítima.

A segurança aquática como prioridade

A prevenção de acidentes em piscinas, especialmente aqueles relacionados à sucção, é uma responsabilidade compartilhada que exige atenção constante de todos. As tragédias recentes servem como um lembrete doloroso da importância de não negligenciar a segurança em ambientes aquáticos. A implementação de equipamentos modernos e seguros, a adoção de hábitos preventivos rigorosos e a capacitação para agir em emergências são medidas cruciais. Ao unir tecnologia, vigilância e conhecimento, é possível transformar as piscinas em locais de lazer seguros, garantindo que a alegria da água não seja ofuscada por riscos evitáveis. Priorizar a segurança aquática é proteger vidas e assegurar a tranquilidade de famílias e comunidades.

Perguntas frequentes sobre segurança em piscinas

Qual a principal causa de aprisionamento em ralos de piscina?
A principal causa é a força de sucção gerada pelo motor da piscina, que, sem proteções adequadas nos ralos de fundo e bocais de aspiração, pode prender cabelos, roupas ou partes do corpo de banhistas.

O que é a Lei Manuela e onde ela se aplica?
A Lei Manuela é uma legislação sancionada em Campinas (SP) que proíbe o funcionamento dos motores de sucção em piscinas coletivas enquanto estiverem em uso e exige a instalação de equipamentos de segurança específicos. Ela se aplica a piscinas de uso coletivo na cidade.

Em caso de afogamento, qual a primeira atitude a tomar?
A primeira atitude é ligar imediatamente para o Corpo de Bombeiros, discando 193. Eles podem oferecer orientações cruciais por telefone enquanto o socorro especializado se desloca.

Quais os tipos de ralos de segurança recomendados para piscinas?
São recomendados ralos de fundo “anti-turbilhão”, “anti-hair” ou “anti-aprisionamento”, que possuem formatos arredondados e grelhas com aberturas nas laterais. A instalação de dois ou mais ralos interligados também é aconselhada para distribuir a força de sucção.

Qual a importância da supervisão adulta em piscinas?
A supervisão adulta constante e sem distrações é a medida preventiva mais importante. Ela não deve ser delegada a crianças ou adolescentes e é essencial para detectar e intervir rapidamente em qualquer situação de risco, evitando que acidentes simples se tornem tragédias.

Para mais informações sobre segurança aquática e protocolos de emergência, procure um profissional qualificado ou entre em contato com o Corpo de Bombeiros da sua região.

Fonte: https://g1.globo.com

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