Peixes sentem sede? desvendando os mistérios da hidratação no mundo aquático

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G1

A necessidade de beber água é uma questão fundamental para a sobrevivência de diversas espécies, mas como funciona esse processo para os peixes, que já vivem imersos nesse líquido? A resposta, surpreendentemente, não é universal e varia de acordo com o tipo de peixe e o ambiente em que vive.

Enquanto alguns peixes precisam ingerir água ativamente, outros obtêm a hidratação necessária de outras formas. De acordo com especialistas, os peixes ósseos marinhos, como o atum, o linguado e o bacalhau, bebem água constantemente. Essa necessidade surge porque o ambiente marinho é mais salgado do que o corpo desses peixes, levando à perda de água por osmorregulação. Para compensar, eles bebem água do mar, absorvendo-a pela boca ou através dos alimentos. O excesso de sal é então eliminado pelas brânquias e pela urina, que é produzida em pequena quantidade, mas com alta concentração de sais.

As brânquias desempenham um papel crucial nesse processo, atuando como órgãos respiratórios que permitem a troca de gases com a água. Elas absorvem o oxigênio e liberam o gás carbônico, além de auxiliarem na eliminação do excesso de sal.

Em contraste, os peixes cartilaginosos marinhos, como tubarões, raias e quimeras, não bebem água ativamente. Eles possuem altas concentrações de ureia no sangue, uma adaptação que os ajuda a manter uma quantidade de sais um pouco maior do que o ambiente externo. Essa estratégia de osmorregulação evita a desidratação, e a ingestão de água ocorre apenas através dos alimentos. Para eliminar o excesso de sal proveniente da alimentação, esses peixes contam com as brânquias e uma glândula retal especializada.

Já os peixes de água doce, como a tilápia, o dourado e o betta, também não bebem água ativamente. Como seus corpos são mais salgados do que o ambiente em que vivem, a água entra por osmose, através de toda a superfície do corpo. Esses peixes mantêm o equilíbrio entre o pH da água e o pH interno do corpo, garantindo o bom funcionamento de seus órgãos. Eles urinam frequentemente, eliminando o excesso de água, e obtêm a hidratação necessária através da osmose e dos alimentos.

É importante ressaltar que os peixes mantidos em aquários, tanto de água doce quanto de água salgada, seguem os mesmos processos de hidratação que seus congêneres na natureza. Em um ambiente controlado, eles continuam a realizar as trocas de água necessárias para manter o equilíbrio fisiológico.

Fonte: g1.globo.com

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