Orquestra Feminina Juvenil do Rio Encanta a Itália com Turnê Histórica

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© Rafael Ribeiro/Divulgação

Um grupo vibrante de jovens instrumentistas cariocas, com idades entre 13 e 21 anos e estudantes da rede pública do Rio de Janeiro, embarca em uma jornada musical inesquecível pela Itália. A Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, criada em 2021 com o propósito de impulsionar a presença feminina nas orquestras sinfônicas, inicia sua turnê internacional com uma agenda repleta de apresentações e encontros significativos.

Um Legado de Inspiração Feminina

A escolha do nome Chiquinha Gonzaga para a orquestra não é por acaso. A renomada compositora, maestrina e ativista, pioneira no Brasil, simboliza luta, liberdade e protagonismo feminino. A formação exclusivamente feminina, composta por 52 talentosas instrumentistas, reverencia essa herança e busca inspirar as novas gerações.

A Visão por Trás do Nome

Moana Martins, diretora executiva da orquestra e pianista, destaca a importância de carregar o nome de Chiquinha Gonzaga. “Foi uma escolha muito consciente e carregada de significado. Chiquinha foi uma mulher à frente do seu tempo, que rompeu barreiras em uma sociedade extremamente restritiva para as mulheres. Ela foi compositora, maestra, ativista, uma mulher que lutou por autonomia e liberdade”, explicou. “Ao trazer o nome dela, a gente conecta as meninas a essa inspiração de coragem e realização. É como se disséssemos, todos os dias: vocês também podem transformar a história.”

Jornada de Crescimento e Companheirismo

Para a flautista Nathaly Joyce, de 21 anos, que integra o projeto há quase cinco anos, a experiência na orquestra é transformadora. “Quando estou no momento da apresentação, passa quase um filme na minha cabeça. Desde quando tínhamos dificuldade em uma música e, por conta de estudos e motivação, não só de professores e maestros, mas da própria orquestra, a gente ali se apoiando. É lindo ver o companheirismo e a aliança através da música”, compartilhou. Nathaly, que leva a música como profissão e está se formando em faculdade de música, planeja seguir carreira na área, com foco em regência, mestrado e doutorado.

Agenda Íntegra na Itália

A turnê na Itália, que se estende de 23 de abril a 1º de maio, inclui uma programação diversificada e de grande relevância:

Audiência com o Papa Francisco no Vaticano, em 29 de abril, na Praça São Pedro.Apresentações em espaços culturais de Roma.Intercâmbios acadêmicos com instituições renomadas como a Sapienza Università di Roma e a Accademia de Santa Cecilia.Concertos no Cinema Troisi e na Embaixada do Brasil em Roma, integrando as comemorações do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.

Um Momento Histórico

A violinista Clarysse Amaral, 21 anos, descreve a oportunidade de se apresentar para o Papa como algo “inexplicável” e um “feito histórico”. Ela ressalta o apoio fundamental de sua família em sua trajetória musical.

Repertório e Participações Especiais

O repertório da Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga na Itália celebra a riqueza da música brasileira, com homenagens a compositores como Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Baden Powell, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque. A cantora Flor Gil, neta de Gilberto Gil, fará uma participação especial. Além disso, será apresentada uma obra inédita da compositora brasileira Ágatha Lima, selecionada por meio de um edital do projeto.

Ludhymila Bruzzi assume a regência

Embora a regência principal seja de Priscila Bomfim, que não pôde viajar, Ludhymila Bruzzi conduzirá a orquestra durante a turnê. Para Bruzzi, trabalhar com as jovens musicistas é uma fonte de alegria e aprendizado. “É sobre criar laços, cultivar a confiança, e principalmente a autoconfiança delas em relação ao ofício de ser musicista, em um meio ainda tão dominado pelos homens”, afirmou.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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