Oposição no DF pede impeachment de Ibaneis Rocha após citação de banqueiro

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© José Cruz/Agência Brasil

A Câmara Legislativa do Distrito Federal recebeu, nesta sexta-feira (23), um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha. A ação foi protocolada por partidos da oposição – PSB, Cidadania e PSOL – e surge após o governador ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em investigações que apuram a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A formalização do pedido de impeachment do governador Ibaneis Rocha sinaliza uma escalada na crise política que envolve o Executivo local. As legendas alegam que houve crimes de responsabilidade e condutas irregulares relacionadas à atuação do governo em operações que envolveram o banco público, gerando um ambiente de instabilidade e questionamentos sobre a gestão financeira e ética do DF.

Pedido de impeachment: as acusações da oposição

Os partidos de oposição que formalizaram o pedido de impeachment – PSB, Cidadania e PSOL – baseiam suas alegações em uma série de condutas que consideram irregulares e que configurariam crimes de responsabilidade. O cerne das acusações reside na suposta atuação indevida do Executivo local em operações que envolveram o Banco de Brasília (BRB), um banco público sob controle do GDF, e o Banco Master.

A principal faísca para o pedido foi a citação do governador Ibaneis Rocha pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em depoimentos no âmbito das investigações. Segundo os parlamentares, essa menção, somada a outros indícios, aponta para uma “atuação temerária” do governo, que teria colocado em risco o erário público e violado princípios fundamentais da administração. Entre os pontos levantados, destacam-se:

Condutas consideradas irregulares e violação de princípios

Compra de títulos de baixa qualidade e origem irregular: A oposição argumenta que o BRB teria adquirido títulos considerados de alto risco ou com procedência questionável, o que representaria um uso inadequado dos recursos públicos e uma ameaça à solidez financeira do banco.
Criação de dívidas fora do orçamento: Houve acusações de que o governo teria se envolvido na criação de compromissos financeiros que não estavam previstos no orçamento, contornando os controles e a transparência exigidos pela lei.
Negociações sem transparência com o banqueiro: Os parlamentares apontam para a falta de clareza e transparência nas negociações entre o governo, o BRB e Daniel Vorcaro, levantando suspeitas sobre os termos e as intenções dessas transações.
Possível influência indevida do governador: A oposição sugere que Ibaneis Rocha teria exercido influência indevida sobre decisões internas do BRB, utilizando sua posição para favorecer operações relacionadas ao Banco Master, em detrimento dos interesses públicos e da governança corporativa do banco.

Essas alegações formam a base do pedido de impeachment, que agora será analisado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, marcando um momento crucial para o cenário político local e para as instituições financeiras envolvidas.

A defesa do governador e o contexto das investigações

Em meio às crescentes pressões e ao pedido de impeachment, o governador Ibaneis Rocha se manifestou publicamente para negar as acusações. Em declarações à imprensa, ele afirmou categoricamente que nunca tratou da operação envolvendo o BRB e o Banco Master diretamente com Daniel Vorcaro. Segundo o governador, todas as negociações relativas a essa operação foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, que ocupava a presidência do BRB à época. Costa foi posteriormente desligado do cargo após operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) relacionadas ao caso.

Ibaneis Rocha confirmou ter tido encontros de caráter social com o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo um almoço na residência de Vorcaro, que, segundo ele, foi “organizado por um amigo em comum”. No entanto, o governador enfatizou que, nesses encontros, não houve discussão de assuntos relacionados às operações financeiras entre os bancos.

Entenda o caso: investigações e desdobramentos

As investigações em curso, conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, focam em operações financeiras significativas entre o BRB e o Banco Master. As apurações apontam para injeções de capital que o BRB teria feito no Banco Master, totalizando R$ 16,7 bilhões, sob forte suspeita de gestão fraudulenta.

Além das injeções de capital, as investigações também se debruçam sobre uma tentativa do BRB de adquirir uma fatia relevante do Banco Master. Esta iniciativa, que teria contado com o apoio do governo do Distrito Federal – acionista controlador do BRB –, acabou sendo barrada pelo Banco Central (BC), que é o órgão regulador e supervisor do sistema financeiro nacional.

A Polícia Federal, por sua vez, está aprofundando a apuração para verificar se o BRB realizou a compra de carteiras de crédito de alto risco do Banco Master. A PF busca identificar eventuais falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança do BRB, o que poderia indicar negligência ou má-fé na gestão dos recursos públicos.

O caso ganhou contornos ainda mais complexos com a informação de que o Banco Master foi liquidado por uma ação do Banco Central no fim do ano passado, o que ressalta a gravidade das operações financeiras sob escrutínio. Além das investigações do MPF, PF e Banco Central, a atual gestão do BRB e uma auditoria independente estão analisando as transações, mas até o momento, as conclusões oficiais dessas análises ainda não foram divulgadas. Tentativas de contato com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, não obtiveram resposta.

Cenário político e próximos passos

O pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha adiciona uma camada de complexidade e incerteza ao cenário político do Distrito Federal. As investigações em curso, que envolvem órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Banco Central, além de auditorias internas, demonstram a seriedade e a amplitude das acusações que pesam sobre as operações entre o BRB e o Banco Master. Enquanto o governador nega veementemente as alegações de participação indevida, a oposição exige a responsabilização política. Os próximos passos dependerão da análise da Câmara Legislativa do DF, que decidirá sobre a admissibilidade do pedido de impeachment, e dos avanços das investigações judiciais, cujas conclusões oficiais ainda são aguardadas. O desfecho deste caso terá implicações significativas para a governabilidade do DF e para a transparência na gestão de suas instituições financeiras.

FAQ

O que motivou o pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha?
O pedido foi motivado pela citação do governador Ibaneis Rocha pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em investigações sobre a tentativa de venda da instituição ao BRB. A oposição alega crimes de responsabilidade e condutas irregulares do governo em operações envolvendo o banco público.

Quais são as acusações específicas contra o governador?
As acusações incluem “atuação temerária” com risco ao erário, violação de princípios da administração pública, compra de títulos de baixa qualidade, criação de dívidas fora do orçamento, negociações sem transparência e possível influência indevida em decisões do BRB.

Qual é o papel do Banco Master e do BRB neste caso?
O BRB é o Banco de Brasília, uma instituição pública controlada pelo GDF. O Banco Master é uma instituição privada que teria sido alvo de tentativas de aquisição pelo BRB e recebeu injeções financeiras substanciais do banco público, todas sob investigação por suspeita de gestão fraudulenta.

Quem é Daniel Vorcaro?
Daniel Vorcaro é o banqueiro e proprietário do Banco Master, cuja citação ao governador Ibaneis Rocha durante as investigações desencadeou o pedido de impeachment e aprofundou a crise política no Distrito Federal.

Acompanhe as atualizações deste caso de grande repercussão para o Distrito Federal e o sistema financeiro brasileiro, e mantenha-se informado sobre todos os desdobramentos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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