Operação em favelas do rio deixa dezenas de mortos e escolas fechadas

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© Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma megaoperação policial desencadeada nesta terça-feira nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, resultou em um confronto de grandes proporções e um elevado número de vítimas. A ação, considerada a maior dos últimos 15 anos, mobilizou cerca de 2.500 policiais civis e militares com o objetivo de prender líderes criminosos e enfraquecer o poder do Comando Vermelho.

Até o momento, o número de mortos chega a pelo menos 64, com 75 pessoas baleadas. Entre as vítimas fatais, estão dois policiais civis e dois militares. A Polícia Civil solicitou doações de sangue para os agentes feridos durante a operação.

A ação policial resultou na prisão de mais de 100 pessoas, incluindo integrantes de uma facção criminosa oriunda do Pará que se escondiam na cidade. As autoridades apreenderam um arsenal composto por pelo menos 70 fuzis, além de pistolas e granadas.

A intensa atividade policial provocou o bloqueio de diversas vias nas zonas Norte, Oeste e Sudoeste da cidade, levando o município a decretar estágio 2 de atenção, indicando alto risco de ocorrências de grande impacto.

Em resposta à operação, criminosos ergueram barricadas e atearam fogo em importantes vias, como a Grajaú-Jacarepaguá, que liga as zonas Norte e Sul, e na BR-101, em São Gonçalo, na região metropolitana. Drones foram utilizados para monitorar comunidades no Complexo do Alemão. O policiamento foi reforçado em diversas áreas da cidade e em rodovias.

A concessionária de transporte coletivo, Rio Ônibus, informou que mais de 120 linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados devido aos bloqueios.

Diante da escalada da violência, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, solicitou maior apoio público ao estado. Segundo ele, a situação extrapolou a capacidade de resposta do estado, e um apoio maior, inclusive das Forças Armadas, seria necessário.

A megaoperação causou a suspensão das aulas em cerca de 50 escolas, além de diversas instituições de ensino superior, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense.

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj manifestou preocupação com o aumento da violência e informou que irá solicitar esclarecimentos ao Ministério Público e às polícias Civil e Militar sobre as circunstâncias da operação.

A operação policial teve repercussão nacional e internacional.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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