Obras no presídio da ilha Anchieta em Ubatuba atrasam para 2026 e

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G1

A restauração das ruínas do antigo presídio da Ilha Anchieta, localizada em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, sofreu um novo adiamento, com a previsão de entrega agora estendida para 2026. O prazo anterior, inicialmente estabelecido para junho deste ano, foi postergado pela Fundação Florestal, órgão responsável pela obra. Além do atraso, o projeto enfrenta um aumento significativo nos custos, que subiram 51% devido a imprevistos estruturais. Este local histórico, a apenas 8 quilômetros do continente, é conhecido por ter sido palco de uma das maiores rebeliões prisionais do Brasil em 1952, e sua recuperação visa preservar essa importante parte do patrimônio paulista.

Atraso e aumento de custos na restauração

Instabilidade estrutural e novo cronograma

A Fundação Florestal comunicou que a principal razão para o adiamento da entrega das obras no antigo presídio da Ilha Anchieta é a identificação de instabilidade nas paredes da estrutura durante os trabalhos. Tal descoberta exigiu a implementação de reforços nas fundações e na estrutura de contenção das ruínas, medidas que não estavam previstas no projeto inicial. Consequentemente, o cronograma foi revisto, e a expectativa agora é que a conclusão ocorra somente em abril de 2026. Nos próximos meses, os esforços estarão concentrados na finalização dos serviços relacionados à contenção das paredes e das estruturas para garantir a segurança e a integridade do sítio histórico.

Impacto financeiro e etapas já realizadas

O imprevisto estrutural e a consequente extensão do prazo não afetaram apenas o cronograma, mas também o orçamento do projeto. O valor gasto pelo governo estadual para a restauração das ruínas do presídio da Ilha Anchieta sofreu um acréscimo de 51%. O custo inicial, orçado em R$ 4,282 milhões, agora está estimado em R$ 6,469 milhões. Até o início do ano, conforme informações da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), diversas etapas fundamentais já haviam sido concluídas. Entre elas, destacam-se a realização de estudos técnicos aprofundados, a elaboração de projetos executivos detalhados, trabalhos de limpeza e recuperação das estruturas existentes, e a implementação de escoramentos provisórios para dar suporte à edificação, além dos reforços estruturais que se mostraram necessários para a estabilidade da construção.

A história de uma grande rebelião

O cenário do motim de 1952

O presídio da Ilha Anchieta foi palco de um dos episódios mais dramáticos e violentos da história carcerária brasileira: a rebelião de 1952. Naquela época, o complexo carcerário abrigava detentos em um ambiente isolado, quente e úmido, com relatos de torturas por parte da direção. A segurança da ilha era composta por 49 militares da Força Pública, pertencentes ao Destacamento 314, e 22 guardas de presídio. É crucial notar que, apesar de sua função de vigilância, os guardas de presídio não tinham autorização para portar armas de fogo, uma lacuna que se mostraria decisiva durante o motim.

Na manhã de 20 de junho de 1952, um grupo de detentos foi levado para o corte e transporte de lenha, uma atividade rotineira que ocorria todas as sextas-feiras. Foi nesse momento que a tensão latente explodiu. Um detento conseguiu desarmar um dos soldados que escoltava o grupo, deflagrando o início da rebelião. A notícia e o motim se espalharam rapidamente, com outros presos percebendo a oportunidade e se juntando à insurreição.

A fuga e suas consequências

Os detentos que estavam no corte de lenha retornaram ao presídio pela vila militar, pegando o quartel despreparado. Utilizando pedaços de madeira como armas improvisadas, atacaram os guardas e conseguiram abrir as celas, libertando os demais prisioneiros, que se espalharam pela ilha. Os comandantes do presídio, ao serem informados do motim, buscaram refúgio na residência do diretor, Fausto Sadi Ferreira. Contudo, um grupo de presos, liderado por João Pereira Lima, invadiu o local e rendeu os policiais ali presentes. As mulheres e crianças que moravam nas casas da vila militar foram escoltadas pelos próprios presos e confinadas em uma cela do pavilhão dois, onde permaneceram até o fim da rebelião.

Os fugitivos, abrindo caminho a tiros, alcançaram a praia e embarcaram na lancha “Ubatubinha”, a embarcação que semanalmente trazia mantimentos do continente. Apesar de ter capacidade para 40 pessoas, a lancha partiu da ilha com 60 fugitivos a bordo. O inquérito policial subsequente à rebelião registrou um trágico saldo de 25 mortos: 15 detentos e 10 agentes estatais. Dos 129 detentos que conseguiram fugir, 108 foram recapturados, enquanto seis foram dados como desaparecidos.

A preservação das ruínas do presídio da Ilha Anchieta é um esforço contínuo para manter viva a memória desse complexo histórico. Apesar dos desafios orçamentários e estruturais, a restauração busca garantir que futuras gerações possam compreender a importância do local, tanto em termos de sua arquitetura quanto dos eventos dramáticos que ali se desenrolaram. A ilha, hoje um parque estadual, continua a atrair visitantes, que pagam taxas de R$ 19 para brasileiros, R$ 28 para estrangeiros do Mercosul e R$ 37 para demais estrangeiros, contribuindo para a manutenção e a valorização desse patrimônio cultural e natural. O esforço em curso é um testemunho da resiliência e da determinação em salvaguardar a história para o futuro.

FAQ

Por que a restauração do presídio da Ilha Anchieta foi adiada para 2026?
O adiamento ocorreu devido à identificação de instabilidade nas paredes da estrutura do presídio durante as obras. Isso exigiu a implementação de reforços nas fundações e na estrutura de contenção das ruínas, medidas que não estavam previstas no plano original e que demandaram uma revisão do cronograma.

Qual foi o impacto financeiro do atraso nas obras de restauração?
O imprevisto estrutural e a extensão do prazo resultaram em um aumento de 51% no custo total da obra. O valor, inicialmente orçado em R$ 4,282 milhões, subiu para R$ 6,469 milhões.

Qual a importância histórica da Ilha Anchieta e seu antigo presídio?
A Ilha Anchieta é historicamente significativa por abrigar as ruínas de um antigo presídio desativado em 1955, que foi palco de uma das maiores rebeliões prisionais do Brasil em 1952. A restauração visa preservar essa memória e valorizar o patrimônio, enquanto a ilha, hoje um parque estadual, também se destaca por sua riqueza natural.

É possível visitar as ruínas do presídio na Ilha Anchieta?
Sim, a Ilha Anchieta, que é um Parque Estadual, é aberta a visitação. Há uma taxa de entrada: R$ 19 para brasileiros, R$ 28 para estrangeiros do Mercosul e R$ 37 para demais estrangeiros. Os visitantes podem conhecer a história do local, incluindo as áreas próximas às ruínas do presídio, que estão em processo de restauração.

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Fonte: https://g1.globo.com

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