Uma nova espécie de raia-manta foi identificada por cientistas, marcando um avanço significativo no conhecimento da biodiversidade marinha. A descoberta, resultado de um estudo de 15 anos, culminou na formalização de uma terceira espécie de raia-manta, que recebeu o nome de Mobula yarae, em homenagem à figura mitológica brasileira da Iara.
O estudo teve início com a observação de características distintas em fotos de raias-manta, enviadas por mergulhadores e colaboradores ao Projeto Mantas do Brasil. A análise inicial sugeriu que esses animais poderiam representar uma espécie diferente das duas já conhecidas.
Uma equipe internacional de 15 cientistas se uniu para coletar dados em diversas localidades, incluindo Ilha Comprida (SP), Fernando de Noronha (PE), Natal (RN), Quintana Roo (México) e Flórida (EUA). A pesquisadora Nayara Bucair, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), desempenhou um papel crucial na formalização científica da nova espécie. Após sequenciar o DNA mitocondrial, foram identificadas características genéticas únicas, confirmando a distinção da Mobula yarae.
A descoberta foi publicada na revista científica Environmental Biology of Fishes, destacando a importância do reconhecimento científico para a conservação da espécie. Segundo os pesquisadores, o reconhecimento formal é essencial para implementar medidas de proteção eficazes, já que espécies não reconhecidas correm maior risco de extinção.
A Mobula yarae pode atingir até seis metros de largura e apresenta características físicas distintas, como a presença de dentes apenas na mandíbula inferior , padrões de manchas ventrais específicos e um pequeno ferrão envolto em uma massa calcificada na base da cauda.
Além de suas características físicas, a Mobula yarae demonstra um comportamento singular. A espécie parece preferir áreas costeiras e águas rasas, permanecendo nesses ambientes por períodos prolongados. O foco das pesquisas agora se volta para o estudo de suas rotas de migração e a identificação de áreas prioritárias para conservação.
Antes dessa descoberta, eram conhecidas apenas a raia-manta-oceânica (Mobula birostris) e a raia-manta-recifal (Mobula alfredi), esta última restrita aos oceanos Índico e Pacífico. Com a adição da Mobula yarae, o gênero agora conta com dez espécies, incluindo três raias-manta, as maiores entre os mobulídeos.
Apesar da recente descoberta, a Mobula yarae já enfrenta ameaças significativas. A pesca direcionada ou acidental, a poluição e as colisões com embarcações representam sérios riscos para a sobrevivência da espécie. A demanda por suas brânquias na medicina tradicional asiática impulsiona a captura em várias partes do mundo.
Todas as espécies de mobulídeos estão incluídas na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No Brasil, todas as espécies de mobulídeos são protegidas desde 2013, estando incluídas no Plano de Ação Nacional para Conservação de Tubarões e Raias (PAN Tubarões).
Fonte: g1.globo.com


