Dez anos após a primeira edição, mulheres negras de todo o Brasil convergem para Brasília em uma nova marcha, um ato que promete ser histórico e carrega consigo a força de uma revolução. Militantes, ativistas, professoras, artistas, escritoras, mulheres de terreiro, anciãs, jovens, políticas, mães, irmãs e filhas unem suas vozes e passos por reparação e bem-viver.
A escritora Conceição Evaristo, às vésperas de completar 79 anos, relembra a marcha anterior e sua participação ativa, expressando o desejo de caminhar novamente este ano. Para ela, marchar significa pisar no solo e reafirmar a posse desse território. “Cada passo, cada pé, cada pisada que a gente dá nesse asfalto, reivindica o direito à vida e afirma que temos direito. Marchar é tomar de assalto um território que é nosso”, declara.
Conceição Evaristo ressalta a persistência das mulheres negras e de outros grupos na luta por seus direitos, mesmo diante de adversidades. “O que marca é que a gente não desiste. E não sou só eu. Eu acho que as mulheres negras não desistem, determinados políticos não desistem, a juventude que, apesar da mortandade, está aí, afirmando e construindo a dignidade”, afirma.
Os passos de Conceição Evaristo nessa jornada vêm de longa data. Ela recorda os primeiros tempos de militância, quando a principal preocupação era formar novas lideranças, preparar os jovens para darem continuidade à luta. “Era muito angustiante ir para reuniões e ver as mesmas pessoas. A gente tinha a impressão de que estava sendo repetitivo”, observa.
Hoje, ela percebe o quanto essa militância foi frutífera, especialmente no campo da cultura. “Hoje, a gente consegue ver mulheres que têm idade para serem nossas filhas, nossas netas. E sempre o nosso trabalho a partir da cultura, que é uma estratégia política que a gente usa. Quem pensa que a gente está só dançando ou cantando, é porque não prestou atenção no que dizem as nossas músicas, no que dizem os nossos corpos”, conclui.
Neste 25 de novembro de 2025, Conceição e milhares de mulheres, brasileiras e estrangeiras, se unem em marcha, reafirmando seus direitos e buscando um futuro de reparação e bem-viver para todas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


