Mulher é esfaqueada por ex-marido em centro de acolhimento em são paulo

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G1

Uma mulher foi vítima de esfaqueamento por seu ex-marido enquanto buscava assistência em um centro de acolhimento localizado no CEU Padre Ticão, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. O incidente ocorreu nesta quinta-feira (4).

O agressor invadiu o Espaço Gente Jovem Padre Ticão, onde a vítima se encontrava, e a atacou com uma faca. Após a agressão, o homem também se feriu com a mesma arma.

A mulher foi socorrida e encaminhada ao pronto-socorro do Hospital de Ermelino Matarazzo. O agressor foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e também levado a um hospital. O estado de saúde de ambos não foi divulgado.

No estado de São Paulo, o número de tentativas de feminicídio dobrou de janeiro a outubro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2023. Foram registrados 618 casos, um aumento de 112% em dois anos, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Uma pesquisa do DataSenado, em parceria com a Nexus, revelou que uma em cada quatro mulheres no Brasil já sofreu algum tipo de violência doméstica ou familiar por parte de um homem. Entre as vítimas, 70% afirmaram que o agressor era o atual marido, companheiro ou namorado, enquanto 11% apontaram o ex-marido, ex-companheiro ou ex-namorado como responsável pela agressão.

A pesquisa também aponta que menos da metade das vítimas denunciou o agressor à polícia, e 62% não solicitaram medidas protetivas. As medidas protetivas, previstas na Lei Maria da Penha, são ordens judiciais que proíbem o agressor de se aproximar ou ter contato com a vítima, além de oferecerem auxílio, acompanhamento e proteção. Os pedidos são analisados pelo Judiciário em até 48 horas.

De acordo com a advogada Mayra Cotta, especializada em gênero, o aumento da violência contra a mulher é incentivado por discursos de ódio nas redes sociais, que reduzem a humanidade das mulheres e as tratam como seres inferiores, merecedoras de violência. Ela destaca que a misoginia é lucrativa nas plataformas digitais, onde produtores de conteúdo ganham seguidores promovendo discursos de ódio contra as mulheres.

A especialista ressalta a importância de questionar por que homens conseguem ser violentos com mulheres que dizem amar e transformar a união em violência. Ela explica que a vítima tem dificuldade em terminar o relacionamento abusivo por diversos fatores, como não acreditar que está sofrendo violência ou não ter os recursos emocionais, psicológicos, financeiros ou familiares para sair da situação.

Fonte: g1.globo.com

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