A audiência de custódia de Douglas da Silva, preso sob a acusação de atropelar e arrastar Tainara por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo, foi marcada por alegações de agressão policial e preocupações da defesa sobre a segurança do acusado no sistema prisional.
Douglas afirmou ao juiz ter sido agredido por policiais civis durante sua prisão, ocorrida em um hotel na Vila Prudente. Ele relatou que as agressões ocorreram enquanto dormia e que as lesões foram documentadas no auto de prisão. Ele também disse ser capaz de identificar os agentes envolvidos.
O advogado de Douglas expressou dificuldades em localizar seu cliente após a prisão. Segundo o defensor, a polícia havia informado que Douglas seria levado ao 8º Distrito Policial, onde ele aguardou até as 3h da manhã sem sucesso. O advogado questionou o paradeiro de Douglas durante esse período e alegou que ele não recebeu atendimento médico para seus ferimentos visíveis, incluindo uma lesão de tiro que, segundo ele, estava aberta e sangrando.
O juiz reconheceu as lesões apresentadas por Douglas e determinou que ele fosse submetido a um exame no Instituto Médico Legal (IML), caso ainda não tivesse sido realizado. Também ordenou que a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) providenciasse atendimento médico imediato. O juiz ressaltou que a audiência de custódia não era o momento para revisar os fundamentos da prisão temporária, tarefa a ser realizada pelo juízo responsável pelo inquérito.
Atendendo aos pedidos da defesa e da promotoria, o juiz determinou que a Corregedoria da Polícia Civil investigue a conduta dos agentes envolvidos na prisão, diante das alegações de uso excessivo de força. O defensor solicitou acesso aos registros de GPS das viaturas e às câmeras corporais dos policiais, pedidos que serão juntados aos autos para análise pelo juízo competente.
Enquanto isso, Tainara Souza Santos, que teve as pernas amputadas em decorrência do atropelamento, se prepara para uma quarta cirurgia. Internada desde sábado no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, ela deverá passar por um enxerto nas áreas amputadas para auxiliar na reconstrução dos membros. Na terça-feira, Tainara passou por uma terceira cirurgia, com duração de quase sete horas, na qual os médicos colocaram pinos na bacia e instalaram uma sonda.
O irmão de Tainara, Luan Henrique, informou que ela está em coma induzido e que a família ainda não contou às duas filhas dela, de 12 e 7 anos, sobre o que aconteceu. Luan também alertou sobre uma falsa campanha de arrecadação de dinheiro em nome de Tainara, pedindo que as pessoas apenas orem por ela.
O atropelamento ocorreu após uma discussão em um bar, quando Douglas avançou com um carro contra Tainara, prendendo-a sob o veículo e arrastando-a por cerca de um quilômetro. Ao ser detido, Douglas tentou tomar a arma de um policial e foi baleado.
Fonte: g1.globo.com


