Motociclista ferido por linha de cerol em Barretos exige fiscalização

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G1

Um grave acidente em Barretos, no interior de São Paulo, reacende o alerta para os perigos do cerol. Na noite da última segunda-feira, um motociclista de 39 anos teve o rosto cortado por uma linha de pipa contendo a substância altamente cortante. Thiago Rezende, a vítima, precisou de atendimento médico e levou 26 pontos em ferimentos concentrados na testa e próximo a um dos olhos. O incidente, ocorrido na Avenida Aristides José Anastácio, no Jardim Planalto, um bairro residencial, destaca a urgência de medidas mais eficazes para coibir o uso ilegal do cerol. A recuperação de Thiago em casa é um lembrete contundente dos riscos que essa prática irresponsável impõe à segurança pública e à vida dos cidadãos.

O drama do acidente e os ferimentos

O relato da vítima e o susto na avenida

Thiago Rezende, um motociclista de 39 anos, vivenciou momentos de terror na noite de segunda-feira, dia 2 de outubro. Por volta das 19h, enquanto se dirigia ao mercado do seu bairro, o Jardim Planalto, em Barretos, ele trafegava pela Avenida Aristides José Anastácio, a principal via da região. De repente, sentiu algo cortar violentamente seu rosto. A sensação inicial foi de um corte profundo e imediato, causado por uma linha de pipa com cerol, um material abrasivo composto por cola e vidro moído. O impacto foi tão chocante que Thiago imediatamente parou sua motocicleta, percebendo que o sangramento era excessivo e assustador.

Em seu depoimento, a vítima expressou a gravidade da situação e a frequência com que linhas com cerol são utilizadas na região. “Por volta das 19h, estava a caminho do mercado do meu bairro, quando senti algo cortando o meu rosto e era uma linha de cerol. Em um bairro onde todos os domingos tem crianças, adolescentes e adultos soltando pipa com cerol. Hoje isso aconteceu comigo, poderia ser uma criança, uma garupa de uma moto, uma mulher, um adolescente de bicicleta, qualquer um”, desabafou Thiago, sublinhando a natureza indiscriminada e o risco generalizado dessa prática. Seus ferimentos no rosto e em um dos olhos servem como um alerta dramático para toda a comunidade.

O tratamento e a recuperação em casa

Após o acidente, Thiago Rezende foi prontamente socorrido e encaminhado para atendimento médico. Os cortes, profundos e concentrados na testa e nas proximidades de um dos olhos, exigiram um procedimento complexo. Ele precisou levar um total de 26 pontos para fechar as incisões, evidenciando a seriedade das lesões. Embora as marcas físicas sejam visíveis, o impacto psicológico de ter sua segurança pessoal tão brutalmente comprometida é incalculável.

Felizmente, após o tratamento inicial e a estabilização de seu quadro, Thiago recebeu alta hospitalar e atualmente se recupera em casa. No entanto, o processo de cicatrização e a reabilitação exigirão tempo e cuidados contínuos. A experiência, traumática, certamente o marcará, e sua história serve como um poderoso testemunho dos perigos reais e muitas vezes subestimados das linhas de pipa com cerol que flutuam invisivelmente em nossos céus, transformando um passatempo em uma ameaça mortal.

Os perigos do cerol e a legislação

O risco invisível das linhas com cerol

O cerol, uma mistura mortal de cola e vidro moído (ou limalha de ferro), transforma a inofensiva linha de pipa em uma arma branca de alto poder de corte. Invisível a olho nu em alta velocidade ou sob certas condições de luz, essa linha se torna um risco mortal para motociclistas, ciclistas e pedestres. Esses acidentes podem resultar em cortes profundos no pescoço, rosto, braços e pernas, levando a lesões graves, desfiguração permanente e, em muitos casos, à morte. A cada ano, o Brasil registra centenas de ocorrências relacionadas ao cerol, com números crescentes de vítimas fatais e feridos. A gravidade desses incidentes reforça a necessidade de conscientização sobre a letalidade que um objeto tão aparentemente simples pode carregar. A alegria de empinar pipa não pode e não deve sobrepor-se ao direito à vida e à segurança de outrem.

Legislação e apelo por fiscalização mais rígida

No Brasil, a utilização e comercialização de cerol são proibidas. Segundo o Código Penal Brasileiro, a pessoa que for flagrada utilizando ou vendendo linhas com cerol pode responder por diversos crimes, dependendo da gravidade do caso. As sanções variam desde contravenção penal por “perigo para a vida ou saúde de outrem” até crimes mais graves como lesão corporal ou homicídio, caso o acidente resulte em ferimentos ou óbito. As penas podem incluir multas e, em situações mais extremas, resultar em prisão.

Diante do ocorrido, Thiago Rezende fez um apelo contundente por uma fiscalização mais rigorosa por parte das autoridades e uma maior conscientização da população. Ele ponderou sobre a eficácia das antenas corta-linha, um equipamento de proteção para motocicletas. “Minha esposa fez uma postagem nas redes sociais, recebemos alguns alertas sobre antena de moto pra poder evitar o acidente, só que o problema não está nas antenas para proteger. Sim, a gente pode evitar, só que existe muito mais moto do que gente soltando pipa e eu acho que hoje falta conscientização daqueles que estão querendo ter o lazer de soltar a pipa, deveria ser sem o cerol para que não tivesse risco para terceiros. Acho que a punição, a segurança deveriam ser mais rígidas”, afirmou Thiago, enfatizando que a responsabilidade primária recai sobre quem utiliza o cerol, e não apenas sobre as vítimas em se proteger. Sua fala ressalta a importância de ações preventivas e punitivas para erradicar essa prática perigosa.

Um apelo pela segurança e conscientização

O incidente que feriu gravemente Thiago Rezende em Barretos serve como um alerta doloroso sobre a urgência de combater o uso de linhas de pipa com cerol. Este episódio trágico, que poderia ter consequências ainda mais devastadoras, ilustra o risco iminente que milhares de pessoas enfrentam diariamente em vias públicas. A conscientização e a fiscalização rigorosa são pilares fundamentais para erradicar essa prática perigosa. Não se trata apenas de um problema individual, mas de uma questão de segurança pública que exige a colaboração de todos: cidadãos, autoridades e educadores. A prevenção de futuros acidentes depende de um esforço coletivo para garantir que a brincadeira de empinar pipa não se transforme em uma ameaça à vida. Que a experiência de Thiago inspire uma reflexão profunda e ações efetivas para um trânsito mais seguro e uma sociedade mais consciente.

FAQ

O que é cerol e por que é perigoso?
Cerol é uma mistura de cola com vidro moído ou limalha de ferro, aplicada em linhas de pipa. É extremamente perigoso porque transforma a linha em uma lâmina, capaz de causar cortes profundos e letais em pessoas, especialmente motociclistas, ciclistas e pedestres.

Quais são as consequências legais de usar cerol?
O uso e a comercialização de cerol são proibidos no Brasil. Quem for flagrado pode responder por contravenção penal (perigo para a vida ou saúde de outrem), lesão corporal grave ou até homicídio, dependendo da gravidade do acidente, com penas que podem incluir multas e prisão.

Como os motociclistas podem se proteger de linhas com cerol?
A principal forma de proteção para motociclistas é a instalação de antenas corta-linha (ou aparadores de linha) em suas motos. Além disso, a atenção redobrada no trânsito, especialmente em áreas onde pipas são comumente soltas, é crucial.

O que devo fazer se presenciar alguém usando cerol?
É fundamental denunciar a prática às autoridades competentes, como a Polícia Militar. A denúncia pode ser feita de forma anônima, contribuindo para a segurança de todos.

Sua atenção e denúncia podem salvar vidas. Não hesite em agir contra o uso do cerol.

Fonte: https://g1.globo.com

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