Morte do Tio de Suzane Richthofen e disputa judicial por herança e

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G1

A morte de Miguel Abdalla Netto, médico de 76 anos e tio materno de Suzane Richthofen, desencadeou uma série de eventos e disputas judiciais que vêm à tona na Justiça de São Paulo. Encontrado morto em sua residência na Zona Sul da capital paulista em 9 de maio, o caso de Miguel é investigado como morte suspeita pela Polícia Civil, aguardando os resultados dos laudos periciais para confirmar a principal hipótese de morte natural por infarto. No entanto, o falecimento do médico revelou camadas de complexidade em torno de sua herança e das relações familiares, envolvendo tanto sua sobrinha, Suzane Richthofen, quanto sua prima, Carmem Silvia Gonzalez Magnani, que busca o reconhecimento de uma união estável.

A investigação sobre o falecimento e a disputa pelo corpo

A Polícia Civil de São Paulo está aprofundando as investigações sobre a morte de Miguel Abdalla Netto, ocorrida em sua residência no bairro Campo Belo. O médico, que morava sozinho, foi encontrado sem vida por um vizinho, e as autoridades atuam com cautela enquanto aguardam os resultados dos exames da Polícia Técnico-Científica. Embora a principal linha de investigação aponte para uma morte natural, possivelmente um infarto, a natureza “suspeita” da ocorrência exige a confirmação pericial, cujos laudos ainda não foram divulgados.

Hipóteses e procedimentos legais

Horas após o falecimento, uma peculiar disputa pelo corpo do médico se manifestou. Carmem Silvia Gonzalez Magnani, empresária de 69 anos e prima de Miguel, foi a primeira a conseguir autorização policial para a liberação do corpo. Contudo, no mesmo dia, Suzane Louise Magnani Muniz (antigo nome Richthofen), sobrinha materna do falecido, compareceu à mesma delegacia com o idêntico pedido. Sua solicitação foi negada, uma vez que a autorização já havia sido concedida à prima. Este episódio revelou uma aparente falta de contato e bom relacionamento entre Miguel e ambas as mulheres que procuraram o 27º Distrito Policial (DP) no Campo Belo. Apesar da distância familiar, tanto Carmem quanto Suzane manifestaram interesse na liberação do corpo, gerando questionamentos sobre as reais motivações, especialmente considerando a existência de outros primos que poderiam ter assumido essa responsabilidade.

O sepultamento de Miguel Abdalla Netto ocorreu no cemitério municipal de Pirassununga, no interior paulista, onde sua mãe está sepultada. No entanto, informações de pessoas próximas ao médico indicam que seu desejo era ser enterrado no cemitério do Araçá, na capital, ao lado de seu pai. Este detalhe, embora aparentemente menor, adiciona mais um elemento de desencontro aos eventos que se seguiram à sua morte. A ausência de um testamento com diretrizes claras para o sepultamento e a gestão de seus bens adiciona complexidade à situação, abrindo caminho para disputas legais sobre sua herança.

A complexa teia sucessória e a luta pela herança

Miguel Abdalla Netto não era casado oficialmente e não tinha filhos, o que, pela legislação brasileira, direciona a sucessão de seus bens aos seus herdeiros colaterais mais próximos: os sobrinhos. Miguel deixou ao menos dois imóveis valiosos: o sobrado no Campo Belo onde residia e foi encontrado morto, e um apartamento no mesmo bairro. Nesse cenário, Suzane Louise Magnani Muniz e seu irmão, Andreas von Richthofen, seriam os herdeiros legítimos e teriam o direito de pleitear a herança judicialmente. A situação, entretanto, é intrincada, não apenas pela história notória de Suzane, mas também pela controvérsia envolvendo uma suposta união estável.

Direitos sucessórios e o legado de Miguel Abdalla Netto

A legislação sucessória brasileira estabelece que, na ausência de cônjuge e descendentes ou ascendentes, a herança é transmitida aos colaterais, sendo os irmãos os primeiros na linha de sucessão e, na falta destes, os sobrinhos. Como Miguel não tinha irmãos vivos com direito à herança ou que pudessem herdar na representação de seus pais (o texto não detalha a existência de irmãos, mas foca nos sobrinhos), Suzane e Andreas von Richthofen, filhos de sua irmã (falecida mãe de Suzane e Andreas), tornam-se os principais candidatos à herança.

É relevante notar que Miguel Abdalla Netto desempenhou um papel significativo na vida de Andreas von Richthofen, tendo sido seu tutor após os assassinatos de Manfred Albert e Marísia von Richthofen em 2002. Naquela época, Andreas tinha 15 anos, e Miguel administrou seus bens até que ele atingisse a maioridade, aos 18 anos. Essa relação de tutela pode influenciar a dinâmica da disputa pela herança, embora, legalmente, o direito de herdar seja baseado no parentesco de sobrinho.

A eventual existência de um testamento deixado por Miguel poderia alterar a distribuição dos bens, nomeando outros herdeiros ou estabelecendo legados específicos. Contudo, não há confirmação oficial sobre a existência de tal documento, o que mantém a regra da sucessão legal como a principal baliza. A complexidade aumenta ao se recordar que, em 2015, Suzane foi oficialmente excluída da herança de seus próprios pais, com o patrimônio avaliado em R$ 10 milhões sendo destinado integralmente a Andreas. A decisão sobre a herança de Miguel Abdalla Netto, portanto, adiciona mais um capítulo à saga judicial da família.

O pedido de reconhecimento de união estável de Carmem Magnani

Em paralelo à questão da herança, Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima de Miguel, trava uma batalha judicial há mais de dois anos para o reconhecimento e dissolução de uma união estável com o médico, que ela alega ter existido entre 2011 e 2015. Segundo Carmem, eles viveram como um casal em um apartamento de propriedade de Miguel.

A versão do médico, no entanto, sempre divergiu da de sua prima. Meses antes de Carmem iniciar a ação de reconhecimento de união estável, Miguel havia acionado a Justiça para pedir a reintegração de posse do imóvel. Ele argumentava que permitiu que Carmem morasse no apartamento “de favor” em 2011 devido a dificuldades financeiras dela e porque o imóvel estava vazio. Em 2023, Miguel teria solicitado o apartamento de volta, mas Carmem se recusou a sair, passando então a alegar um relacionamento amoroso que caracterizaria união estável. Apesar de não ter apresentado documentos que comprovassem a relação, ela anexou fotos dela com o primo ao processo.

Em 2024, a Justiça determinou que Carmem deixasse o imóvel, o que foi cumprido. Além disso, foi-lhe imposto o pagamento de um aluguel mensal de mais de R$ 4 mil pelo período em que ocupou a propriedade. O processo de reconhecimento de união estável ainda tramita sem uma decisão final, adicionando um elemento de incerteza sobre a eventual partilha de bens.

O caso Richthofen e o passado de Suzane

O nome de Suzane Louise Magnani Muniz (anteriormente von Richthofen) está intrinsecamente ligado a um dos crimes mais chocantes da história recente do Brasil. Há 23 anos, em 2002, ela foi condenada por ter orquestrado o assassinato de seus pais, o engenheiro Manfred e a psiquiatra Marísia von Richthofen, em sua mansão no Campo Belo. O crime foi cometido por seu então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, utilizando barras de ferro, numa tentativa de simular um latrocínio. Os três confessaram o crime, motivados pela oposição dos pais ao namoro de Suzane com Daniel e pelo interesse na herança da família.

Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, não estava na casa no momento do crime e não tinha conhecimento do plano. Em 2006, Suzane e Daniel Cravinhos foram condenados a penas de 39 anos de prisão, enquanto Cristian recebeu 38 anos. Com reduções de pena ao longo do tempo, os três atualmente cumprem o restante de suas sentenças em regime aberto.

Suzane deixou a prisão em 2023. Desde então, tem se dedicado à produção e venda online de chinelos, bolsas e pulseiras. Ela mudou seu nome para Suzane Louise Magnani Muniz após se casar em 2023 com o médico Felipe Zecchini Muniz. O casal, ambos de 42 anos, reside em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, e teve um filho em 2024. Daniel Cravinhos, por sua vez, foi solto em 2018 e, aos 44 anos, trabalha com customização de motos. Cristian Cravinhos saiu da prisão em 2025 e atua com o irmão; ele tem 49 anos. A participação de Suzane na disputa pela herança do tio reacende a atenção para seu passado e sua atual vida em liberdade.

O desfecho de um complexo legado

A morte de Miguel Abdalla Netto, tio materno de Suzane Richthofen, é mais do que um simples falecimento. Ela é o ponto de partida para uma série de disputas e revelações que lançam luz sobre as relações familiares, os direitos sucessórios e a persistência de um passado notório. Enquanto a investigação policial busca a verdade sobre a causa da morte, a Justiça paulista se vê diante da complexidade da reivindicação de união estável de Carmem Magnani e da expectativa sobre a partilha da herança entre os sobrinhos, Suzane e Andreas. As decisões judiciais que se seguirão terão um impacto duradouro na vida dos envolvidos, marcando um novo capítulo na saga de uma família sob os holofotes.

FAQ

Q1: Quem é Miguel Abdalla Netto e qual sua relação com Suzane Richthofen?
Miguel Abdalla Netto era um médico de 76 anos, tio materno de Suzane Richthofen. Ele foi encontrado morto em sua casa na Zona Sul de São Paulo e sua morte está sob investigação.

Q2: Qual é o status da investigação sobre a morte de Miguel Abdalla Netto?
A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso como morte suspeita, aguardando os laudos da Polícia Técnico-Científica. A principal hipótese é de morte natural por infarto, mas a confirmação depende dos exames periciais.

Q3: Suzane Richthofen tem direito à herança de seu tio?
Sim. Como Miguel Abdalla Netto não era casado e não tinha filhos, pela lei sucessória brasileira, os sobrinhos (Suzane e seu irmão Andreas von Richthofen) são os herdeiros legítimos de seus bens, que incluem dois imóveis.

Q4: O que Carmem Magnani reivindica na Justiça em relação a Miguel Abdalla Netto?
Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima de Miguel, tenta judicialmente o reconhecimento e a dissolução de uma união estável com o médico, que ela alega ter existido entre 2011 e 2015. Além disso, ela foi obrigada pela Justiça a deixar um apartamento de Miguel e a pagar aluguel pelo período em que morou lá.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste complexo caso judicial e as novas etapas que se apresentarão à Justiça.

Fonte: https://g1.globo.com

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