A recente e trágica morte de uma jovem engenheira após uma cirurgia para implante de próteses de silicone em Sorocaba, São Paulo, reacende um alerta crucial sobre a importância dos cuidados no pós-operatório e a avaliação pré-cirúrgica rigorosa. A mulher, de 28 anos, residente em Pedregulho (SP), submeteu-se ao procedimento em um hospital particular da cidade paulista. Embora o ato cirúrgico tenha transcorrido sem intercorrências imediatas, complicações sérias surgiram no período de recuperação, culminando em uma parada cardiorrespiratória e, posteriormente, falência múltipla de órgãos. Este lamentável incidente sublinha a necessidade de atenção redobrada aos protocolos médicos antes, durante e, especialmente, após qualquer intervenção cirúrgica, mesmo aquelas consideradas de rotina.
Os cuidados essenciais no pós-operatório de cirurgias plásticas
O sucesso de uma cirurgia estética, como o implante de silicone, não se limita apenas ao momento da intervenção. Uma fase igualmente crítica é o pós-operatório, que exige do paciente disciplina e atenção rigorosa às orientações médicas. A falta de adesão a esses cuidados pode comprometer o resultado estético e, mais gravemente, a saúde do indivíduo.
Repouso, higiene e monitoramento contínuo
Mesmo após um procedimento cirúrgico bem-sucedido, o corpo inicia um processo de recuperação que demanda cuidados específicos. O repouso relativo é um dos pilares, especialmente nos primeiros dias. Isso significa evitar esforços físicos intensos, levantar pesos, realizar movimentos bruscos com os braços e dirigir, para prevenir a abertura dos pontos, deslocamento das próteses ou sangramentos. O uso contínuo do sutiã cirúrgico, ou malha compressiva, é fundamental para dar suporte às mamas, auxiliar na redução do inchaço e na correta cicatrização dos tecidos.
A higiene dos curativos é outro ponto inegociável. Manter a área operada limpa e seca, conforme as instruções do cirurgião, minimiza significativamente o risco de infecções. Quaisquer sinais incomuns, como vermelhidão excessiva, dor intensa, inchaço desproporcional ou secreção nos curativos, devem ser imediatamente comunicados ao médico responsável. Além disso, a administração correta de medicamentos prescritos, como analgésicos e antibióticos, é vital para o controle da dor e a prevenção de complicações.
Riscos e complicações no pós-operatório
Apesar de a maioria das cirurgias de implante de silicone transcorrer sem maiores problemas, é fundamental estar ciente dos riscos, mesmo que raros, que podem surgir durante a recuperação. A engenheira Lana David de Carvalho, vítima do caso em questão, demonstra a gravidade dessas complicações quando ocorrem.
De infecções a eventos cardiovasculares graves
Entre os riscos mais comuns, embora ainda considerados raros, estão a infecção na área operada, o acúmulo de líquidos (seroma) ou sangue (hematoma), a abertura dos pontos cirúrgicos (deiscência), o deslocamento da prótese e a dor persistente. Infecções podem exigir tratamento com antibióticos e, em casos mais graves, a remoção temporária da prótese.
Outras complicações, ainda mais raras, incluem a trombose e a contratura capsular. A trombose é a formação de coágulos sanguíneos nas veias, geralmente nas pernas (trombose venosa profunda – TVP), que podem se deslocar e atingir os pulmões (embolia pulmonar), uma condição de alto risco de vida. A imobilidade pós-cirúrgica, o uso de contraceptivos hormonais e a predisposição genética são fatores de risco. A contratura capsular, por sua vez, é o endurecimento da mama devido a uma reação exagerada do organismo ao redor do implante, causando dor e deformidade, e que pode necessitar de nova intervenção cirúrgica.
No caso da engenheira, a parada cardiorrespiratória e a falência múltipla de órgãos indicam uma complicação de natureza sistêmica e extremamente grave, que pode estar ligada a fatores pré-existentes ou a uma reação adversa no pós-operatório imediato.
A importância da avaliação pré-operatória e grupos de risco
A prevenção de intercorrências graves começa muito antes da cirurgia, com uma avaliação pré-operatória minuciosa. Cardiologistas e cirurgiões plásticos enfatizam a necessidade de uma análise individualizada para cada paciente.
Fatores de risco e perfis de atenção especial
A avaliação pré-operatória leva em conta uma série de fatores, incluindo idade, tipo de cirurgia, medicações em uso e histórico de doenças pré-existentes. Essa análise multifatorial permite identificar o risco individual de cada paciente e tomar as precauções necessárias. Uma parada cardiorrespiratória, por exemplo, não é um evento isolado, mas sim o resultado de um conjunto de fatores que, juntos, impõem um risco maior ou menor durante e após o procedimento.
Existem perfis de pacientes que demandam uma avaliação ainda mais criteriosa e atenção redobrada antes de serem submetidos a qualquer cirurgia eletiva. Entre eles, destacam-se indivíduos com infecções ativas, doenças crônicas descompensadas (como diabetes, hipertensão ou doenças cardíacas), doenças autoimunes em atividade, pacientes em tratamento oncológico ou com histórico recente de câncer, e fumantes. Nesses casos, a estabilização das condições de saúde e a otimização do estado geral do paciente são cruciais para minimizar os riscos. O tabagismo, por exemplo, compromete a circulação sanguínea, dificulta a cicatrização e aumenta significativamente o risco de trombose e infecções.
FAQ
1. Quais são os sinais de alerta no pós-operatório de uma cirurgia de silicone?
Sinais de alerta incluem dor intensa e crescente que não melhora com medicação, inchaço excessivo ou assimétrico, vermelhidão ou calor na área operada, febre, secreção purulenta nos pontos, dormência prolongada ou qualquer alteração na coloração da pele. Em casos mais graves, dificuldade para respirar ou dor no peito exigem atenção médica imediata.
2. Quanto tempo de repouso é necessário após a cirurgia de implante de silicone?
O período de repouso relativo costuma ser de 7 a 15 dias, dependendo da evolução de cada paciente e das orientações médicas. Atividades físicas e esforços com os braços devem ser evitados por um período mais longo, geralmente entre 30 a 60 dias, para garantir a correta cicatrização e a estabilização das próteses.
3. É possível ter uma parada cardiorrespiratória após uma cirurgia que correu bem?
Sim. Embora seja um evento raro, complicações graves como a parada cardiorrespiratória podem ocorrer no pós-operatório, mesmo que a cirurgia em si tenha sido realizada sem intercorrências. Fatores como a resposta individual do organismo, condições pré-existentes do paciente não totalmente controladas ou o desenvolvimento de outras complicações (como uma embolia pulmonar) podem desencadear eventos críticos. A avaliação pré-operatória rigorosa busca minimizar esses riscos, mas eles não podem ser completamente eliminados.
Para informações mais detalhadas e personalizadas sobre os cuidados e riscos de cirurgias plásticas, consulte sempre um cirurgião plástico qualificado e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Fonte: https://g1.globo.com


