Milhares de mulheres negras de todo o Brasil convergiram para Brasília nesta terça-feira, em uma marcha que visa amplificar a urgência de seus direitos fundamentais. Sob um céu chuvoso, a Esplanada dos Ministérios se tornou palco de reivindicações e celebração da força feminina negra.
A ministra das Mulheres, Márcia Helena Lopes, ressaltou a relevância da mobilização, destacando que as mulheres negras representam mais de um quarto da população brasileira. “A nossa luta é pela reparação, é pela igualdade racial, é pela igualdade de gênero”, afirmou a ministra.
Lindinalva Barbosa, servidora pública aposentada vinda de Salvador, Bahia, compartilhou sua experiência como ativista de longa data. “Eu vim marchar por reparação e bem viver para as mulheres negras e para todo o Brasil. Porque, quando as mulheres negras se movimentam, toda a sociedade se movimenta”, declarou, ecoando as palavras da renomada filósofa Angela Davis.
Ana Benedita Costa, educadora e coordenadora de uma escola de frevo do Recife, Pernambuco, enfatizou a importância do reconhecimento da contribuição negra para a cultura e a sociedade brasileira. “Eu acredito também que nós, mulheres negras, juntas, podemos ensinar não só ao nosso povo, mas quem está ao redor, quem também acredita nessa luta antirracista”, disse.
A intolerância religiosa foi o principal motivador para Ednamar Almeida, ialoxairá de Foz do Iguaçu, Paraná, participar da marcha. “Nós, mulheres de terreiro e mulheres negras, sentimos na pele a perseguição, a injustiça, a intolerância, o racismo, tanto nas nossas comunidades quanto no nosso dia a dia”, relatou.
Hellen Gabrielle Cunha Gomes da Silva, mulher trans residente em Brasília, uniu-se ao movimento, ressaltando a importância da visibilidade para causas relevantes para toda a sociedade. “Eu vim à marcha para compartilhar com a democracia, porque acho que a população tem um papel crucial nisso”, explicou.
Esta edição da Marcha das Mulheres Negras ocorre no mês da Consciência Negra, marcando dez anos após a primeira manifestação em 2015. Naquela ocasião, mais de 100 mil mulheres negras marcharam em Brasília, denunciando o racismo, a violência contra jovens negros, a violência doméstica e o feminicídio, e exigindo o direito a uma vida digna.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


