Em países de baixa e média renda, um número alarmante de 417 milhões de crianças enfrenta privações severas em pelo menos duas áreas essenciais para seu desenvolvimento, saúde e bem-estar. Essa estatística preocupante, revelada por um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), representa uma em cada cinco crianças vivendo nos 130 países analisados. O estudo foi divulgado em alusão ao Dia Mundial da Criança.
Intitulado “Situação Mundial das Crianças 2025: Erradicar a Pobreza Infantil”, o relatório tem como objetivo avaliar a extensão da pobreza multidimensional, medindo privações em seis categorias cruciais: educação, saúde, moradia, nutrição, saneamento e acesso à água. A análise revela que 118 milhões de crianças em todo o mundo enfrentam três ou mais privações, enquanto 17 milhões lidam com quatro ou mais.
As maiores taxas de pobreza multidimensional infantil estão concentradas na África Subsaariana e no Sul da Ásia. No Chade, por exemplo, 64% das crianças sofrem com duas ou mais privações severas. A falta de saneamento é outro problema grave, afetando 65% das crianças que vivem sem acesso a banheiros em países de baixa renda, 26% em países de renda média-baixa e 11% em países de renda média-alta. A ausência de saneamento adequado aumenta a vulnerabilidade das crianças a doenças como diarreias e arboviroses.
O relatório também aborda a pobreza monetária, que restringe o acesso das crianças a alimentos, educação e serviços de saúde. Estima-se que mais de 19% das crianças no mundo vivem em pobreza monetária extrema, sobrevivendo com menos de US$ 3 por dia. Quase 90% dessas crianças residem na África Subsaariana e no Sul da Ásia. Em 37 países de alta renda, cerca de 50 milhões de crianças, ou 23% da população infantil, vivem em pobreza monetária relativa, indicando que suas famílias têm renda significativamente menor do que a média nacional.
Apesar dos desafios impostos por conflitos, crises climáticas e ambientais, e mudanças demográficas, o relatório destaca que o progresso na erradicação da pobreza infantil ainda é possível. A Tanzânia, por exemplo, conseguiu reduzir a pobreza infantil multidimensional em 46 pontos percentuais entre 2000 e 2023, impulsionada por programas de transferência de renda e iniciativas de empoderamento das famílias. Em Bangladesh, a pobreza infantil diminuiu 32 pontos percentuais no mesmo período, graças a investimentos em educação, eletricidade, moradia e saneamento.
Embora a pobreza infantil tenha diminuído em média 2,5% nos países de alta renda entre 2013 e 2023, o progresso estagnou ou retrocedeu em muitos casos. Na França, Suíça e Reino Unido, a pobreza infantil aumentou mais de 20%. A Eslovênia, por outro lado, reduziu sua taxa de pobreza em mais de um quarto, graças a um sistema robusto de benefícios familiares e legislação sobre salário mínimo.
O Unicef alerta que o relatório é divulgado em um momento crítico, em que muitos governos estão reduzindo a ajuda humanitária internacional, o que pode deixar mais de 6 milhões de crianças fora da escola já no próximo ano. A organização enfatiza a importância de fortalecer os investimentos em serviços essenciais para manter as crianças saudáveis e protegidas, garantindo acesso a itens básicos como boa nutrição, especialmente em contextos frágeis e humanitários.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


