Lula exalta acordo Mercosul-UE como marco para prosperidade e desenvolvimento sustentável

13 Tempo de Leitura
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o acordo Mercosul-UE ecoou na cena internacional, sinalizando uma nova era de colaboração transatlântica. Após um encontro estratégico no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o chefe de Estado brasileiro enfatizou que esta parceria transcende meras questões comerciais. Para Lula, o pacto representa um pilar fundamental para todos os envolvidos, promovendo um desenvolvimento que é não apenas econômico, mas também social e ambientalmente sustentável. A negociação, que durou mais de 25 anos, culminou na aprovação europeia na semana anterior, consolidando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e impactando a vida de aproximadamente 720 milhões de pessoas. A expectativa é de que a formalização abra caminho para uma cooperação mais profunda e benéfica para ambas as regiões.

A nova era da parceria Mercosul-UE

A reunião entre o presidente Lula e Ursula von der Leyen na sede do Itamaraty, no Rio de Janeiro, marcou um momento crucial para as relações entre o Mercosul e a União Europeia. O presidente brasileiro destacou que o acordo que se avizinha é muito mais do que um tratado comercial. É uma parceria profundamente enraizada nos princípios do multilateralismo, que busca solidificar compromissos que ressoam com as maiores aspirações globais. Essa visão abrangente diferencia o pacto de outros arranjos puramente econômicos, inserindo-o em um contexto de responsabilidade compartilhada e valores universais. A proposta é de um modelo de cooperação que, ao mesmo tempo em que abre portas para o comércio e o investimento, fortalece os laços políticos e culturais, promovendo um entendimento mútuo mais profundo entre as nações dos dois blocos.

Compromissos que vão além do econômico

Ao defender o acordo, o presidente Lula foi enfático ao sublinhar a amplitude dos compromissos assumidos. O documento, conforme suas palavras, reflete um “pleno respeito a todos os pactos internacionais que assumimos nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio”. Isso significa que as diretrizes do acordo estão alinhadas com as normas e tratados globais de comércio e direitos humanos. Mais especificamente, o pacto contempla uma série de temas considerados cruciais para o século XXI: o compromisso robusto com o meio ambiente e o enfrentamento à mudança do clima, um reconhecimento vital da urgência climática global e da necessidade de ações conjuntas para a transição energética; a defesa intransigente dos direitos dos povos indígenas, garantindo sua proteção cultural, territorial e participação nas decisões que os afetam; a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores, promovendo condições justas e dignas, além do combate ao trabalho análogo à escravidão e ao trabalho infantil; e a promoção da igualdade de gênero, buscando uma sociedade mais equitativa e inclusiva, com oportunidades iguais para homens e mulheres. Tais pilares sociais e ambientais são apresentados não como apêndices, mas como elementos centrais que definem a natureza e a ambição desta parceria histórica. A inclusão desses temas demonstra uma maturidade na forma como os blocos comerciais encaram o desenvolvimento, entendendo que a prosperidade econômica deve vir acompanhada de progresso social e ambiental.

O longo caminho até a aprovação

A aprovação do acordo por parte da União Europeia, anunciada na semana anterior aos encontros diplomáticos no Brasil, representa o ápice de um processo negocial que se estendeu por mais de 25 anos. Essa longa duração reflete a complexidade e a diversidade de interesses envolvidos entre os 27 países membros da União Europeia e os quatro membros plenos do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Ao longo de décadas, questões agrícolas, industriais, ambientais e de propriedade intelectual foram intensamente debatidas, resultando em pausas e retomadas nas negociações. Interesses divergentes, especialmente no que tange à abertura dos mercados agrícolas europeus e às preocupações ambientais sobre a Amazônia, frequentemente dificultaram o avanço. A superação desses impasses exigiu flexibilidade e diplomacia por parte de ambos os blocos, culminando em um texto que busca conciliar as diferentes expectativas e sensibilidades. A longevidade das negociações também sublinha a importância estratégica que ambos os lados atribuem a este acordo, percebendo o potencial transformador de criar uma área de comércio que abrange um mercado consumidor de aproximadamente 720 milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto combinado que figura entre os maiores do mundo.

Impulsionando desenvolvimento e oportunidades

A formalização do acordo entre Mercosul e União Europeia é vista como um catalisador para impulsionar o desenvolvimento e gerar novas oportunidades em ambos os lados do Atlântico. O presidente Lula ressaltou que a parceria não se limitará a um intercâmbio superficial, mas buscará uma transformação estrutural nas economias envolvidas, especialmente a brasileira. Essa visão proativa visa garantir que o Brasil não apenas participe do comércio global, mas o faça de uma forma que agregue valor e fortaleça sua capacidade industrial e tecnológica, posicionando-o de maneira mais vantajosa no cenário internacional.

Estratégias para valor agregado e industrialização

Um dos pontos mais enfáticos do discurso de Lula foi a defesa de que o Brasil deve ir além do fornecimento de commodities, ou seja, matérias-primas básicas produzidas em larga escala e comercializadas globalmente. Historicamente, a economia brasileira tem sido fortemente dependente da exportação de produtos agrícolas (como soja e carne) e minerais sem grande processamento. No entanto, com o novo acordo, a ambição é clara: buscar a produção e exportação de produtos industriais com maior valor agregado. Isso significa investir em inovação, tecnologia e industrialização para transformar matérias-primas em produtos manufaturados de maior complexidade e, consequentemente, com maior retorno econômico. Essa mudança de paradigma é crucial para a diversificação da pauta exportadora brasileira, tornando-a menos vulnerável às flutuações dos preços das commodities e mais competitiva no cenário global. A parceria com a União Europeia, um bloco com economias altamente industrializadas e inovadoras, pode facilitar o acesso a tecnologias avançadas, o intercâmbio de conhecimentos e a atração de investimentos diretos que impulsionem essa transformação industrial no Mercosul. A perspectiva é de que essa estratégia não só gere mais riqueza para o país, mas também crie empregos mais qualificados e estimule o desenvolvimento de setores de alta tecnologia.

O papel do estado e a geração de empregos

A visão do presidente Lula para o acordo harmoniza a liberalização e abertura comerciais com a manutenção de um papel estratégico para o Estado em áreas essenciais. Ele sublinhou que a expansão de oportunidades de comércio e investimento não comprometerá as funções prioritárias do governo em setores vitais como saúde, desenvolvimento industrial, inovação, agricultura e agricultura familiar. Essa abordagem reflete a crença de que a liberalização econômica só faz sentido se for capaz de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir desigualdades, e que o Estado tem um papel insubstituível na coordenação e no fomento desses objetivos. O presidente enfatizou a necessidade de equilibrar as forças de mercado com a capacidade estatal de proteger e impulsionar setores estratégicos. A expectativa é que, com mais comércio e mais investimento, surjam novos empregos e oportunidades de crescimento em ambos os lados do Atlântico. Ursula von der Leyen, chefe do Poder Executivo da União Europeia, corroborou essa visão, afirmando que todos os integrantes dos blocos deverão se beneficiar diretamente da criação de novos postos de trabalho. Ela enfatizou que o acordo abrirá “muitas oportunidades para o setor empresarial dos dois lados” e que “o melhor está por vir”, indicando um otimismo compartilhado quanto ao potencial de prosperidade gerado pela parceria.

Perspectivas futuras e os próximos passos

A formalização do acordo Mercosul-UE representa um ponto de inflexão nas relações comerciais e diplomáticas entre os dois blocos. A cerimônia de assinatura, agendada para este sábado, 17 de junho, em Assunção, no Paraguai, marcará a concretização de anos de esforços e negociações. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sublinhando a importância estratégica que o governo brasileiro atribui a este pacto e a sua visão de um futuro de maior integração global. A expectativa é que, uma vez implementada, esta parceria não apenas amplie o volume de comércio de bens e serviços, mas também sirva como um instrumento poderoso para a redução de desigualdades, a promoção de uma prosperidade mais equitativa e sustentável, e o fortalecimento da governança global em temas cruciais. Os próximos meses e anos serão cruciais para observar a materialização dos benefícios prometidos e a consolidação de uma das maiores e mais ambiciosas áreas de comércio do planeta, com potenciais impactos significativos na geopolítica e na economia mundial.

FAQ

O que é o acordo Mercosul-UE?
O acordo Mercosul-UE é um tratado de livre comércio e cooperação política e econômica entre os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e os 27 estados membros da União Europeia. Ele visa criar uma das maiores áreas de comércio do mundo, facilitando o intercâmbio de bens, serviços e investimentos, e aprofundando a cooperação em diversas áreas.

Quais são os principais pilares do acordo, além do comércio?
Além das questões econômicas, o acordo se baseia em princípios de multilateralismo e inclui compromissos significativos com a proteção do meio ambiente, o enfrentamento às mudanças climáticas, a defesa dos direitos dos povos indígenas, a garantia dos direitos dos trabalhadores e a promoção da igualdade de gênero. Esses pilares refletem uma abordagem abrangente para o desenvolvimento sustentável.

Quando e onde o acordo será formalizado?
A assinatura do acordo está agendada para sábado, 17 de junho, na cidade de Assunção, no Paraguai. O Brasil será representado pelo seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Como o acordo beneficiará o Brasil e a União Europeia?
Para o Brasil e o Mercosul, o acordo abre acesso a um vasto mercado consumidor e tecnológico, com a expectativa de impulsionar a exportação de produtos industriais de maior valor agregado, gerar empregos qualificados e promover o desenvolvimento sustentável. Para a União Europeia, o acordo oferece acesso a um mercado em crescimento, novas oportunidades de investimento e o fortalecimento de laços geopolíticos. Ambos os blocos esperam que o aumento do comércio e dos investimentos crie novas oportunidades e promova a prosperidade mútua.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta parceria histórica e seus impactos no cenário global e na economia brasileira, acompanhando nossas próximas análises e reportagens.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe está notícia