Em um discurso contundente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo e criticou as justificativas para o uso da força e intervenções ilegais em outros países. A declaração ocorreu durante a sessão plenária do primeiro dia da 4ª Reunião de Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), em Santa Marta, na Colômbia.
Sem mencionar países específicos, Lula afirmou que “a ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”. Ele reforçou que a região é uma zona de paz e expressou o desejo de que essa condição seja mantida. “Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, completou o presidente.
O encontro acontece em um momento de preocupação na América Latina, em meio à atuação dos Estados Unidos contra supostos traficantes de drogas no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Militares americanos têm alvejado embarcações na região, sob a alegação de que transportam drogas de países como a Venezuela para os Estados Unidos. Em um ataque recente, três pessoas morreram, elevando o número total de mortos nessas operações para pelo menos 70.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nega qualquer envolvimento com o narcotráfico e acusa os EUA de buscarem pretextos para invadir o país, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
Lula reconheceu que a América Latina e o Caribe enfrentam divisões e estão “mais voltadas para fora do que para si próprias”, citando ameaças como o extremismo político, a manipulação da informação e o crime organizado. Ele expressou preocupação com o fato de que muitas ideias e iniciativas discutidas em reuniões não se concretizam.
Ao abordar a questão da segurança pública, o presidente afirmou que ela é um dever do Estado e um direito fundamental dos cidadãos. “Não existe solução mágica para acabar com a criminalidade. É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando o seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas”, defendeu.
Lula destacou a importância da cooperação internacional no combate ao crime, mencionando o comando tripartite na tríplice fronteira com a Argentina e o Paraguai, e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, que reúne nove países sul-americanos.
O presidente também aproveitou o discurso para promover a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que se inicia em Belém, e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma das principais iniciativas do Brasil na conferência. Ele enfatizou a importância da transição energética para fontes limpas, afirmando que a região pode acelerar a redução da dependência dos combustíveis fósseis.
Por fim, Lula defendeu políticas de igualdade de gênero e expressou o desejo de que uma mulher latino-americana ocupe o cargo de secretária-geral da ONU.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


