A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) concluiu o inquérito sobre o caso de envenenamento que resultou na internação de Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos, após consumir um copo de açaí. A namorada da vítima, Larissa de Souza, de 26 anos, foi indiciada por tentativa de homicídio qualificado. A investigação concentra-se na dinâmica de preparo e consumo do produto, especialmente na controvérsia sobre a adição de leite condensado. Câmeras de segurança e depoimentos contraditórios são peças-chave para desvendar se o veneno, identificado como terbufós, foi introduzido no açaí antes ou depois da entrega pela loja. O Ministério Público solicitou novas oitivas para esclarecer os detalhes finais do envenenamento.
A controvérsia do leite condensado e as evidências policiais
A investigação do caso de envenenamento por açaí, que vitimou Adenilson Ferreira Parente, revelou uma série de contradições cruciais para o entendimento dos fatos. No centro da disputa está a presença de leite condensado no copo de açaí, um item que se tornou um pivô na linha de investigação da Polícia Civil.
Versões conflitantes e o descarte de envolvimento da loja
Larissa de Souza, indiciada no caso, declarou à polícia em fevereiro que havia adicionado leite condensado ao copo de açaí que comprou em uma loja em Ribeirão Preto, alegando que o ingrediente teria sido entregue separadamente. Essa versão, no entanto, diverge significativamente dos depoimentos das funcionárias do estabelecimento, ouvidas como testemunhas. Elas afirmam que o pedido de Larissa não incluía nenhum item extra entregue à parte.
Para elucidar essa discrepância, a polícia analisou o comprovante do pedido, realizado por aplicativo, e as imagens internas do sistema de monitoramento da loja. De acordo com as investigações, tanto as imagens quanto o comprovante corroboram a versão das funcionárias e do gerente do estabelecimento. O gerente, inclusive, afirmou que todos os ingredientes escolhidos por Larissa para os dois copos de açaí (morango, leite condensado e amendoim) foram misturados dentro dos recipientes durante a preparação na cozinha.
Diante dessas evidências, a possibilidade de o envenenamento ter ocorrido dentro da loja foi descartada pelas autoridades desde o início das investigações. O delegado responsável pelo caso, José Carvalho de Araújo Júnior, ressaltou que o preparo dos açaís foi integralmente filmado e em nenhum momento as gravações indicaram qualquer comportamento suspeito por parte dos funcionários. Além disso, o estabelecimento negou veementemente possuir ou armazenar venenos para controle de pragas em suas instalações, reforçando a convicção policial de que a contaminação não ocorreu no local da venda.
Imagens de segurança, o descarte e o laudo pericial
As câmeras de segurança de imóveis vizinhos ao casal desempenharam um papel fundamental nas investigações, capturando momentos que geram sérios questionamentos sobre a versão de Larissa de Souza. As imagens mostram Larissa e Adenilson chegando em casa de carro no dia 5 de fevereiro, por volta das 16h, após ela retirar o pedido de açaí. Larissa carregava uma sacola contendo os dois copos e, antes mesmo de entrar na residência, entregou um deles ao namorado.
A polícia civil detalhou que, ainda dentro do veículo, Larissa teria colocado algo dentro de um dos copos de açaí, para, em seguida, descartar um pequeno saco plástico em via pública. A jovem nega essa interpretação das imagens, mantendo sua versão de que apenas adicionou leite condensado, que teria vindo separado. No entanto, as evidências colhidas na loja e os depoimentos dos funcionários contradizem diretamente essa alegação.
Posteriormente, o casal retornou à loja de açaí por volta das 20h para reclamar do produto, momento em que Adenilson já apresentava sintomas graves de intoxicação, incluindo queimação na garganta, tontura, sonolência intensa e um gosto peculiar de “óleo de motor de carro”. O laudo do Instituto Médico Legal (IML), divulgado na semana passada, confirmou a presença de terbufós no copo de açaí consumido. Terbufós é uma substância comumente utilizada em venenos para controle de pragas de solo, popularmente conhecido como “chumbinho”, corroborando a tese de envenenamento.
O drama da vítima e o posicionamento do Ministério Público
O caso de envenenamento por açaí não apenas se tornou um complexo quebra-cabeça investigativo, mas também causou um grave quadro de saúde para a vítima, Adenilson Ferreira Parente, e mobilizou o Ministério Público em busca de mais esclarecimentos.
Sintomas, internação e a confiança do namorado
Após consumir o açaí, Adenilson começou a sentir-se mal, apresentando sintomas severos como queimação na garganta, tontura, sonolência intensa e um gosto incomum de “óleo de motor de carro”. Diante da gravidade, foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, em seguida, encaminhado à Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, onde precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Felizmente, após um período de tratamento, Adenilson se recuperou completamente, recebeu alta médica e atualmente está bem de saúde.
Apesar das evidências policiais que apontam para Larissa de Souza, Adenilson mantém a mesma versão dos fatos desde o início. Em seu único depoimento à polícia enquanto ainda estava internado, ele afirmou acreditar firmemente na inocência da namorada. Ele descreveu a relação dos dois como harmoniosa e assegurou que não haveria motivos para o crime, pois não possui seguros de vida ou bens que pudessem beneficiar Larissa. Adenilson sempre reiterou que pegou o copo de açaí lacrado de dentro da geladeira de casa, onde Larissa o havia guardado após retirá-lo do chão. A defesa do casal foi procurada, mas não se manifestou até o momento.
Exigências detalhadas do Ministério Público
O Ministério Público (MP) demonstrou grande interesse em aprofundar a investigação e solicitou à Polícia Civil novas oitivas, tanto da vítima, Adenilson, quanto das duas funcionárias da loja de açaí. As exigências do MP são bastante específicas e visam esclarecer pontos cruciais relacionados à integridade do produto.
O promotor Elizeu Berardo solicitou que Adenilson descreva minuciosamente como foi aberto o lacre do copo de açaí e em que estado ele se encontrava antes do consumo. Para as funcionárias do estabelecimento, o MP exige detalhes sobre o material do lacre, o local exato de sua aplicação e, crucialmente, se é tecnicamente possível abri-lo e restaurá-lo em casa sem deixar vestígios visíveis, como marcas de cola ou dobras. “A própria vítima disse que, quando foi pegar o copo para tomar um suco, estava intacto”, observou o promotor. Além disso, o MP pediu a apresentação de fotografias de um produto similar lacrado para análise da tampa e quer saber se houve ou não a entrega de qualquer item extra ao casal, reforçando a controvérsia do leite condensado. As datas para essas novas oitivas ainda não foram definidas, mas são consideradas essenciais para a fase final da investigação.
Desdobramentos e futuro da investigação
Com a conclusão do inquérito policial e o indiciamento de Larissa de Souza por tentativa de homicídio qualificado, o caso de envenenamento por açaí em Ribeirão Preto entra em uma fase de análise aprofundada pelo Ministério Público. Embora Larissa negue qualquer envolvimento e não haja mandado de prisão contra ela, as provas coletadas, incluindo as imagens de segurança e o laudo pericial que confirmou a presença de terbufós no açaí, sustentam a acusação. As novas oitivas solicitadas pelo MP, focadas na integridade do lacre do copo e nos depoimentos das partes envolvidas, são cruciais para dirimir as últimas dúvidas e preparar o processo para as próximas etapas legais, visando determinar a autoria e as circunstâncias exatas do crime.
Perguntas frequentes sobre o caso de envenenamento por açaí
Quem é a principal pessoa indiciada no caso de envenenamento por açaí em Ribeirão Preto?
Larissa de Souza, namorada da vítima Adenilson Ferreira Parente, foi indiciada por tentativa de homicídio qualificado.
Qual substância tóxica foi encontrada no copo de açaí?
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a presença de terbufós, um componente ativo do popularmente conhecido “chumbinho”, usado para controle de pragas.
A polícia suspeita que o envenenamento ocorreu dentro da loja de açaí?
Não. As investigações descartaram a possibilidade de o envenenamento ter ocorrido no estabelecimento, com base em imagens de segurança interna e depoimentos dos funcionários que mostram o preparo dos produtos.
Qual o papel do Ministério Público na fase atual da investigação?
O Ministério Público solicitou novas oitivas da vítima e das funcionárias da loja, buscando esclarecer detalhes sobre a abertura do lacre do copo de açaí e a possibilidade de violação ou recomposição sem vestígios.
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Fonte: https://g1.globo.com


