A data de lançamento do foguete sul-coreano Hanbit-Nano, agendada para ocorrer no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, foi postergada. A nova janela de lançamento se estende até o dia 22 de dezembro. A Operação Spaceward, que visa concretizar este lançamento, teve sua data inicial, previamente marcada para o dia 16 de dezembro, adiada para o dia 17 do mesmo mês.
O lançamento do Hanbit-Nano é visto como um marco significativo para o Brasil. O sucesso da operação representaria a entrada do país no competitivo mercado global de lançamento de foguetes, o que poderia atrair investimentos, gerar renda e impulsionar o desenvolvimento tecnológico nacional.
Com dimensões de 21,8 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro, o foguete da Innospace, empresa sul-coreana responsável pelo projeto, pesa aproximadamente 20 toneladas. O Hanbit-Nano tem como objetivo principal levar para a órbita cinco satélites e três experimentos científicos, frutos de parcerias entre universidades e empresas do Brasil e da Índia.
A Operação Spaceward é uma iniciativa coordenada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em colaboração com a Força Aérea Brasileira.
Das oito cargas que serão transportadas no lançamento, sete são de origem brasileira e uma é estrangeira.
Três das cargas contam com o apoio direto da AEB, que viabilizou sua participação na missão. São os nanossatélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B, desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e o Sistema de Navegação Inercial (SNI-GNSS), criado por um consórcio composto pelas empresas Concert Space, Cron e Horuseye Tech.
Outra carga com participação da AEB é o PION-BR2 – Cientistas de Alcântara, um satélite educacional desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a AEB, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startup PION. O projeto faz parte do programa Cientistas de Alcântara, que visa incentivar jovens maranhenses a se interessarem por ciência e tecnologia espacial.
Clóvis Martins, diretor do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), enfatiza que a entrada do Brasil no mercado de lançamento de foguetes terá impactos positivos na economia, com geração de renda, empregos e investimentos no país. A decisão de ampliar a janela de lançamento foi tomada com base em avaliações técnicas.
Rogério Moreira Cazo, coordenador-geral da Operação, explica que os testes para validação dos sistemas de aviônica indicaram a necessidade de ajustes no veículo antes do voo, o que é comum em missões inaugurais. A prorrogação do período operacional também permitirá o aprimoramento do processamento dos sinais coletados do veículo espacial, que são utilizados na avaliação de desempenho durante o lançamento.
O Hanbit-Nano é um veículo orbital de dois estágios que utiliza propulsão híbrida e foi projetado para transportar até 90 quilos de carga útil para uma órbita de 500 quilômetros. No primeiro estágio, utiliza um motor híbrido de 25 toneladas de empuxo, alimentado por combustível sólido de base parafínica e oxidante líquido. Essa combinação oferece simplicidade estrutural, baixo custo operacional e alta segurança. No segundo estágio, ele pode operar com dois motores distintos, dependendo da missão: o HyPER, motor híbrido de alto desempenho, e o LiMER, motor a base de metano líquido com bomba elétrica.
O projeto do Hanbit-Nano contou com a participação de 247 profissionais, incluindo 102 engenheiros com dedicação exclusiva. As equipes atuam em quatro áreas de especialidade: propulsão para o primeiro estágio, motor a base de metano para o segundo estágio, sistemas de alimentação por bomba elétrica e controle e aviônicos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


